Como uma indústria de madeira virou um negócio de R$ 5 milhões com nove pessoas

Por Júlia Arbex 14 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como uma indústria de madeira virou um negócio de R$ 5 milhões com nove pessoas

Em um setor em que a madeira nem sempre é aproveitada da melhor forma e muitos produtos acabam sofrendo desgaste com o tempo, uma empresa brasileira decidiu atuar na etapa de produção.

Fundada em 2011 por Rogerio Oezau, a Listone abriu as portas para desenvolver soluções mais sofisticadas de processamento da madeira, especialmente para pisos e painéis.

A operação evoluiu e, hoje, quem está à frente da gestão diária é Vivian Ortiz, sócia e esposa do fundador. Ela assume a condução administrativa, financeira e estratégica do negócio.

Vivian é paulistana, tem 49 anos e é formada em administração de empresas, com MBA em finanças. Apesar da formação técnica voltada ao mundo corporativo, sua carreira começou em funções administrativas e financeiras, passando por cargos como analista, coordenadora e gerente de tesouraria.

A entrada definitiva na empresa da família ocorreu apenas em 2019, depois de quase uma década atuando paralelamente na sustentação da casa e, ao mesmo tempo, contribuindo de forma indireta e voluntária para o crescimento do negócio.

"A gente não tinha dinheiro para investir no começo da empresa, então eu não podia deixar de ser CLT", conta. "Eu sempre acreditei no negócio, mesmo antes de começar e sem saber nada sobre madeira."

Qual é a estrutura societária

A sociedade da empresa é composta por quatro sócios. Vivian lidera as decisões do negócio em conjunto com Rogerio, que hoje não faz mais parte da sociedade, mas continua atuando na operação.

Os demais sócios fazem parte de uma estrutura construída ao longo dos anos, baseada em relações de confiança. Entre eles estão Tsai Ni Chin (Lina), Huang Mu Shan (Renato) e o sobrinho de Rogerio, Wagner Oezau, que assume a função de diretor administrativo.

O trabalho do grupo contribuiu para que a Listone entrasse no ranking Exame Negócios em Expansão 2025. Em 2024, a empresa registrou receita operacional líquida de R$ 5 milhões, com crescimento de 51% em relação ao ano anterior.

Em 2025, a empresa passou por um período de ajuste interno. Duas linhas de produtos com menor rentabilidade foram retiradas do portfólio, o que resultou em uma queda de cerca de 3% no faturamento.

Para 2026, a expectativa é de retomada, com crescimento projetado entre 2,4% e 5%. Esse avanço deve acontecer com o apoio de uma consultoria para a entrada em mercados internacionais.

A empresa também iniciou testes com novos produtos voltados ao consumidor final, por meio da marca chamada Encarte Urbano. A proposta é oferecer itens no modelo "faça você mesmo", como prateleiras e suportes. "Vamos avaliar a aceitação público B2C e entender se faz sentido para o negócio", diz Vivian.

Qual é o modelo de negócio da Listone

A história da empresa, segundo ela, está diretamente ligada a esse movimento de risco e confiança. Tudo começou quando Rogerio decidiu deixar o emprego que tinha desde a adolescência para empreender. Ele trabalhou dos 16 aos 30 anos em uma revendedora de madeira, onde ganhou experiência no setor.

A realidade da família permitia pouca margem para arriscar. Foi nesse período que Vivian manteve sua atuação no mercado formal enquanto apoiava financeiramente o projeto, direcionando recursos próprios para reinvestimento na empresa.

Neste ano, a Listone completa 15 anos de existência com uma estrutura enxuta e especializada. O negócio conta com 9 funcionários e opera a partir de um galpão de aproximadamente 900 m², localizado na região do Brás, em São Paulo. O espaço concentra produção, máquinas e estoque, funcionando como base industrial da operação.

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Apesar do time reduzido, a estrutura é intensiva em tecnologia. "Por incrível que pareça, nosso trabalho não é braçal, porque o maquinário é muito moderno", diz Vivian.

A empresa conta com equipamentos, em grande parte importados, e utiliza técnicas de engenharia da madeira ainda pouco comuns no Brasil. O foco está na produção de painéis de madeira engenheirada, utilizados principalmente nos setores moveleiro e de revestimento.

Quando a madeira é usada no formato maciço, ela vem de um único pedaço, como se fosse um bloco inteiro. Isso faz com que todos os veios, aquelas linhas naturais da madeira, sigam na mesma direção.

Com o tempo, a madeira reage ao ambiente. Mudanças de temperatura e umidade fazem o material expandir e contrair. Como todos os veios estão alinhados no mesmo sentido, essa movimentação acontece de forma mais intensa e, por isso, ao longo do tempo, a madeira tende a empenar ou entortar com mais facilidade.

O principal diferencial citado por Vivian está na forma como a madeira é construída. Em vez de utilizar blocos maciços, o processo cruza os veios das camadas de madeira em diferentes direções, criando uma estrutura mais estável e menos suscetível a deformações como empenamento e dilatação.

Isso permite um uso mais racional da madeira nobre, já que apenas a camada superior recebe esse material. O resultado é um produto mais estável e com menor necessidade de manutenção ao longo do tempo.

Assim, não há necessidade de utilizar madeira de alto valor em toda a peça. “As outras camadas também são de madeira, a única diferença é que estão cruzadas”, explica. A partir disso, a Listone passou a aplicar essa técnica de madeira engenheirada também no setor moveleiro.

"Quando o cliente chega até nós, geralmente é porque viu algo parecido fora do país e quer reproduzir em casa, ou busca uma solução diferente, inspirada em algum projeto ou revista", comenta.

Outro diferencial está no uso de colas sem formaldeído, substância considerada tóxica e potencialmente cancerígena. "Nossos produtos são todos limpos", diz.

Qual é a origem da matéria prima

A empresa trabalha exclusivamente com madeira de reflorestamento ou de manejo florestal, evitando o desperdício da matéria-prima e sem recorrer à extração ilegal ou predatória. Os fornecedores são parceiros de longa data e passam por um processo rigoroso de verificação.

Rogerio visita pessoalmente as florestas no Brasil, acompanhando não apenas a origem da madeira, mas também as condições de trabalho e as práticas adotadas no processo de extração. Vivian participa mais ativamente das negociações internacionais, especialmente porque tem inglês fluente.

A empresa atende cerca de 20 clientes de grande porte, principalmente indústrias com alto volume de consumo. São contratos com ticket médio elevado, o que posiciona a Listone em um segmento mais técnico e menos voltado ao consumidor final.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

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Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.

São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.

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