Como é a superfície de um planeta fora do Sistema Solar? James Webb encontrou a resposta
O telescópio espacial James Webb permitiu que astrônomos obtivessem a visão mais detalhada já registrada da superfície de um exoplaneta. O corpo celeste, chamado LHS 3844 b, apresenta características semelhantes às de Mercúrio, com superfície rochosa, ausência de atmosfera detectável e temperaturas extremas.
O estudo foi publicado na revista Nature Astronomy e envolveu pesquisadores do Instituto Max Planck de Astronomia e do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian.
O exoplaneta orbita uma estrela anã vermelha localizada a cerca de 49 anos-luz da Terra e possui diâmetro aproximadamente 30% maior que o terrestre. Segundo os cientistas, as condições observadas tornam improvável a existência de água líquida ou de ambientes habitáveis.
Superfície lembra Mercúrio e Lua
As análises indicam que a superfície do planeta é dominada por basalto, rocha vulcânica escura também abundante em Mercúrio e na Lua. Os pesquisadores utilizaram observações em infravermelho para detectar luz emitida diretamente pela superfície do exoplaneta — algo considerado extremamente difícil antes do início das operações do James Webb, em 2022.
Segundo os cientistas, diferentes tipos de rocha produzem assinaturas espectrais específicas. A comparação dos dados revelou maior compatibilidade com materiais vulcânicos escuros do que com rochas ricas em sílica, como o granito.
As observações também sugerem a presença de regolito escurecido, material formado por fragmentos rochosos acumulados após bilhões de anos de impactos de micrometeoritos e exposição intensa à radiação estelar.
Temperaturas extremas dominam o planeta
O exoplaneta está extremamente próximo de sua estrela e completa uma órbita em apenas 11 horas. Por causa dessa proximidade, uma das faces permanece constantemente voltada para a estrela, enquanto o lado oposto fica em escuridão permanente, em um fenômeno semelhante ao da Lua em relação à Terra.
Os pesquisadores estimam que a região iluminada alcance temperaturas próximas de 725 °C. Já o lado noturno praticamente não apresentou calor detectável nas observações.
A ausência de atmosfera reduz a capacidade de distribuir calor entre os dois hemisférios e também deixa a superfície exposta à radiação e às partículas emitidas pela estrela.
James Webb amplia estudo de exoplanetas
Além de investigar atmosferas, o James Webb está permitindo que astrônomos estudem diretamente a composição geológica de mundos fora do Sistema Solar. Segundo os autores, isso ajuda cientistas a comparar a Terra com outros planetas rochosos e entender como diferentes ambientes se formam ao redor de outras estrelas.
Os pesquisadores também procuraram sinais de atividade vulcânica recente, como dióxido de enxofre, mas não encontraram evidências desses gases.
Para a equipe, futuras observações poderão identificar superfícies mais parecidas com a terrestre, sobretudo em exoplanetas com sinais de água e processos geológicos mais complexos.
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