Consumo de energia para IA vira problema para maiores empresas do setor
A narrativa dominante do setor de tecnologia nos últimos anos foi a da abundância: mais modelos, mais parâmetros, mais capacidade, mais promessas. Mas abril de 2026 trouxe um sinal de alerta que as maiores empresas não conseguem ignorar: a infraestrutura que sustenta a inteligência artificial está chegando ao seu limite devido à eletricidade.
Conforme uma reportagem do The Wall Street Journal, grandes empresas de IA passaram a racionar ou limitar o acesso aos sistemas que desenvolvem ao passo em que a infraestrutura se torna cada vez mais escassa. Produtos amplamente divulgados por sua escala ilimitada de uso agora são um recurso finito que enfrenta filas e redução de disponibilidade. Tomando a Nvidia como exemplo, a empresa subiu o preço de aluguel das GPUS Blackwell de US$ 2,75 para US$ 4,08 por hora.
A CoreWeave, que recentemente fechou um acordo de US$ 21 bilhões com a Meta, aumentou os preços de infraestrutura de IA em 20% para clientes. "Estamos fazendo algumas negociações muito difíceis no momento em relação a coisas que não estamos buscando porque não temos poder computacional suficiente", comentou Sarah Friar, CFO da OpenAI, em entrevista a Tomas Tunguz.
GPUs viram ouro
Mesmo com Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft projetando gastos superiores a 650 bilhões de dólares em 2026 para expandir a capacidade de IA, quase metade das construções planejadas de data centers nos Estados Unidos deve ser atrasada ou cancelada. Com ausêncian de transformadores e infraestrutura de rede, grandes marcas estão redirecionando seus esforços para focar em aprimorar instalações já existentes ou buscar terras distantes com acesso mais fácil a eletricidade.
Uma análise feita pela Sightline Climates prevê que quase 50% de todos os projetos globais de data centers com previsão de conclusão neste ano enfrentam atrasos diretamente ligados a restrições no fornecimento de energia e escassez na rede elétrica. Simultaneamente, a consultoria Morgan Stanley projeta um déficit de 49 gigawatts apenas nos Estados Unidos até 2028; as alterações já afetam o consumidor final dos principais produtos do mercado em efeito cascata.
A Anthropic, dona do Claude, começou a racionar o acesso à computação durante os horários de pico nos dias de semana. Isso gerou críticas nas redes sociais e um movimento global de migração para rivais como ChatGPT e Gemini. Ainda que a OpenAI aproveite o momento de limitação da Anthropic para reforçar a manutenção da acessibilidade de seus produtos, a empresa recentemente encerrou o app de vídeos curtos Sora em busca de fornecer mais tecnologia computacional a aplicações prioritárias.
Big Techs estão dispostas a manter o frenesi
A falta de recursos não parece ser o suficiente para fazer Big Techs recuarem de forma responsável. A rotina corporativa da Meta é uma das que apenas intensificou o uso de IA: ao longo do último mês, mais de 60 trilhões de tokens, as unidades de texto processadas por sistemas de IA, foram gerados para motivar funcionários em competições internas. A Amazon e a Microsoft já investiram mais de R$ 471 bilhões em instalações em Aragão, no norte da Espanha, para suprir a demanda por tecnologia; o motivo para tal seria a redução de 30% no custo da eletricidade em comparação com cidades mais populosas da Europa.
Uma das razões para o aumento incontrolável é a popularidade de IAs multifuncionais. Empresas substituiram o uso de chatbots simples por sistemas capazes de fazer tudo em uma única interface, delegando mais da metade do trabalho diário para robôs. J.J. Kardwell, executivo-chefe da empresa de nuvem Vultr, disse ao The Wall Street Journal que "a energia disponível até 2026 já está toda comprometida". A saída para a manutenção da tecnologia está na aceleração de alternativas, como a busca de Elon Musk por satélites alimentados por energia solar como recurso adicional para o setor.
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