Confiança do agricultor dos EUA sobe — mesmo com guerra e custos altos
Nem mesmo a guerra no Irã, que levou ao aumento de 50% nos preços dos fertilizantes, desanimou os produtores dos Estados Unidos em março, mostra o Ag Barometer, levantamento da Universidade de Purdue em parceria com o CME Group.
O índice geral avançou de 116 pontos em fevereiro para 127 pontos, refletindo maior otimismo entre os agricultores. A alta foi impulsionada principalmente pela melhora nas expectativas futuras, que cresceram mais do que a percepção das condições atuais.
O indicador registrou aumento de 14 pontos no mês, enquanto o Índice de Condições Atuais subiu 6 pontos. Apesar da melhora, o indicador de expectativas ainda permanece abaixo dos níveis observados no fim de 2025 e em março do ano passado.
A pesquisa, realizada entre 16 e 20 de março com 400 produtores, também mostrou que cerca de 18% dos agricultores avaliam que suas operações estão melhores do que há um ano.
Para os próximos 12 meses, as opiniões seguem divididas: 20% esperam melhora financeira, enquanto 18% projetam piora.
O levantamento mostra a divisão de expectativas entre setores. Enquanto apenas 31% dos produtores de grãos esperam bons tempos, entre os pecuaristas esse número sobe para 63%, mesmo em um momento no qual o setor de carne enfrenta uma das piores crises, com menor oferta de gado.
Mesmo com o avanço da confiança, os custos de produção continuam sendo o principal ponto de preocupação do setor. A fatia de produtores que apontam os insumos como maior desafio subiu de 44% para 46%.
Além disso, o cenário macroeconômico também influencia as expectativas. Cerca de 39% dos entrevistados acreditam que a inflação ao consumidor ficará acima de 3% nos próximos 12 meses. Já em relação aos juros, 34% esperam queda, enquanto 16% projetam alta.
Os temores dos agricultores são de que o aumento dos custos, combinado com incertezas econômicas, limite um otimismo mais robusto no curto prazo.
A melhora da confiança aparece após um 2025 complexo para o produtor dos EUA. No ano passado, em razão da guerra tarifária implementada pelo presidente Donald Trump, a China optou por comprar mais soja brasileira do que americana.
O resultado: em 2025, as exportações brasileiras de soja para o país asiático somaram aproximadamente 90 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), um recorde.
Para 2026, a entidade projeta embarques de cerca de 77 milhões de toneladas ao mercado chinês.
Nesse cenário, os EUA e a China firmaram um acordo pelo qual o país asiático voltaria a comprar volumes maiores de soja americana.
Em 2025, foram exportadas 12 milhões de toneladas. Para este ano, a expectativa é de que esse número retorne aos patamares de 25 milhões de toneladas, segundo Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA.
Investimentos no agro
A pesquisa também mostrou que o Índice de Investimento de Capital Agrícola avançou para 53 pontos, mas o apetite por novos investimentos segue contido. Apenas 4% dos produtores pretendem ampliar a compra de maquinário na próxima safra.
Por outro lado, há maior confiança na valorização das terras agrícolas. O índice de expectativa de valorização subiu tanto no curto quanto no longo prazo, com destaque para o avanço do indicador de longo prazo, que chegou a 159 pontos.
Fatores como taxas de juros, investimentos alternativos e renda agrícola foram apontados como determinantes para o valor das terras.
A melhora acompanha um cenário adverso registrado em 2025, no qual os EUA registraram nova retração no número de propriedades rurais, segundo o relatório Farms and Land in Farms 2025 Summary, do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
Segundo o levantamento, o país encerrou o ano com 1,865 milhão de fazendas — 15 mil a menos que em 2024. Ao mesmo tempo, a área total destinada à atividade agrícola caiu para 353,7 milhões de hectares, uma redução de 1,02 milhão de hectares na comparação anual.
No campo político e econômico, a parcela de produtores que acredita que os EUA estão na “direção certa” subiu de 59% para 65%, o que ajuda a explicar parte do avanço no índice de confiança.
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