Como usar o PIX no exterior: tudo o que já é possível fazer fora do Brasil

Por Marina Semensato 22 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como usar o PIX no exterior: tudo o que já é possível fazer fora do Brasil

Quem está prestes a viajar para fora do Brasil já deve ter se perguntado se há como usar o Pix no exterior. A resposta, para alguns casos, é sim — mas o funcionamento é diferente do Pix entre contas brasileiras.

Cada vez mais brasileiros têm encontrado alternativas para usar o Pix em viagem ou mesmo morando em países como Estados Unidos, Argentina e Portugal.

Como funciona o Pix fora do Brasil?

O sistema criado pelo Banco Central opera dentro da estrutura financeira do Brasil e não se conecta diretamente a bancos de outros países. Para que um pagamento via Pix no exterior chegue a um comerciante estrangeiro, uma fintech precisa atuar como intermediária.

Empresas como a PagBrasil, por exemplo, funcionam como ponte entre o sistema brasileiro e o mercado internacional. O lojista gera um QR Code com o valor da compra em moeda local. O cliente escaneia o código pelo aplicativo do seu banco brasileiro, vê o valor convertido para reais – com IOF incluso – e autoriza o pagamento.

A fintech recebe o Pix internacional, converte para a moeda do país e repassa o valor ao comerciante. No extrato bancário, a operação aparece como um Pix comum, embora envolva câmbio, spread e imposto. Para o turista brasileiro, é uma forma de usar Pix no exterior sem mexer em conta estrangeira.

Quais são os casos em que o Pix já funciona no exterior?

O uso do Pix fora do Brasil se divide em quatro situações diferentes:

Em quais países é possível pagar com Pix?

A aceitação do Pix no exterior varia de cidade para cidade e de loja para loja. Não existe cobertura ampla nem padronizada, pois tudo depende de acordos comerciais entre fintechs brasileiras e redes locais de adquirência.

Mesmo assim, alguns destinos já concentram boa parte das operações: Argentina, Paraguai, Chile, Estados Unidos, Portugal e França, destinos muito frequentados por brasileiros. Na Argentina, o Banco do Brasil firmou parceria com o Banco Patagonia e com a Coelsa, câmara de compensação local, para habilitar o Pix em estabelecimentos credenciados.

No Paraguai, o uso do Pix no exterior se concentra em centros comerciais de Ciudad del Este, onde muitos brasileiros vão comprar eletrônicos e outros itens. Nos Estados Unidos, maquininhas da Verifone em cidades como Miami e Orlando já aceitam o Pix internacional.

Na Europa, o Pix já aparece em comércios de Portugal e França, inclusive em pontos turísticos frequentados por brasileiros. Na dúvida, é melhor buscar por placas ou adesivos com o logo do Pix no balcão. Se não houver sinalização, uma alternativa é perguntar ao caixa antes de contar com esse meio de pagamento.

Quanto custa usar o Pix em compras internacionais?

Toda compra com Pix fora do Brasil envolve câmbio e incide IOF. A alíquota para operações desse tipo é cerca de 3,5% — a mesma cobrada em compras com cartão de crédito internacional.

A diferença entre Pix e cartão internacional está no spread cambial. No cartão, o spread costuma ficar entre 5% e 7% sobre o câmbio comercial, e o valor final só aparece na fatura dias depois.

No Pix internacional, o câmbio é travado na hora da compra, com spread médio entre 2% e 3%. O cliente vê o custo total em reais antes de confirmar — no cartão, esse número só fica claro na fatura. A taxa, porém, varia segundo a empresa intermediária, então convém comparar antes de pagar.

Como pagar com Pix em uma loja no exterior?

Para pagar com Pix no exterior em uma loja física, o processo é bem simples, mas exige que o estabelecimento esteja integrado a uma fintech parceira:

Não é necessário avisar o banco antes da viagem nem ativar nenhuma função extra. O sistema reconhece a operação de câmbio e aplica as regras de forma automática.

Como enviar dinheiro ao exterior pagando com Pix?

O Pix não transfere dinheiro para fora do país de forma direta. Ele serve como pagamento da operação de remessa, feita por uma empresa de câmbio. Para enviar o dinheiro a uma conta do exterior:

O destinatário recebe na moeda local, por canais bancários tradicionais, ou seja, não recebe via Pix.

O que o Pix ainda não faz no exterior?

Hoje, ainda não é possível enviar Pix para uma conta bancária estrangeira. Quem mora fora do Brasil e tem conta apenas em banco local não recebe Pix — a menos que mantenha uma conta ativa em instituição financeira brasileira, com chave Pix cadastrada.

Além disso, não existe Pix Saque em caixas eletrônicos fora do Brasil, e as transferências entre pessoas de países diferentes também não funcionam pelo Pix. Para enviar dinheiro a alguém no exterior, o caminho é via empresa de câmbio ou remessa.

Pix ou cartão internacional: quando usar cada um?

Em termos de custo e conveniência, o Pix internacional tende a ser mais vantajoso em lojas credenciadas: o câmbio é fechado na hora da compra e o spread costuma ficar entre 2% e 3%. A cobertura, porém, é limitada e só funciona onde há integração com fintech parceira.

O cartão internacional é uma opção mais ampla, pois aceita pagamentos em qualquer maquininha do mundo, com programas de pontos ou cashback. O spread, porém, tende a ser mais alto, e o valor só aparece na fatura dias depois, sujeito à variação cambial.

Para brasileiros que viajam, o ideal é diversificar: usar o Pix no exterior em lojas parceiras  e reservar o cartão internacional para locais onde a aceitação do Pix ainda é pontual ou inexistente.

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