Como o conceito de academia do futuro garantiu para Technogym um ano recorde de receitas
A Technogym fechou 2025 com receita acima de € 1 bilhão pela primeira vez na sua história de quatro décadas. A fabricante italiana de equipamentos para exercício cresceu 13% em relação a 2024, segundo dados divulgados pela publicação especializada Fitt Insider, e viu o lucro saltar 33%, para € 120 milhões.
O resultado foi puxado pelas vendas para clientes institucionais — academias, redes hoteleiras, clínicas e empreendimentos residenciais —, que cresceram cerca de 15% no ano e avançaram em dois dígitos tanto na Europa quanto nas Américas. É um canal que ainda responde por mais de 80% da receita da Technogym, mesmo com a expansão dos showrooms voltados ao consumidor final.
No mesmo período, a empresa lançou seus primeiros reformers de pilates e uma linha de musculação com carga de placas, o que levou o catálogo para categorias que ainda não atuava. Além disso, a marca equipou a delegação da Fórmula 1 e fechou a décima edição olímpica consecutiva como fornecedora oficial dos Jogos.
A aposta de longo prazo é o conceito de "longevidade saudável". Nessa direção, a Technogym lançou uma série de produtos equipados com inteligência artificial (IA) cuja proposta é conectar operadores de academias, usuários e equipamentos.
Quatro décadas de Itália
Fundada por Alessandri em Cesena, no norte da Itália, a marca está hoje em mais de 85 mil academias e cerca de 500 mil residências em todo o mundo, segundo informações divulgadas pela Veja.
No Brasil, a Technogym está presente em todas as unidades do hotel Fasano, e em condomínios de alto padrão como o Quaddra e o Parque Global — ambos em São Paulo, destino de metade do investimento da marca no país. É também na capital paulista onde estão os clientes de academias boutique, como a Les Cinc Gym, com uma das mensalidades mais caras do Brasil, de R$ 3.500.
Technogym: equipamentos de luxo com design italiano (Technogym/Divulgação)
Em outubro de 2025, Alessandri esteve em São Paulo para o lançamento da linha Artis Luxury. O carro-chefe é o Technogym Checkup, estação equipada com sensores e IA que mede composição corporal, frequência cardíaca e parâmetros cognitivos para estimar a idade funcional do usuário. A partir desses dados, gera um programa de treino acompanhado pelo AI Coach, treinador virtual da marca. No Brasil, custa cerca de R$ 20 mil.
Mercado em crescimento
O resultado da Technogym vem acompanhado de uma aceleração geral no setor de fitness premium. A consultoria Global Growth Insights estima que esse segmento específico movimente cerca de US$ 39,78 bilhões em 2026, com projeção de chegar a US$ 59,37 bilhões até 2035.
O Brasil é o segundo maior mercado de academias do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo a Health & Fitness Association — entidade antes conhecida como IHRSA. O crescimento médio do setor no país é de 14% ao ano, com os studios de HIIT, cycling, funcional, pilates e yoga crescendo mais rápido que as redes tradicionais nas grandes capitais.
Atrás de toda essa movimentação está o nicho do wellness, que segundo o Global Wellness Institute movimenta mais de US$ 5 trilhões por ano no mundo. Entre 2020 e 2022, o setor cresceu 12%, e o Brasil ocupa a 12ª posição no ranking global, com cerca de US$ 96 bilhões anuais concentrados sobretudo em cuidados pessoais e alimentação saudável.
Para Alessandri, a virada de chave veio depois da pandemia: a atividade física, disse o italiano à coluna Real Estate, da VEJA, é hoje "tão imprescindível quanto escovar os dentes".
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