Como Jensen Huang, da Nvidia, atingiu uma fortuna US$ 154 bilhões
A mais recente lista de bilionários da Forbes apontou que todos os dias do último ano foram marcados pela ascensão de uma nova pessoa na seleta categoria. Isso significa que, ao longo de 12 meses, um bilionário era registrado a cada dia, gerando um aumento de US$ 4 trilhões na riqueza coletiva destes indivíduos e atingindo um valor recorde de US$ 20,1 trilhões.
Entre os 10 mais ricos do mundo, oito construíram suas riquezas com projetos em ramos da tecnologia, desde redes sociais até investimentos em equipamentos e iniciativas espaciais. Jensen Huang é um deles. O empresário que tem uma fortuna de US$ 154 bilhões nasceu em Taiwan e chegou aos Estados Unidos com dez anos para crescer em Oregon, onde se formou engenheiro elétrico e começou a trilhar o caminho que o levaria a fundar a Nvidia, em 1993.
Há mais de 30 anos na liderança da Nvidia, ele detém 3% das ações da empresa e se beneficia dos fortes números recentes das Big Techs, apesar de uma queda de 3,8% nas ações representar uma leve incerteza devido ao aumento dos custos de operação. Embora o cenário esteja experienciando instabilidade, a dominância construída pela empresa ao longo das décadas a deixa confortável em casos de mudanças de rota.
Dos jogos à IA
A ideia inicial da Nvidia era se estabelecer como uma empresa de processadores para gráficos em 3D com um investimento pessoal de US$ 40 mil. Chris Malachowsky e Curtis Priem, que também já trabalhavam na indústria de tecnologia, auxiliaram Huang na fundação da companhia e o escolheram como CEO.
O primeiro lançamento da marca que a diferenciou de rivais na indústria foi o acelerador de gráficos NV1, embora não tenha conseguido destaque relevante no mercado; foi somente com a parceria com a desenvolvedora Sega que a Nvidia entendeu o espaço para crescimento no setor de jogos eletrônicos.
O executivo frequentemente credita Shoichiro Irimajiri, então presidente da Sega, como quem salvou a empresa e garantiu que ela tivesse "seis meses para viver". Apesar do breve sucesso com o estúdio que criou Sonic the Hedgehog, a era de ouro da Nvidia teve início em 1999 com a estreia do primeiro produto que estabeleceria a marca como líder em unidades de processamento gráfico (GPUs).
A GeForce 256 trouxe atenção para tecnologias como aceleração de vídeo avançada e compensação de movimento para imagens e fez a Microsoft querer contratar a companhia de Huang para os gráficos do primeiro Xbox, que chegou ao mercado em 2001. Rapidamente, a empresa e seus clientes entenderam que os produtos eram úteis também para o treinamento de inteligência artificial, tendo aproveitado o começo da onda de IA com folga.
Um ano após o lançamento do ChatGPT pela OpenAI, em 2022, a empresa conseguiu o feito de atingir um valor de mercado de US$ 1 trilhão. Isso porque as GPUs da marca, que já estavam sendo utilizadas para as operações de IA, começaram a soar mais atraentes para novatos e entusiastas do setor em ascensão.
Investimento em futuro
Huang compreendeu que a empresa deveria focar em estabelecer recursos de infraestrutura para permanecer como o centro da indústria de IA. Em janeiro deste ano, quando encerrou o quarto trimestre fiscal da companhia, a divisão de centros de processamento de dados da companhia registrou US$ 62,3 bilhões, ao passo em que a área de videogames ficou abaixo das expectativas com US$ 3,73 bilhões.
A empresa tem dedicado grande parte de suas negociações para estabelecer mais data centers em diferentes regiões. Embora com foco na América do Norte, a Nvidia tem conversado com governos de países europeus e com a Coreia do Sul, região que fez um acordo para receber 260 mil GPUs da empresa para acelerar o desenvolvimento de agentes de IA.
Hoje, a empresa tem data centers espalhados por estados como Virginia, Tennessee, Nevada e Missouri, além de projetos em desenvolvimento com custos bilionários na Alemanha e e Taiwan para ainda este ano. No Brasil, a Nvidia tem direcionado o foco para programas de capacitação e desenvolvimento de startups. "O Brasil reagiu dentro do tempo ao começar a definir políticas públicas. Não é simples regulamentar inteligência artificial, porque não é um produto isolado, mas um conjunto de tecnologias", disse Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da companhia na América Latina, em entrevista à EXAME.
Com o direcionamento para IA, a empresa se tornou a mais valiosa do mundo e conseguiu um lucro líquido de US$ 39,6 bilhões no mais recente trimestre fiscal. Mesmo com alguns investidores opinando com receio sobre o foco em IA, Huang tem declarado que a expectativa permanece positiva, uma vez que empresas interessadas na tecnologia terão acesso a agentes "realmente refinados e otimizados" em um futuro breve.
Visando expansão para além da computação, a Nvidia também tem desenvolvido modelos de IA para implementação em robôs e veículos autônomos, setor dominado por empresas como a Tesla. A medida é uma forma de se manter relevante e ágil na entrega de tecnologias que o mercado demanda com cada vez mais velocidade, apostando em parcerias com Google e Microsoft para manutenção do domínio.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: