Como joga a Argentina? Entenda a força tática de uma das favoritas à Copa de 2026
Poucas seleções chegam à Copa do Mundo de 2026 com tantas credenciais quanto a Argentina. Atual campeã mundial, a equipe comandada por Lionel Scaloni conseguiu algo raro no futebol de seleções: manter uma identidade clara ao longo dos anos sem se tornar previsível.
Mais do que depender de talentos individuais, a seleção argentina construiu um sistema coletivo sólido, versátil e capaz de se adaptar a diferentes adversários.
A consistência da equipe ficou evidente ao longo do ciclo. A Argentina conquistou a Copa América de 2024 e liderou com folga as Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2026, garantindo a classificação com cinco rodadas de antecedência e terminando nove pontos à frente do Equador.
Mesmo com a passagem do tempo e a renovação de parte do elenco, a equipe continua sendo apontada como uma das principais candidatas ao título.
Além de defender o troféu conquistado no Catar, a Argentina tenta alcançar um feito raro na história recente do futebol: conquistar títulos mundiais consecutivos, algo que não acontece desde o bicampeonato do Brasil em 1958 e 1962.
Uma seleção que sabe jogar de diferentes formas
Ao longo do ciclo, Scaloni mostrou que não é um treinador preso a um único esquema. A Argentina costuma alternar entre o 4-3-3, o 4-4-2 e até estruturas mais híbridas durante as partidas.
Independentemente do desenho inicial, alguns princípios permanecem os mesmos: compactação entre os setores, ocupação inteligente dos espaços e forte capacidade de controlar os ritmos do jogo.
Quando enfrenta equipes mais fechadas, a Argentina busca ter posse de bola e construir ataques de forma paciente. A saída de bola costuma passar por Enzo Fernández ou Leandro Paredes, que recuam para participar da construção e criar superioridade numérica diante da pressão adversária.
Contra adversários mais fortes, não hesita em baixar as linhas e explorar transições rápidas. Essa flexibilidade tornou a seleção extremamente difícil de ser neutralizada.
O meio-campo como coração da equipe
Se em outros tempos a Argentina era vista como uma equipe excessivamente dependente de seus atacantes, hoje o setor mais importante está no meio-campo.
Jogadores como Rodrigo De Paul, Enzo Fernández e Alexis Mac Allister oferecem equilíbrio entre marcação, intensidade e criatividade.
De Paul costuma ser o motor, percorrendo grandes distâncias para recuperar bolas e dar suporte aos companheiros. Enzo atua como organizador, responsável por acelerar ou desacelerar as jogadas de acordo com o contexto da partida. Já Mac Allister oferece mobilidade, aproximação entre linhas e chegada à área adversária.
A movimentação constante desse trio permite que a Argentina mantenha superioridade em diferentes zonas do campo.
Laterais com papel decisivo
Os laterais desempenham funções fundamentais no modelo de Scaloni. Dependendo da partida, eles podem atuar como apoiadores ofensivos ou formar uma linha mais conservadora. Essa flexibilidade permite que a equipe mantenha equilíbrio mesmo quando ataca com muitos jogadores.
Além disso, os laterais frequentemente participam da construção desde trás, ajudando a criar linhas de passe e facilitando a saída de bola sob pressão.
No entanto, Lionel Scaloni convive com uma preocupação com esse setor. As laterais viraram motivo de alerta por conta de lesões que colocam em dúvida a presença de jogadores importantes no torneio.
Na lateral direita, os problemas são ainda maiores. Nahuel Molina, titular da posição desde o início do trabalho de Scaloni, e Gonzalo Montiel, seu principal reserva, seguem em tratamento e ainda não têm presença garantida na competição. Ambos foram mantidos na lista de convocados, mas a comissão técnica monitora diariamente a evolução física da dupla, que corre o risco de ser substituída antes do início do Mundial.
Caso algum corte seja necessário, Agustín Giay, do Palmeiras, e Nicolás Capaldo aparecem como os principais candidatos a integrar o grupo. Os dois participaram de treinamentos nos Estados Unidos e também foram observados em compromissos preparatórios, mesmo sem terem sido incluídos na convocação oficial.
Pela esquerda, a situação é menos delicada, mas também exige atenção. Nicolás Tagliafico é atualmente o único lateral de origem disponível para Scaloni. Como alternativas, o treinador tem recorrido à versatilidade de Facundo Medina e Valentín “Colo” Barco, que foram chamados para atuar em outras funções, mas possuem experiência pelo corredor esquerdo.
Com a estreia se aproximando, a expectativa na seleção argentina é recuperar o maior número possível de jogadores. Enquanto isso, Scaloni segue avaliando soluções para um setor que, às vésperas da defesa do título mundial, se transformou em uma das principais dores de cabeça da comissão técnica.
Menos dependência de Messi, mas ainda influenciada por ele
Embora a Argentina tenha aprendido a vencer sem depender exclusivamente de Lionel Messi, a presença do camisa 10 continua alterando completamente a dinâmica ofensiva da equipe.
Messi costuma atuar com liberdade para circular entre os setores. Em vez de permanecer aberto ou fixo na área, procura espaços entre as linhas adversárias para receber a bola e acelerar as jogadas.
Mesmo aos 39 anos, o camisa 10 segue sendo o principal organizador ofensivo da equipe. Ao recuar para receber a bola, atrai marcadores e cria espaços para as infiltrações de companheiros como Julián Álvarez, Mac Allister e De Paul.
A diferença em relação a ciclos anteriores é que a equipe não precisa mais que ele participe de todas as ações ofensivas. Hoje, a estrutura coletiva permite que o craque escolha melhor os momentos para intervir.
Isso torna sua influência ainda mais perigosa, já que ele chega aos lances decisivos com mais energia e liberdade.
Outro ponto forte da Argentina é a movimentação dos homens de frente. Atacantes como Julián Álvarez não atuam apenas como finalizadores. Principal referência móvel do setor ofensivo, o atacante se destaca pela pressão sem bola, pela capacidade de atacar espaços e pela versatilidade para atuar como centroavante, segundo atacante ou pelos lados do campo.
Campeão do mundo em 2022, Álvarez marcou quatro gols no Catar e chega ao torneio consolidado como uma das peças mais importantes do sistema de Scaloni.
Os pontos vulneráveis
Mesmo sendo uma das seleções mais completas do torneio, a Argentina não é imbatível. Quando enfrenta equipes capazes de acelerar muito pelos corredores laterais, pode sofrer em transições defensivas.
O setor defensivo também preocupa, principalmente pelas laterais e pelas condições físicas dos zagueiros, já que Cuti Romero voltou de lesão recentemente.
Outro desafio está relacionado à renovação gradual do elenco. Alguns jogadores importantes do ciclo vencedor de 2022 já não apresentam o mesmo nível físico de anos atrás. Além disso, a responsabilidade de defender o título naturalmente aumenta a pressão sobre o grupo.
Por que a Argentina chega como favorita?
A principal força argentina não está apenas nos nomes individuais, mas na maturidade coletiva construída ao longo dos últimos anos.
A equipe possui um treinador consolidado, um núcleo de jogadores acostumados a disputar grandes decisões e uma identidade de jogo claramente definida. Sabe controlar partidas, pressionar quando necessário, defender em bloco e atacar de diferentes maneiras.
Em uma competição curta como a Copa do Mundo, essa combinação de talento, organização e experiência costuma ser um dos caminhos mais seguros para chegar até a final.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: