Como uma fintech brasileira quer levar o Pix ao mundo e chegar a US$ 200 milhões em transações

Por Bianca Camatta 2 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como uma fintech brasileira quer levar o Pix ao mundo e chegar a US$ 200 milhões em transações

Desde que foi lançado, o Pix está cada vez mais presente no dia a dia dos brasileiros. Em cinco anos, a estimativa é que a ferramenta tenha transacionado R$ 85 trilhões.

Após a popularização no Brasil, a startup FrenteTech quer que brasileiros possam contar com a ferramenta fora do país. Com a solução Comm.pix, criada em 2024, o Pix pode ser usado por brasileiros em 21 países, como Estados Unidos, México, Portugal, Argentina, França e Bolívia. A ideia é continuar expandindo.

“Enquanto o mercado investe em contas globais de uso eventual, criamos uma solução para usar Pix no exterior, ampliando um hábito já consolidado no Brasil”, diz Ricardo Baraçal, VP comercial do Grupo Frente.

Desde a criação da solução, foram US$ 20 milhões movimentados — valor que deve chegar a US$ 200 milhões até o final de 2026. Para isso, a empresa busca novas parcerias em países onde já está presente e quer chegar a novos lugares, em especial onde há maior concentração de brasileiros.

Pix cruza fronteiras

O Produto Mínimo Viável do Comm.pix foi desenvolvido no final de 2024, com a proposta simples e clara: proporcionar o uso do Pix fora do Brasil. Já durante o ano de 2025, o foco esteve na expansão internacional — que já chega a 21 países, como Chile, Paraguai, Uruguai, Estados Unidos, Portugal e, desde 2026, na Bolívia.

Na prática, a solução criada pela startup permite que comerciantes pelo mundo gerem um QR Code ou link de pagamento para que o brasileiro realize a transação diretamente pelo aplicativo do banco. Na hora de pagar, o comprador já vê o valor final convertido em real.

A expansão internacional acontece por meio de um trabalho ativo de prospecção e parcerias locais. A empresa conta com um time dedicado a mapear mercados estratégicos — especialmente destinos com grande presença de brasileiros — e integrar a solução a diferentes corporações, como comerciantes, distribuidores, agências de turismo e redes varejistas.

Baraçal analisa que a solução pode gerar desconfiança nos comércios estrangeiros no primeiro momento, mas, quando percebem o interesse dos brasileiros pelo pagamento, a adoção do Comm.pix se torna uma vantagem competitiva.

“O lojista vê valor em oferecer Pix porque sabe que o brasileiro prefere pagar assim,  isso aumenta a conversão. Sem contar que o varejista recebe o valor poucas horas após o pagamento”, afirma.

Desde a criação, já foram processados mais de US$ 20 milhões em mais de 500 estabelecimentos credenciados.

Crescimento acelerado

Para 2026, o objetivo é escalar a solução de pagamento via Pix no exterior. A principal aposta é firmar parceiros estratégicos, como acontece com a chegada na Bolívia neste ano.

“É a nossa primeira integração com uma instituição financeira — o Banco Ganadero. É uma grande capilaridade, atendendo pessoas físicas e jurídicas”, diz Baraçal.

Com a chegada, comércios e varejistas bolivianos que já utilizam o sistema e maquininhas da instituição financeira poderão receber pagamentos via Pix.

“A operação na Bolívia saiu do MVP e já está online, com expectativa de alcançar mais de 50 mil brasileiros que vivem, trabalham ou consomem na região de divisa”, afirma.

A ideia é expandir o crescimento com esse perfil de cliente. Na Argentina, a FrenteTech já está fechando uma parceria com uma adquirente, que inclui rede de maquininhas e estabelecimentos comerciais.

A empresa vem registrando um crescimento acelerado na operação do produto, com avanço consistente tanto no volume de transações quanto na base de parceiros. Segundo a companhia, o número de operações tem dobrado mês a mês, enquanto a rede de parceiros cresce cerca de 20% no mesmo período.

Apenas no mês de março de 2026, foram realizadas mais de 25 mil transações via Pix, mais que o dobro das 12 mil registradas no mês anterior, indicativo da rápida adoção da solução.

“O produto está escalando muito rápido, com crescimento de dois dígitos ao mês tanto em volume de operações quanto na expansão da base de parceiros”, diz Baraçal.

Com foco na América Latina e em países como Portugal, a estratégia segue em expansão. “Queremos ser o maior hub de solução para brasileiros fora do Brasil, seguindo essa demanda e agora também vemos players estrangeiros buscando o Pix.”

Com o crescimento, a solução deve fechar o ano com US$ 200 milhões transacionados.

A história do grupo Frente

O Grupo Frente nasceu em 2016 a partir de uma leitura de oportunidade no mercado de câmbio brasileiro, considerado concentrado e restrito a poucos players. O modelo de correspondentes cambiais focava apenas na compra e venda de moeda em espécie. “As instituições até tinham rede de distribuição, mas faltavam produtos para esses parceiros”, afirma Baraçal.

Com experiência prévia em instituições como XP, Itaú e Citi, os fundadores apostaram na construção de uma rede de distribuição como diferencial competitivo.

A empresa identificou espaço para ampliar esse escopo, levando soluções mais completas, como operações de importação, exportação e remessas internacionais, a um público ainda pouco atendido, especialmente pequenas e médias empresas.

A estratégia ganhou escala com a aquisição de uma corretora e a criação da FrenteTech, em 2017, braço responsável pelo desenvolvimento de uma plataforma white label. “A ideia foi permitir que o parceiro tivesse protagonismo na relação com o cliente”, afirma.

O modelo permite que empresas operem com marca própria enquanto utilizam a infraestrutura da Frente para oferecer serviços de câmbio. A estratégia B2B2C impulsionou o crescimento da companhia, que hoje reúne mais de mil parceiros, entre correspondentes, fintechs e bancos.

É dentro dessa frente que surgiu a solução Comm.pix, que, no último ano, correspondeu a 5% do faturamento da empresa. Neste ano, a contribuição já deve chegar a 20% da receita total.

Para se tornar um pagamento de brasileiros no exterior, o foco está na expansão dessa solução. “Estamos desenvolvendo um aplicativo e avaliando produtos complementares ao Pix, mas nosso foco agora é evoluir a experiência e a escala da solução”, diz Baraçal.

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