Como eles faturaram R$ 1 milhão em nove meses com leite de banana

Por Bianca Camatta 14 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como eles faturaram R$ 1 milhão em nove meses com leite de banana

Aveia, castanha e amêndoas já são opções de leites vegetais conhecidos nos mercados brasileiros. Mas uma foodtech catarinense quis apostar em uma nova matéria-prima: a banana.

O Brasil é o quarto maior produtor de banana do mundo. A fruta é a mais consumida do Brasil, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É justamente a combinação entre disponibilidade e sabor popular que fez com que Marcos Christol e Marina Sena criassem a Banana Milk em março de 2025.

Para 2026, a expectativa é fazer a primeira rodada de captação, crescer em outros estados e aumentar o faturamento em pelo menos 100%.

Como a Banana Milk foi criada

Marcos Christol tinha uma rede de restaurantes em Florianópolis (SC). Marina Sena havia trabalhado com tecnologia em uma startup. Amigos de longa data, ambos passaram por um momento em que venderam seus antigos negócios e queriam recomeçar no empreendedorismo.

A ideia veio por meio de uma viagem de Christol para os Estados Unidos. Na época, a mulher dele estava grávida e era vegetariana. Nem todas as opções de leite vegetal caíam bem para ela. O único agradável era o de banana.

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Foi quando o empreendedor teve o questionamento de porque a opção ainda não era vendida no Brasil. Daí nasceu a ideia para a Banana Milk, que começou a ser desenvolvida em julho de 2024.

“O mercado de bebidas vegetais já crescia forte. Entramos com a ambição clara de ocupar um espaço: o da opção mais saborosa”, diz Marina.

Com um investimento inicial de R$ 1 milhão começaram a conhecer o mercado e testar fórmulas. Para isso, contrataram uma pessoa com experiência no mercado de alimentos e começaram a desenvolver um produto com foco no sabor e com uma lista de ingredientes limpa. O produto também seria uma opção para quem não pode consumir outras bebidas devido aos compostos alergênicos, como as oleaginosas.

No início da operação, um dos principais desafios enfrentados pela empresa foi a relação com fornecedores. Segundo a fundadora, a marca ainda não tinha produto consolidado nem escala de produção, o que dificultava a abertura de negociações. Mas com parceriais firmadas, o desenvolvimento seguiu.

A base para o leite é um purê de banana. “Existe um nível de maturação da banana, medido por Brix. Quanto maior, mais madura. A gente trabalha com esse controle para manter o padrão do produto.”

A marca trabalha atualmente com uma linha de bebidas vegetais à base de banana que inclui versões como Original, Baunilha, Cacau e Barista. A formulação varia a depender do produtos, que são comercializados em embalagens de 1 litro ou 250 ml.

A estratégia de vendas antecipada

Antes mesmo de chegarem a formulação final do produto, os empreendedores desenvolveram o design das embalagens.

A ideia é que a proposta de sabor da marca estivesse clara: a aposta foi em uma identidade visual clara e amigável para reduzir o estranhamento e incentivar a experimentação.

A embalagem, pensada para comunicar sabor e simplicidade, ajudou a traduzir o produto na gôndola e teve papel decisivo na estratégia comercial. O protótipo foi utilizado para apresentar a bebida ainda em formulações testes para supermercados catarinenses. A tentativa deu certo e o produto já estava cadastrado no varejo antes de sua versão final.

“A gente nasceu para ser a opção mais saborosa do mercado", diz Marina Sena, cofundadora da Banana Milk

A dedicação ao design e desenvolvimento do produto foi possível devido ao modelo asset-light, quando a fabricação é terceirizada. Em parceria com a Tetra Pak, o formato possibilita maior escalabilidade.

“Podemos fechar um contrato com uma grande rede nacional e ser capaz de aumentar em 100 vezes a nossa produção de forma imediata, sem precisar investir em um único maquinário novo", afirma Marina.

Como o negócio ganhou tração após o lançamento

A bebida chegou oficialmente ao mercado em abril de 2025. A estratégia inicial foi fazer o produto ser conhecido e aprovado. Neste momento, os empreendedores investiram mais R$ 1 milhão em marketing.

“A gente mandou produzir cerca de mil kits para distribuir no início, com o objetivo de fazer as pessoas experimentarem o produto. A ideia era que quem provasse poderia virar consumidor recorrente”, diz Marina.

A marca também levou a possibilidade de experimentação do produto em pontos de venda, feiras e eventos. “No início, participamos de eventos como aulas de yoga e o carnaval local para colocar o produto na mão das pessoas. A lógica era dominar primeiro o nosso território, Santa Catarina, onde conhecíamos bem o mercado.”

“O sucesso da marca está na execução de marketing: fazer o produto chegar às pessoas e gerar experimentação.”

Em São Paulo, já estão presentes em redes como St. Marche, Mambo e Casa Santa Luzia. "O varejo hoje é uma guerra por centímetros, e os compradores estão muito seletivos. O fato de termos entrado em redes premium antes mesmo de estarmos com a operação 100% rodando mostra que o mercado estava carente de algo com identidade”, diz Christol.

Entre abril e dezembro de 2025, o faturamento da Banana Milk foi de R$ 1 milhão.

Qual é o plano de expansão

Para 2026, o objetivo principal é crescer para além de Santa Catarina. “Mesmo em São Paulo, onde já estamos presentes, ainda existe muito espaço para crescer e melhorar a nossa execução”, afirma Marina.

Para isso, a foodtech pretende lançar ainda neste ano a primeira rodada de captação. O valor será utilizado para reproduzir as estratégias de experimentação já adotadas em Santa Catarina em novos estados, em especial São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

“O Brasil é um país muito diverso, então nossa estratégia é concentrar a expansão inicial no Sul e Sudeste, onde conseguimos replicar melhor o modelo e ganhar eficiência logística de execução”, diz a empreendedora.

A Banana Milk ainda pretende aprimorar os produtos já comercializados. A empresa pretende aprimorar a linha barista, melhorar a embalagem da bebida de 250 ml e lançar bebidas prontas para consumo com adição de proteína.

Neste ano, a startup também lançou um e-commerce próprio, que possibilita experimentação em todo o Brasil sem se sobrepor ao varejo.

“O e-commerce entra como um canal complementar, mas estratégico, para construir marca e gerar desejo.”

Com a expansão e mudanças, o objetivo é crescer ao menos 100% neste ano.

“Quando falamos de banana, a qualidade brasileira é imbatível e equipara-se apenas à asiática. É dessa vantagem competitiva que surge a nossa ambição de tornar a Banana Milk uma marca reconhecida mundialmente a longo prazo”, afirma Marina.

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