Conheça a corrida mais difícil do mundo, considerada quase impossível de finalizar

Por Marina Semensato 26 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Conheça a corrida mais difícil do mundo, considerada quase impossível de finalizar

Se você consome conteúdos sobre corrida nas redes sociais, provavelmente já se deparou com vídeos emocionantes de linhas de chegada. Pessoas com cartazes, crianças que acompanham os pais nos últimos metros, abraços e muitos gritos de incentivo para quem está prestes a cruzar o fim do percurso. Por mais desafiadora que seja a prova, existe a certeza de que aquela pessoa vai chegar em algum momento.

Mas existe uma linha de chegada diferente. Nela, ninguém espera porque tem certeza de que os corredores vão chegar, mas sim para ver se alguém consegue chegar. Essa é a Maratona Barkley, considerada uma das mais difíceis do mundo.

A edição de 2026, realizada no dia 14 de fevereiro terminou como muitas outras ao longo de seus 40 anos de história: sem ninguém passar pela linha de chegada. Desde a criação, em 1986, apenas 20 atletas conseguiram completar o desafio. No total, são 26 finalizações oficiais.

Como funciona a Barkley?

Realizada no Frozen Head State Park, no Tennessee, Estados Unidos, a prova exige que o participante percorra cerca de 160 km em até 60 horas, em um percurso sem trilhas oficiais, com mais de 18 mil metros de subida acumulada. Neste ano, o melhor desempenho foi do francês Sébastien Raichon, que completou três voltas — o chamado "Fun Run" — antes de estourar o tempo limite.

A Barkley não segue os padrões da corrida de rua. O percurso é dividido em cinco voltas de 33 km por trilhas técnicas nas Frozen Head Mountains. Não há sinalização clara e a navegação é feita com mapa e bússola, o que leva a muitos erros de percurso. Além disso, ele é alterado todos os anos, para garantir que a prova siga desafiadora.

Os corredores não contam com suporte médico ao longo do trajeto e não podem receber ajuda externa, com exceção de dois pontos de hidratação definidos pela organização.

Correr rápido não é a habilidade mais valiosa nessa prova. Os atletas precisam ter noções mínimas de localização, se preparar e saber lidar com terreno instável e manter o ritmo mesmo com o desgaste acumulado. Em 2026, frio intenso, chuva constante e trilhas escorregadias aumentaram o número de desistências.

História da Barkley

A Barkley foi criada em 1986 por Gary "Lazarus Lake" Cantrell. A ideia foi inspirada na fuga de James Earl Ray, assassino de Martin Luther King Jr. Após escapar da prisão, ele percorreu cerca de 13 km em mais de 50 horas antes de ser capturado. Cantrell disse que conseguiria correr muito mais no mesmo tempo e transformou isso em uma corrida.

Gary "Lazarus Lake" Cantrell acende um cigarro para sinalizar o início da Maratona Barkley. (Reprodução/Wikimedia Commons (Michael Hodge))

Cantrell é um contador aposentado e maratonista que já percorreu mais de 160 mil km em 60 anos, segundo a RedBull. "Acho que as pessoas que passam por isso [a maratona] se tornam melhores. Elas se tornam melhores por aquilo que exigiram de si mesmas", disse. Segundo ele, a ideia nunca foi criar a corrida mais difícil do mundo, mas sim testar o limite das pessoas.

Regras e curiosidades

A Barkley tem aspectos tão curiosos que parte da comunidade corredora vê a prova como um "culto". Isso porque são só 40 vagas concorridíssimas, e a inscrição não é para quem pode ou quer: os interessados têm que apresentar uma carta argumentando que são aptos a fazer o percurso.

O pagamento também é diferenciado: o organizador costuma pedir placas de carro, camisetas, meias e outros objetos aleatórios. Além disso, existem certos pré-requisitos, que até hoje não se sabe quais são, pois os selecionados não podem compartilhar nada do processo com ninguém.

Placas de carro trazidas pelos corredores da Maratona Barkley, penduradas ao lado da linha de largada e chegada. (Reprodução/Wikimedia Commons (Michael Hodge))

Outra curiosidade é que a largada também não tem horário divulgado. Ela acontece quando o organizador acende um cigarro.

Além disso, ao longo do percurso, os corredores precisam encontrar livros escondidos na floresta. Em cada ponto, arrancam a página correspondente ao número de inscrição. Se faltar uma página, a volta não é validada.

A Barkley ganhou mais visibilidade após um documentário lançado em 2014 e passou a atrair corredores de diferentes países. Ele é chamado The Barkley Marathons: The Race That Eats Its Young e está disponível em diversos serviços de streaming.

Quem conseguiu terminar?

O primeiro a completar o percurso foi o britânico Mark Williams, em 1995, com o tempo de 59h28min48s. Desde então, o recorde foi reduzido para 52h03min08s, registrado por Brett Maune em 2012.

A famosa ultramaratonista britânica Nicki Spinks, conhecida por seus recordes nas corridas de montanha, foi a primeira mulher a completar a prova, segundo informações da Redbull.

"É fundamental saber como se orientar e ficar confortável em trilhas e travessias. Há muitas colinas. É um sobe e desce constante. E, a cada volta, as subidas ficam mais difíceis", disse em entrevista à RedBull. "Eu me preparo pensando em vários cenários e no que pode dar errado. Leio, ouço podcasts, converso com pessoas. Mesmo assim, nunca enfrentei algo tão difícil", completou.

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