Como esta empresa planeja faturar R$ 4 bilhões com pedágio sem cancela
O sistema free flow, que elimina as tradicionais cancelas de pedágios, vem sendo instalado em algumas rodovias do Brasil, como na Rodovia Rio-Santos (BR-101) e na Região Metropolitana de São Paulo (BR-116). Nesse modelo, o pagamento pode ser feito diretamente à concessionária que administra o trecho ou por meio de empresas que oferecem cobrança automática.
De olho nessa tendência, a Move Mais, empresa de tags para pedágio e estacionamento, vem reforçando sua atuação no modelo B2C, ou seja, a venda direta ao consumidor final.
“Sem tag, o usuário precisa descobrir qual concessionária administra a rodovia — uma informação que muita gente nem sabe —, o que dificulta o pagamento. Hoje, a maior comodidade no modelo free flow ainda é a tag”, diz Petrus Moreira, diretor comercial da Move Mais.
A mudança é impulsionada por aplicativos que facilitam a rotina do motorista e por parcerias que promovem o modelo B2B2C. Com isso, a expectativa é dobrar o faturamento, chegando a R$ 4 bilhões em 2026.
Como surgiu a Move Mais
Fundada em 2012, a Move Mais surgiu no contexto de mudanças regulatórias no setor de concessões rodoviárias e da crescente demanda por meios de pagamento mais eficientes em pedágios. Para isso, a empresa aposta em adesivos eletrônicos — as tags —, que são identificados automaticamente nas praças de pedágio.
O crescimento e a expansão foram estruturados inicialmente no B2B. “Nosso foco inicial sempre foi o B2B, atendendo empresas e frotas que dependem das rodovias para operar com eficiência.”
Após a pandemia, a empresa criou também uma frente voltada à pessoa física, que vinha crescendo de forma orgânica, sem grandes investimentos ou estratégias. Agora, a Move Mais direciona seus esforços para tornar a experiência de mobilidade mais simples e acessível ao usuário final.
Moreira enxerga a introdução do free flow como uma das principais alavancas do setor de tags, já que evita que o motorista precise identificar concessionárias e acessar sites de pagamento, além de reduzir o risco de multas.
Para se diferenciar de outras empresas do setor, a Move Mais apostou na criação de um aplicativo para o usuário final. Além de permitir a compra da tag e a realização de recargas, a plataforma integra diferentes serviços, como o pagamento de tributos veiculares, multas e licenciamento.
A ausência de mensalidade, na visão de Moreira, torna a empresa mais competitiva. O modelo de cobrança é baseado em recarga: o usuário realiza um crédito mínimo de R$ 50 no primeiro uso, e o valor é consumido conforme a utilização. Depois, pode recarregar manualmente ou optar pela cobrança automática no cartão.
“Investimos fortemente em pesquisa e construção conjunta com os usuários para entender suas principais demandas e, a partir disso, desenvolver soluções e serviços realmente relevantes dentro do aplicativo”, afirma Moreira.
Há ainda a ampliação da rede de estacionamentos que podem ser acessados automaticamente com a tag — ao todo, são cerca de 500 locais.
Parcerias e novos modelos
A Move Mais tem se dedicado à criação de aplicativos, plataformas e tags personalizadas para empresas que possuem base própria de clientes. É o caso de parcerias com montadoras, com soluções que já saem integradas de fábrica, e redes de estacionamento, que buscavam atender demandas específicas de clientes recorrentes, como mensalistas e condomínios.
Entre os parceiros estão nomes como Volkswagen Caminhões e Multipark.
“É o modelo B2B2C, em que o parceiro leva a solução ao consumidor final — uma alavanca essencial para expandir nossa base de clientes e impulsionar o crescimento”, diz Moreira.
Como a empresa está crescendo
Hoje, 80% do faturamento da Move Mais ainda vem do B2B. “No B2B, o ticket médio gira em torno de R$ 1 mil por mês, enquanto no B2C fica na faixa de R$ 80. Apesar de a base de pessoas físicas já ser maior, o volume de receita do B2B ainda é bastante representativo”, afirma.
Com o aumento da base de clientes pessoa física, impulsionado pelo valor competitivo e pela digitalização, a Move Mais pretende faturar R$ 4 bilhões em 2026 — o dobro em relação a 2025.
“Estamos ampliando o foco para todos os públicos, não apenas as classes A e B, que já utilizam tag, mas também C e D — onde ainda há demanda, mas a mensalidade segue como uma barreira de entrada.”
A empresa também projeta expansão geográfica. Atualmente presente em 20 estados, a meta é alcançar todo o território nacional nos próximos cinco anos.
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