Compra da Manus pela Meta faz China restringir investimentos dos EUA em startups
O governo da China decidiu que empresas de tecnologia do país só poderão aceitar investimento de empresas dos Estados Unidos após aprovação governamental. Conforme a Bloomberg, diversas agências do país já comunicaram às companhias privadas que a decisão primária é rejeitar aportes vindos de qualquer empresa americana que não estejam aprovados pela China.
A nova regulamentação é uma consequência direta da aquisição da startup Manus pela Meta, classificada como conspiração pelo país asiático. Após a compra de US$ 2 bilhões, a Comissão de Segurança Nacional da China compartilhou com líderes chineses um documento afirmando que a empresa chefiada por Mark Zuckerberg tinha como objetivo a redução do poder tecnológico da China. A compra segue a decisão da Manus de encerrar as operações no país asiático após se estabelecer em Singapura, onde está localizada desde antes da aquisição da Meta.
Em seguida, múltiplas agências governamentais foram convidadas a examinar o negócio sob regras de controle de exportação, investimento estrangeiro e concorrência. Uma delas é a National Development and Reform Comission (NDRC), que agora orienta companhias a rejeitarem ofertas americanas. Fontes ouvidas pela Bloomberg atestam que as empresas mais afetadas pela nova política de investimentos são a Moonshot AI, que avalia abrir capital em bolsa com valuation estimado em até US$ 18 bilhões, a StepFun, startup de modelos de linguagem que cogita uma oferta de US$ 500 milhões, e a ByteDance.
Dona do TikTok volta a ter embate com EUA
No caso da ByteDance, maior startup privada do país e dona do TikTok, a restrição se aplica especificamente a vendas secundárias de ações. Sem aval de Pequim, o grupo não pode aprovar que investidores americanos adquiram participações no mercado secundário. A empresa já passou por um desgastante processo político nos EUA, tendo sido obrigada a negociar a venda da operação americana da rede social de vídeos curtos após anos de pressão do governo americano.
Um freio no acesso ao capital global
A nova política quebra anos de estratégia econômica chinesa. Pequim tinha como prioridade incentivar que empresas de alto nível buscassem investimento externo, especialmente nos EUA, para setores como veículos elétricos e eletrônicos. A intenção era tratar a expertise estrangeira como um dos ingredientes essenciais para transformar potências nacionais em ícones globais.
O movimento, combinado com a restrição das chamadas "red chips" — empresas chinesas registradas no exterior — de realizar IPOs em Hong Kong, força companhias a procurarem alternativas que se equiparem ao investimento de um país líder no mercado de tecnologia. A StepFun, por exemplo, começou a trajetória para encerrar suas atividades no exterior e repatriar capital para se adequar às novas normas chinesas.
Do outro lado do Pacífico, os EUA também restringiram investimentos em empresas chinesas de semicondutores, computação quântica e IA desde o início de 2025. São medidas motivadas por preocupações com segurança nacional e corrida armamentista tecnológica. O resultado é um crescente isolamento mútuo entre os dois maiores ecossistemas de tecnologia do mundo, que pode afetar o momento de recuperação do país asiático.
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