Conflito EUA-Israel e Irã, petróleo e PMIs: o que move os mercados

Por Clara Assunção 2 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Conflito EUA-Israel e Irã, petróleo e PMIs: o que move os mercados

Os mercados começam a primeira segunda-feira de março, 2, sob forte tensão geopolítica e com uma agenda carregada de indicadores econômicos no radar.

Depois de uma semana de perdas, a pior do ano, em que o Ibovespa encerrou a sexta-feira, 27, em queda de 1,16%, aos 188.786,98 pontos — acumulando baixa de 0,92% na semana —, o investidor agora precisa digerir um novo fator de risco externo: a escalada do conflito no Oriente Médio.

No sábado, 28, Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã. Horas depois, o presidente americano Donald Trump afirmou que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, havia sido morto nos bombardeios — informação confirmada pelo governo iraniano.

No domingo, 1°, os ataques e retaliações continuaram, ampliando o temor de envolvimento de outros países da região e elevando a incerteza global.

A expectativa é de aumento da aversão ao risco já na abertura dos mercados. Segundo Flávio Conde, head de análise da Levante Investimentos, o barril de petróleo sobe, refletindo o risco sobre a oferta iraniana — o país responde por cerca de 4,5% da produção global.

Caso o conflito se intensifique, os preços podem testar a faixa entre US$ 75 e US$ 80, embora o cenário atual de maior oferta limite movimentos mais extremos.

Nos Estados Unidos, a tendência é de pressão adicional sobre as bolsas, especialmente a Nasdaq, diante da busca por proteção. O movimento pode fortalecer o dólar e reduzir os rendimentos dos Treasuries. Para o Brasil, o câmbio pode subir para a faixa de R$ 5,20 a R$ 5,25, pressionando os juros futuros e a bolsa, que pode recuar para o intervalo entre 170 mil e 180 mil pontos no curto prazo.

Por outro lado, empresas ligadas ao petróleo tendem a se beneficiar. Na sexta-feira, em meio às tensões iniciais, a Prio (PRIO3) foi destaque de alta no pregão, avançando 4,11%. A Petrobras (PETR3 e PETR4) pode ganhar com exportações de óleo mais valorizadas, embora o repasse aos combustíveis dependa da estratégia da companhia e da trajetória das cotações nas próximas semanas.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, ressalta que o “playbook” tradicional de guerra aponta para migração de recursos para ativos considerados mais seguros, como ouro, metais preciosos e Treasuries, além de fortalecimento do dólar e redução de fluxo para mercados emergentes no curto prazo.

O estrategista pondera, contudo, que historicamente conflitos no Oriente Médio tendem a provocar impactos concentrados nas primeiras semanas, sem efeitos prolongados sobre as bolsas globais.

Indicadores no radar

Além da geopolítica, a agenda macroeconômica desta segunda-feira traz uma série de dados relevantes. No Brasil, às 8h30, sai o Boletim Focus, com as projeções do mercado para inflação, juros e crescimento. Às 10h, é divulgado o PMI Industrial, termômetro da atividade do setor manufatureiro.

No exterior, o dia começa com dados no Reino Unido, incluindo preços de imóveis e crédito ao consumidor. A Alemanha e a União Europeia divulgam a leitura final do PMI Industrial. A China apresenta números de investimento estrangeiro direto acumulado no ano.

Nos Estados Unidos, o destaque fica para o PMI Industrial final, às 11h45, e para o ISM Industrial, ao meio-dia, com dados de emprego, novas encomendas e preços — indicadores importantes para calibrar expectativas sobre a economia americana.

À noite, o Japão divulga a taxa de desemprego e dados de base monetária, completando o panorama global do dia.

No calendário corporativo americano, investidores acompanham os resultados de Berkshire Hathaway e StoneCo Ltd, que podem movimentar setores específicos e dar pistas sobre o desempenho das empresas em um ambiente de maior volatilidade.

Com uma combinação de tensão geopolítica, petróleo em alta e indicadores industriais nas principais economias do mundo, a semana começa com um teste para o apetite ao risco.

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