Conflito entre EUA e Irã volta a escalar após troca de ataques no Golfo

Por Estela Marconi 9 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Conflito entre EUA e Irã volta a escalar após troca de ataques no Golfo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 8, que o cessar-fogo com o Irã continua em vigor, apesar da troca de ataques registrada nas últimas horas no Estreito de Ormuz.

A declaração ocorreu após forças iranianas lançarem mísseis, drones e embarcações contra três navios militares americanos na região estratégica do Golfo. Segundo Trump, o ataque foi “insignificante”.

Em resposta, Washington anunciou bombardeios contra “instalações militares iranianas” ligadas à ofensiva no estreito, uma das principais rotas globais para transporte de petróleo e gás.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que nenhum navio americano foi atingido e que as forças militares conseguiram neutralizar as ameaças antes de atacar posições iranianas.

O governo iraniano, por sua vez, acusou os Estados Unidos de terem iniciado os confrontos e violado a trégua em vigor desde 8 de abril.

Troca de acusações amplia tensão no Golfo

O comando militar central do Irã afirmou que forças americanas atacaram um petroleiro e outro navio na região do Golfo Pérsico. Segundo Teerã, a reação iraniana ocorreu “de forma imediata e em represália”.

A televisão estatal iraniana também relatou explosões em um porto na ilha de Qeshm, localizada no Estreito de Ormuz.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã mantém restrições severas à navegação na passagem marítima, considerada essencial para o comércio mundial de hidrocarbonetos.

Na manhã desta sexta-feira, os Emirados Árabes Unidos informaram que acionaram sistemas de defesa aérea para interceptar drones e mísseis lançados a partir do território iraniano.

O governo iraniano ainda não comentou diretamente o episódio. Nos últimos dias, Teerã vinha negando envolvimento em ataques denunciados pelos Emirados.

Negociações seguem sem acordo definitivo

Apesar da nova escalada militar, Trump voltou a defender um acordo rápido com a República Islâmica.

Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano pressionou o Irã a aceitar uma negociação “imediata”, sob ameaça de ataques “mais duros e muito mais violentos” no futuro.

Os confrontos aumentam a pressão sobre as conversas diplomáticas mediadas por países da região. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, havia declarado horas antes acreditar que a atual trégua poderia se transformar em um “cessar-fogo de longo prazo”.

Mesmo assim, o ambiente segue marcado por desconfiança.

Bloqueio em Ormuz afeta petróleo e transporte marítimo

O bloqueio imposto pelo Irã no Estreito de Ormuz continua afetando o transporte marítimo internacional.

Segundo o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Domínguez, cerca de 1.500 navios bloqueados e aproximadamente 20 mil tripulantes seguem retidos na região do Golfo.

Trump chegou a anunciar nesta semana uma operação naval para escoltar embarcações comerciais e tentar reabrir o estreito, mas suspendeu a medida poucas horas depois ao citar avanços nas negociações com Teerã.

O cenário também mantém o mercado de energia sob pressão. Após recuarem na quinta-feira, os preços do petróleo voltaram a subir nesta sexta. O barril do Brent, referência global, era negociado acima de 101 dólares.

Conflito também pressiona situação no Líbano

A escalada entre Estados Unidos e Irã amplia as tensões em outros pontos do Oriente Médio, especialmente no Líbano.

Um funcionário do Departamento de Estado americano afirmou que Israel e Líbano devem realizar uma nova rodada de negociações nos dias 14 e 15 de maio.

O país voltou ao centro da crise após o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã, lançar foguetes contra Israel em resposta à morte do aiatolá Ali Khamenei em bombardeios israelense-americanos.

Apesar da trégua formal entre Israel e Hezbollah, o Ministério da Saúde libanês informou que ataques israelenses deixaram ao menos 12 mortos no sul de Beirute.

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