'Confiamos numa solução do governo', diz Perosa sobre cotas da China para carne
NOVA DÉLI* e SÃO PAULO — O setor brasileiro de carne bovina aguarda uma definição do governo federal sobre o impasse envolvendo as cotas impostas pela China à proteína brasileira. A medida entrou em vigor em 1º de janeiro.
No último dia de 2025, a China anunciou a imposição de tarifas adicionais de 55% sobre as importações de carne bovina de países como Brasil, Austrália e Estados Unidos, caso os embarques ultrapassem as cotas estabelecidas.
Segundo o Ministério do Comércio da China (MOFCOM), a cota total para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. O Brasil, principal fornecedor da proteína ao país asiático, ficou com a maior fatia: 41,1%, o equivalente a 1,1 milhão de toneladas.
Em seguida aparecem Argentina, com 19,0%, e Uruguai, com 12,1%. Para Austrália e Estados Unidos, foram destinadas cotas de 205 mil e 164 mil toneladas, respectivamente.
No ano passado, a China manteve a liderança como principal destino da carne bovina brasileira, com 1,7 milhão de toneladas importadas e US$ 8,90 bilhões movimentados — altas de 25,5% em volume e 48,3% em valor na comparação com 2024.
O volume embarcado pelo Brasil em 2025 ficou cerca de 600 mil toneladas acima do teto atualmente permitido.
Diante da diferença, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Roberto Perosa, afirmou que o setor acompanha as negociações e aguarda uma posição oficial.
“Estamos aguardando a decisão governamental e vamos cumprir o que for decidido pelo governo. Estamos sendo consultados, apresentando nossas sugestões, e confiamos que haverá uma solução”, disse nesta sexta-feira, 20, em missão na Índia.
Segundo Perosa, as discussões estão em curso junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). “Já está em vigor desde 1º de janeiro. Estamos acompanhando as tratativas com o governo e, assim que houver uma solução, vamos respeitar.”
O executivo ressaltou que o episódio reforça a necessidade de ampliar destinos para a carne brasileira. “Por isso a importância da diversificação de mercados, de novas fronteiras, para que a gente não fique tão dependente de uma região ou de um país só”, afirmou.
A expectativa do setor é que as negociações avancem nos próximos meses para equacionar a diferença entre o volume historicamente exportado e o limite estabelecido pela nova regra chinesa.
Aposta na diversificação
Enquanto aguarda uma solução para as cotas chinesas, o setor de carne bovina aposta na diversificação de mercados.
Em missão à Ásia, a expectativa é avançar na abertura da Coreia do Sul. Desde o ano passado, o Brasil tenta acessar o mercado sul-coreano, mas as negociações foram interrompidas por razões políticas locais.
“A Coreia é o grande foco dessa missão. O Brasil ainda não tem acesso ao mercado coreano de carne bovina, que é altamente importador”, afirmou Perosa.
Segundo o executivo, a abertura do mercado sul-coreano integra a estratégia de diversificação de destinos conduzida pela ABIEC em conjunto com o governo brasileiro.
O Japão também está no radar, com negociações em estágio mais avançado. Em março, inclusive, o Brasil deve receber representantes do governo japonês para inspeções em frigoríficos brasileiros.
“O Japão está um pouco mais adiantado. Já a Coreia, talvez com essa visita presidencial, ganhe impulso nas etapas necessárias para a abertura”, disse.
Atualmente, o processo de habilitação sanitária está na terceira fase de um total estimado entre oito e dez etapas. “Ainda falta uma visita da autoridade sanitária sul-coreana ao Brasil, além do cumprimento de exigências documentais complementares”, afirmou.
*O jornalista viajou a convite da ApexBrasil
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