Programador cearense fatura R$ 20 milhões ajudando brasileiros a conseguir vaga no exterior
70% dos brasileiros desejam trabalhar no exterior, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos. Tendo em vista esse desejo, Carlos Levir transformou a própria experiência de contratação nos Estados Unidos em um negócio que ajuda profissionais da área de tecnologia a conseguirem emprego nos Estados Unidos e na Europa.
Com o serviço, a startup Coders faturou R$ 20 milhões em 2025. Para 2026, o objetivo é chegar a R$ 50 milhões, com a criação de uma universidade própria.
Do Ceará ao exterior
Levir sempre se interessou por tecnologia — desmontava computadores por curiosidade e era a pessoa da família que resolvia os problemas tecnológicos. Na adolescência, fez um curso técnico em tecnologia da informação.
Aos 18 anos, conseguiu o primeiro emprego na área de TI em uma fábrica de castanhas no Ceará, ganhando R$ 800 ao mês. Junto ao primeiro cargo, ele também ingressou na faculdade de Sistemas de Informação.
“Depois, consegui migrar para a área de programação, onde consegui oportunidades de trabalho remoto em empresas de todo o país”, diz.
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O seu trabalho saiu também do país. Durante oito anos, ele trabalhou com contratos assinados com empresas estrangeiras, em países como Estados Unidos, Alemanha e Portugal.
“Quando a pandemia começou, eu já atuava no mercado internacional e houve um boom de vagas, especialmente na área de tecnologia. Muita gente passou a me procurar pedindo orientação sobre como trabalhar para fora. Foi a partir dessa demanda que criamos nosso primeiro produto”, diz.
A Coders começou de forma mais improvisada, em 2020. Eram oferecidas aulas por chamada de vídeo com dicas para iniciar a carreira internacional. Levir, no entanto, percebeu que a empresa não estava dando o retorno esperado e decidiu pivotar em 2023.
“Percebemos que cada pessoa estava em uma etapa diferente da jornada. Alguns interrompiam a busca por oportunidades internacionais para estudar, outros para focar no inglês, e havia ainda quem parasse por insegurança ou ansiedade.”
Apostou então em uma plataforma que englobasse as diferentes frentes e em encontros semanais individuais para entender e orientar as necessidades de cada aluno.
Entre as funcionalidades oferecidas estão aulas de inglês, oratória e até acompanhamento psicológico. Planos mais exclusivos incluem a busca pelas vagas que mais se encaixam no perfil de um profissional.
“Brinco que somos o nutricionista ou o personal trainer do profissional de tecnologia que quer alcançar uma vaga no exterior”, diz.
A Coders também passou a aplicar um processo seletivo para a entrada de novos clientes, que inclui o requisito de ser um profissional pleno. “Não significa que perfis mais juniores não consigam uma vaga, mas o processo tende a ser mais difícil e demorado, o que pode gerar frustração para o cliente.”
Segundo o empreendedor, a taxa de clientes que passam para uma vaga no exterior é de mais de 50%.
Reestruturação para crescer
Desde o início do negócio, a startup aposta no marketing para alcançar clientes, com mídias pagas e, posteriormente, pela indicação dos próprios clientes.
“Depois que conseguem a vaga, os clientes costumam ser extremamente gratos. Nós compartilhamos esses resultados no LinkedIn e no Instagram, com fotos e relatos das conquistas”, afirma.
Em seis meses após a reestruturação, a empresa estava faturando R$ 3 milhões. “De 2023 para 2024, a gente triplicou de tamanho. De 2024 para 2025, a gente mais do que dobrou. De 2025 para 2026, a gente quer aumentar em 150%”, diz Levir.
Assim, a Coders deve fechar o ano de 2026 com R$ 50 milhões. O crescimento vai ser alavancado por um novo braço educacional, que vai focar em aulas de programação e tecnologia.
“Até então, nosso objetivo não é ensinar conteúdo técnico em si, mas capacitar essas pessoas para que possam conquistar oportunidades internacionais”, afirma Levir.
Mas a partir de maio, a Coders passa a atuar também na formação. A ideia é que as graduações e pós-graduações ajudem no posicionamento internacional do profissional, com parcerias com faculdades estrangeiras e diplomas com validade nacional e internacional.
“Quando um profissional dos Estados Unidos analisa um currículo do Brasil, ele nem sempre consegue validar a qualidade de uma instituição, e queremos contribuir nesse reconhecimento.”
O desafio da IA
Com as consultorias, Levir percebe a insegurança em relação à diminuição das vagas devido à inteligência artificial.
Mas pesquisas mostram o contrário. Segundo levantamento da TechFX, nos últimos três anos, o número de contratações de especialistas em tecnologia da informação do Brasil por organizações internacionais disparou 491%.
“A IA se tornou um requisito, mas é a estratégia e a interpretação do profissional que vai fazer a diferença final”, diz.
O tema já é considerado nas consultorias e também na universidade lançada pela Coders. “Nosso primeiro curso lançado em maio vai ser de inteligência artificial, com foco na área de tecnologia.”
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