Como o Rei do Mate aposta na economia do Ozempic para ir além dos R$ 410 milhões

Por Isabela Rovaroto 3 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como o Rei do Mate aposta na economia do Ozempic para ir além dos R$ 410 milhões

O avanço de medicamentos para emagrecimento começa a mexer com um dos pilares do varejo alimentar: o tamanho das refeições.

Menos prato feito, mais snack. Menos volume, mais proteína. É nesse cenário que redes de alimentação tentam se adaptar a uma mudança que ainda está em curso, mas já influencia decisões de cardápio.

O Rei do Mate, rede de cafeterias que faturou 410 milhões de reais em 2025, vê nesse movimento uma oportunidade. A empresa decidiu reformular parte do portfólio para capturar esse novo consumidor.

“Já tem pesquisas falando do efeito da economia do Ozempic no consumo de alimentos. Se as pessoas passarem a comer menos refeições, vão precisar de mais proteínas”, diz o CEO Antonio Carlos Nasraui.

A resposta vem em forma de novos produtos e reposicionamento da marca.

Do almoço ao snack

A chamada “economia do Ozempic”, termo usado para descrever o impacto de medicamentos como Ozempic e Mounjaro no consumo, tem reduzido o apetite do consumidor e o tamanho das refeições.

Para restaurantes tradicionais, isso pode significar queda de ticket.

Para redes como o Rei do Mate, abre espaço consumo de itens menores, funcionais e com mais recorrência.

A empresa já começou a ajustar o cardápio nessa direção.

Antonio Carlos Nasraui, CEO do Rei do Mate (Rei do Mate/Divulgação)

“Vamos trazer para o nosso cardápio produtos com colágeno, com whey protein, matcha”, afirma o executivo.

A aposta é capturar um público que busca conveniência, mas com algum apelo nutricional e que pode substituir refeições completas por opções mais leves.

Crescimento sem depender de lojas

A mudança de cardápio se conecta com uma transformação maior no negócio.

Nos últimos anos, o Rei do Mate passou a depender menos da expansão física e mais do aumento de ticket médio.

Hoje, a rede vende quase 1 milhão de xícaras de café e cappuccino por mês e diversificou o portfólio com açaí, sanduíches e snacks.

“Eu não tenho mais um único produto que venda mais do que os outros”, afirma o executivo.

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A pandemia foi um ponto de virada. Enquanto concorrentes enxugaram cardápio, a rede ampliou a oferta.

“Todo mundo cortou produto. A gente aumentou o cardápio e trouxe produtos mais apetitosos”, diz.

O resultado foi um aumento consistente de ticket e faturamento.

Outro pilar da estratégia é evitar a guerra de preços, comum no setor.

A empresa aposta em ingredientes mais caros e reconhecidos para sustentar o posicionamento.

“Se a gente continuasse na guerra de preço, a gente morria”, afirma o CEO.

Na prática, isso significa trabalhar com marcas premium e investir na percepção de qualidade, mesmo que isso implique preços mais altos.

A lógica é proteger margem num cenário em que custos e concorrência pressionam o setor.

Novo formato e novas frentes

Além do cardápio, a rede prepara um modelo de loja mais enxuto, com investimento cerca de 30% menor.

A ideia é viabilizar expansão em cidades menores e pontos alternativos, sem exigir o mesmo nível de capital dos formatos tradicionais.

Hoje, abrir uma loja pode custar entre 400.000 e 500.000 reais.

Ao mesmo tempo, a empresa estuda fazer aquisições pela primeira vez.

O foco será em negócios dentro do mesmo universo de alimentação e conveniência.

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