Conflito entre EUA e Irã volta a escalar após troca de ataques no Golfo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 8, que o cessar-fogo com o Irã continua em vigor, apesar da troca de ataques registrada nas últimas horas no Estreito de Ormuz.
A declaração ocorreu após forças iranianas lançarem mísseis, drones e embarcações contra três navios militares americanos na região estratégica do Golfo. Segundo Trump, o ataque foi “insignificante”.
Em resposta, Washington anunciou bombardeios contra “instalações militares iranianas” ligadas à ofensiva no estreito, uma das principais rotas globais para transporte de petróleo e gás.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que nenhum navio americano foi atingido e que as forças militares conseguiram neutralizar as ameaças antes de atacar posições iranianas.
O governo iraniano, por sua vez, acusou os Estados Unidos de terem iniciado os confrontos e violado a trégua em vigor desde 8 de abril.
Troca de acusações amplia tensão no Golfo
O comando militar central do Irã afirmou que forças americanas atacaram um petroleiro e outro navio na região do Golfo Pérsico. Segundo Teerã, a reação iraniana ocorreu “de forma imediata e em represália”.
A televisão estatal iraniana também relatou explosões em um porto na ilha de Qeshm, localizada no Estreito de Ormuz.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã mantém restrições severas à navegação na passagem marítima, considerada essencial para o comércio mundial de hidrocarbonetos.
Na manhã desta sexta-feira, os Emirados Árabes Unidos informaram que acionaram sistemas de defesa aérea para interceptar drones e mísseis lançados a partir do território iraniano.
O governo iraniano ainda não comentou diretamente o episódio. Nos últimos dias, Teerã vinha negando envolvimento em ataques denunciados pelos Emirados.
Negociações seguem sem acordo definitivo
Apesar da nova escalada militar, Trump voltou a defender um acordo rápido com a República Islâmica.
Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano pressionou o Irã a aceitar uma negociação “imediata”, sob ameaça de ataques “mais duros e muito mais violentos” no futuro.
Os confrontos aumentam a pressão sobre as conversas diplomáticas mediadas por países da região. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, havia declarado horas antes acreditar que a atual trégua poderia se transformar em um “cessar-fogo de longo prazo”.
Mesmo assim, o ambiente segue marcado por desconfiança.
Bloqueio em Ormuz afeta petróleo e transporte marítimo
O bloqueio imposto pelo Irã no Estreito de Ormuz continua afetando o transporte marítimo internacional.
Segundo o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Domínguez, cerca de 1.500 navios bloqueados e aproximadamente 20 mil tripulantes seguem retidos na região do Golfo.
Trump chegou a anunciar nesta semana uma operação naval para escoltar embarcações comerciais e tentar reabrir o estreito, mas suspendeu a medida poucas horas depois ao citar avanços nas negociações com Teerã.
O cenário também mantém o mercado de energia sob pressão. Após recuarem na quinta-feira, os preços do petróleo voltaram a subir nesta sexta. O barril do Brent, referência global, era negociado acima de 101 dólares.
Conflito também pressiona situação no Líbano
A escalada entre Estados Unidos e Irã amplia as tensões em outros pontos do Oriente Médio, especialmente no Líbano.
Um funcionário do Departamento de Estado americano afirmou que Israel e Líbano devem realizar uma nova rodada de negociações nos dias 14 e 15 de maio.
O país voltou ao centro da crise após o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã, lançar foguetes contra Israel em resposta à morte do aiatolá Ali Khamenei em bombardeios israelense-americanos.
Apesar da trégua formal entre Israel e Hezbollah, o Ministério da Saúde libanês informou que ataques israelenses deixaram ao menos 12 mortos no sul de Beirute.
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