Como este empresário quer transformar mercadinhos e lavanderias num negócio de R$ 200 milhões

Por Isabela Rovaroto 31 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como este empresário quer transformar mercadinhos e lavanderias num negócio de R$ 200 milhões

O varejo de proximidade cresce no Brasil impulsionado por conveniência e redução de custos operacionais. A nova fronteira não está apenas em grandes lojas ou shopping centers, mas em formatos menores, automatizados e distribuídos em diferentes pontos da cidade.

É nesse movimento que surge a Innova X. Criada a partir da expansão da Peggô Market, a empresa reúne diferentes frentes de negócios voltadas ao varejo automatizado, como minimercados, lavanderias compartilhadas, armários inteligentes e, mais recentemente, farmácias.

A criação da holding marca uma mudança de estratégia. Depois de crescer com uma única operação, o grupo decidiu estruturar um ecossistema capaz de acelerar novas frentes e aumentar a presença em diferentes canais, indo além dos condomínios.

“Decidimos transformar a companhia não só para mercados autônomos, mas para o varejo automatizado em geral”, afirma o CEO Daniel Sant’Anna.

O plano agora é ganhar escala. A holding projeta alcançar faturamento de 200 milhões de reais em 2026, mais que o dobro do registrado anteriormente, apoiada em contratos já fechados e na expansão das diferentes marcas do grupo.

Do minimercado ao ecossistema

O ponto de partida da Innova X foi a Peggô Market, rede de minimercados autônomos criada por Sant’Anna. Hoje, a operação se aproxima de 400 unidades distribuídas em 20 estados e funciona como principal porta de entrada da empresa no varejo automatizado.

A partir dessa base, a holding passou a incorporar novas operações. Entre elas estão a Peg Locker, de armários inteligentes, a Lave Hub, de lavanderias compartilhadas, e a Innova Farma, voltada ao varejo farmacêutico.

A estratégia é ampliar o uso dos mesmos pontos de venda. Uma vez instalado o minimercado, a empresa passa a testar novas ofertas no entorno, aproveitando fluxo já existente e reduzindo o custo de expansão.

“Hoje todo o nosso ecossistema está muito voltado para a área condominial. A gente usa o acesso que já tem para agregar novos serviços”, afirma Sant’Anna.

Nem todos os pontos recebem todas as operações. Em alguns casos, o espaço comporta apenas um serviço. Em outros, a holding instala múltiplas soluções, criando pequenos hubs de consumo recorrente.

Expansão acelerada

A meta mais ambiciosa está na expansão da Peggô Market. A empresa projeta chegar a 1.000 unidades até o fim de 2026, mais que o dobro da base atual.

Parte desse crescimento já está contratada. A holding firmou acordos com uma faculdade para instalar 120 novos pontos e com uma construtora que deve entregar dezenas de empreendimentos com operações já previstas.

Além disso, administradoras de condomínios e novos canais, como empresas e lojas de rua, vêm ampliando o alcance da operação.

O modelo permite crescimento rápido, mas depende de execução. A implantação em larga escala exige padronização, logística eficiente e capacidade de manter a operação funcionando sem supervisão constante.

Além da expansão orgânica, a Innova X também cresce por aquisições. A holding já incorporou diferentes marcas em estágio inicial e avalia novas oportunidades.

“Estamos de olho em concorrentes para incorporar dentro das nossas marcas”, afirma o CEO.

A estratégia é consolidar um mercado ainda fragmentado e ganhar escala mais rapidamente.

Expandir de forma acelerada, integrar diferentes negócios e manter a qualidade da operação são pontos críticos, especialmente em um modelo baseado em franquias e múltiplas unidades.

Ao mesmo tempo, o mercado de minimercados autônomos começa a ganhar concorrência, o que pode pressionar margens e exigir diferenciação.

A aposta da holding é que a diversificação e o uso de tecnologia consigam sustentar o crescimento. Mais do que abrir novas unidades, o desafio será fazer o ecossistema funcionar de forma integrada.

Franquias de baixo custo e tecnologia própria

Outro pilar da estratégia está no modelo de franquias. As operações são estruturadas como microfranquias, com investimento inicial a partir de cerca de 50 mil reais na taxa de franquia, além de custos de implantação.

Um diferencial está na forma de cobrança. O franqueado paga a taxa uma única vez e pode abrir múltiplas unidades, o que incentiva a formação de operadores com portfólio maior de lojas.

“Quando ele paga a taxa, ele não paga por loja. Ele pode abrir quantas unidades quiser”, afirma Sant’Anna.

Na prática, isso reduz a barreira de entrada e acelera a expansão, mas também aumenta a dependência da performance do franqueado.

Para sustentar esse crescimento, a holding aposta na verticalização. A Innova X criou estruturas próprias de tecnologia, marketing, contabilidade e financeiro, com o objetivo de centralizar processos e reduzir custos.

A empresa também desenvolve software próprio para operar as unidades e integrar as diferentes marcas. A ideia é ter controle sobre dados e operação, em vez de depender de fornecedores externos.

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