Como o surfe e o suco de laranja impulsionam marca de R$ 65 milhões em SC
Há algo de muito simbólico quando uma marca nascida no litoral de Santa Catarina cresce ao mesmo tempo em que se conecta ao surfe — não apenas como estética, mas como cultura, disciplina e estilo de vida. No caso da Juistreet, essa convergência deixa de ser narrativa de marketing para se tornar estratégia de negócio.
A empresa encerrou 2025 com um duplo marco: atingiu 40 unidades franqueadas em apenas dois anos de franchising e consolidou faturamento de R$ 65 milhões. Mais do que números, trata-se da validação de um modelo que soube ler cedo um movimento maior: o consumo deixou de ser apenas funcional e passou a ser identitário.
O desempenho de dezembro funciona quase como uma fotografia desse fenômeno. Em média, a rede cresceu 39,3% no mês. Em Balneário Camboriú, a unidade da Avenida Brasil avançou 84,2%; no BC Shopping, a alta foi de 49%.
Em Florianópolis, o Campeche cresceu 40,5%. Já na Praia Brava, em Itajaí — onde o lifestyle encontra uma de suas expressões mais evidentes — a flagship registrou novo recorde, com avanço de 20,3%. Não é coincidência. É geografia de marca.
Porque o que a Juistreet construiu vai além do conceito de “healthy fast food”. A marca opera na interseção entre alimentação, comportamento e pertencimento. O suco de laranja, nesse contexto, deixa de ser commodity. Vira símbolo — de rotina, de autocuidado e de pertencimento a uma tribo urbana que valoriza performance, bem-estar e estética.É aí que o surfe entra como elemento estruturante, não acessório.
A aproximação com Alejo Muniz materializa essa lógica. Ídolo da chamada Brazilian Storm, o atleta vive seu último ciclo competitivo no Championship Tour da World Surf League, ao mesmo tempo em que redesenha o próprio futuro — movimento que dialoga diretamente com o momento vivido pela marca. Ambos estão em transição. E em expansão.
Os surfistas Valentina Zanoni e Alejo Muniz (Divulgação/Divulgação)
Aos 36 anos, Alejo começa a deslocar sua atuação da performance para o legado: mentoria, formação de novos talentos e impacto social.
Do outro lado, a Juistreet amplia seu raio de ação: quer sair das atuais 40 unidades para 300 em dois anos, com projeção de R$ 212 milhões em 2027 e mais de R$ 480 milhões até 2030.O ponto de encontro entre essas duas trajetórias está em algo menos tangível do que faturamento: narrativa.
Porque o surfe, diferentemente de outros esportes, não se sustenta apenas em resultados. Ele carrega valores — disciplina, repetição, leitura de ambiente e resiliência diante do imprevisível. Exatamente os mesmos atributos exigidos de uma rede em expansão acelerada.
Quando Renato Muniz fala sobre a conexão com a Geração Z, não está apenas descrevendo um público. Está apontando para uma mudança estrutural: consumidores mais jovens não compram apenas produtos, mas códigos culturais.E poucos códigos são tão poderosos quanto o surfe.
Conexão entre gerações
É nesse contexto que surge a ponte entre gerações, representada pela mentoria de Alejo Muniz à jovem promessa Valentina Zanoni. De um lado, a experiência acumulada em mais de uma década no circuito mundial. De outro, um talento em formação. No meio, a marca.
Mais do que patrocínio, a Juistreet se posiciona como plataforma de conexão — entre atletas, entre públicos, entre momentos de vida. O movimento é sofisticado: transforma branding em ecossistema.
A história da empresa ajuda a explicar essa consistência. Criada por Thiago Weizenmann, após uma década imerso no lifestyle australiano, e desenvolvida ao lado de Higor Nezello e Sharles Nezello, a marca nasceu de um insight simples: transformar suco em marca desejada.Funcionou.
Hoje, com investimento inicial a partir de R$ 200 mil e payback estimado em até 24 meses, a rede atrai franqueados que buscam mais do que retorno financeiro. Buscam participar de uma narrativa em construção.Talvez por isso o dado mais relevante não esteja no faturamento nem no número de unidades. Mas no fato de que, ao crescer, a Juistreet não se descaracterizou. Pelo contrário: ficou ainda mais parecida consigo mesma.
E, no fim, essa é uma lógica que o surfe entende melhor do que qualquer planilha: não vence quem força a onda, mas quem sabe ler o tempo certo de entrar nela.
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