Redução do consumo e em 33% dos lares: o avanço das canetas emagrecedoras no Brasil

Por André Martins 7 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Redução do consumo e em 33% dos lares: o avanço das canetas emagrecedoras no Brasil

O uso de canetas emagrecedoras já alcança 1 em cada 3 domicílios brasileiros e começa a redesenhar o padrão de consumo alimentar no país.

Dados de pesquisa do Instituto Locomotiva mostram que 33% dos lares têm ao menos um morador que utiliza ou já utilizou esses medicamentos.

Esse avanço ocorreu em ritmo acelerado. No fim de 2025, o índice era de 26%, passando para 33% em fevereiro de 2026. O nível de conhecimento também é elevado: apenas 6% dos brasileiros dizem nunca ter ouvido falar desses medicamentos, enquanto 6 em cada 10 afirmam conhecer alguém que já utilizou substâncias como Ozempic, Mounjaro ou Wegovy, medicamentos originalmente voltados ao tratamento de diabetes e obesidade.

A queda é mais intensa em itens associados ao consumo por impulso ou conveniência, como doces e snacks (70%), bebidas açucaradas (50%), massas e carboidratos (47%) e bebidas alcoólicas (45%).

A mudança não se limita ao que se compra no supermercado. Também há impacto no consumo fora de casa.

Entre os lares com usuários, 47% reduziram a frequência em restaurantes e 56% diminuíram pedidos de delivery e fast food, termo em inglês para refeições rápidas e padronizadas. Esse movimento está associado à redução do apetite, percebida em 8 de cada 10 domicílios.

Além da queda no consumo, há uma reorganização da dieta: cerca de 40% dos lares aumentaram a ingestão de alimentos considerados mais saudáveis.

Entre eles, proteínas magras (30%), frutas e vegetais (26%), alimentos integrais (25%) e água ou chás sem açúcar (22%). O dado sugere uma substituição parcial — e não apenas redução — no padrão alimentar.

Impacto econômico e acesso ampliam alcance

O efeito sobre o consumo ocorre em paralelo à ampliação do acesso aos medicamentos. Segundo a pesquisa, 76% dos brasileiros acreditam que as canetas estão se tornando mais acessíveis, enquanto 68% afirmam que preços mais baixos aumentariam a probabilidade de uso.

Esse fator ajuda a explicar a disseminação entre diferentes classes sociais. Embora mais presente na classe AB (39%), o uso já atinge 30% das classes CDE. Parte desse avanço ocorre por canais alternativos: 4 em cada 10 usuários afirmam ter adquirido o medicamento sem receita, pela internet ou no exterior.

A percepção social acompanha esse avanço. Entre os brasileiros que conhecem as canetas, 93% acreditam que esses medicamentos estão mudando a forma como as pessoas se alimentam no dia a dia, sendo que 40% avaliam que essa mudança é intensa.

Para Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, os dados indicam que o fenômeno já ultrapassou o uso individual.

“O que os dados revelam é que o fenômeno tem uma segunda camada. Além da aprovação de quem usa, existe uma mudança concreta no padrão de consumo. Redução de ultraprocessados, menos bebidas açucaradas, menos conveniência e, em alguns casos, queda de gasto. Isso significa que a discussão não é só sobre um medicamento, é sobre comportamento. Se o acesso ampliar, o mercado precisa se preparar para um consumidor que compra diferente. E, como sempre, quem entende primeiro essa mudança consegue responder melhor, seja na indústria, no varejo ou nas políticas públicas", afirmou.

Em outra frente, Meirelles também destaca o avanço do uso no país, domo um assunto que virou um fenômeno vivido no cotidiano.

“Quem teve experiência tende a avaliar de forma positiva e a recomendação aparece como termômetro social de confiança. Mas o preço ainda é o principal freio, e isso define quem entra e quem fica de fora. Ainda assim, o uso já permeia todas as classes sociais, impulsionado por caminhos alternativos de acesso, o que mostra que essa barreira não impede a disseminação", disse.

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Locomotiva entre 3 e 9 de fevereiro de 2026, com 1.004 entrevistados em todo o país, por meio de questionário digital de autopreenchimento. A amostra foi ponderada por região, gênero, idade e renda, de acordo com o perfil da população brasileira medido pela PNAD/IBGE.

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