Como tubarões podem ajudar a prever tempestades

Por Vanessa Loiola 19 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como tubarões podem ajudar a prever tempestades

Tubarões estão ajudando cientistas a aprimorar previsões meteorológicas e modelos climáticos no oceano Atlântico. Um novo estudo mostrou que informações coletadas por animais equipados com sensores ajudaram a reduzir erros de previsão em até 40%.

A pesquisa foi publicada na revista científica npj Climate and Atmospheric Science e acompanhou 18 tubarões-azuis e um tubarão-mako monitorados na região de Long Island e Cape Cod, nos Estados Unidos.

Os peixes receberam transmissores capazes de registrar temperatura da água, profundidade e localização durante os deslocamentos pelo oceano.

Dados ajudam a preencher 'lacunas' no Atlântico

Segundo os autores do estudo, esses predadores marinhos conseguem acessar áreas do Atlântico difíceis de serem monitoradas por instrumentos tradicionais, como bóias, satélites e embarcações científicas. Ao todo, mais de 8.200 registros oceânicos feitos pelos animais foram incorporados a modelos meteorológicos experimentais.

De acordo com os cientistas, a inclusão dessas medições aumentou significativamente a precisão das projeções climáticas.

Como oceanos influenciam eventos extremos

Especialistas destacam que os oceanos exercem papel central no funcionamento do clima global. Fenômenos como El Niño, correntes marítimas e massas de água quente influenciam diretamente tempestades, ondas de calor, secas e períodos de frio intenso em diferentes partes do planeta.

Segundo Ben Kirtman, pesquisador da University of Miami Rosenstiel School e coautor do trabalho, previsões do tempo dependem de medições detalhadas das condições oceânicas. Ele afirmou que informações mais precisas podem ampliar a capacidade de antecipar eventos extremos e ajudar setores como energia, agricultura e transporte.

Espécies percorrem grandes distâncias no oceano

Os cientistas escolheram tubarões-azuis e tubarões-mako porque essas espécies percorrem longas distâncias e mergulham em diferentes profundidades no Atlântico.

Os animais costumam atravessar áreas influenciadas pela Corrente do Golfo, importante sistema marítimo que afeta padrões climáticos nos Estados Unidos e no Atlântico Norte. Segundo Laura McDonnell, autora principal da pesquisa e pesquisadora da Woods Hole Oceanographic Institution, os animais foram capturados temporariamente por equipes de pesca comercial, receberam sensores e retornaram ao mar poucos minutos depois.

Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores afirmam que o trabalho ainda é tratado como uma "prova de conceito". Agora, a equipe pretende ampliar a coleta de informações para avaliar o impacto desses registros em sistemas meteorológicos mais completos e detalhados.

Nesse cenário, os especialistas acreditam que, no futuro, tubarões e outros animais marinhos poderão complementar redes tradicionais de monitoramento climático em regiões remotas dos oceanos.

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