Copa do Mundo deve impulsionar vagas temporárias e aumentar pressão por empresas mais flexíveis
A Copa do Mundo costuma aquecer o comércio, o turismo e o consumo. Em 2026, porém, o torneio também deve movimentar outro mercado: o de trabalho. Uma nova pesquisa do Infojobs revela que 65,1% dos profissionais pretendem buscar vagas temporárias durante o evento esportivo.
O levantamento mostra ainda que 64,8% dos entrevistados acreditam que grandes eventos como a Copa aumentam as chances de conseguir um emprego. Para quase metade dos participantes (47,1%), esse impacto é considerado significativo.
A expectativa acompanha um movimento já tradicional da economia. Setores como comércio, alimentação, hotelaria, logística, atendimento ao cliente e eventos costumam ampliar as contratações para atender ao aumento da demanda gerado por grandes competições esportivas.
"Grandes eventos costumam aquecer determinados segmentos da economia, gerando aumento na demanda por mão de obra temporária. Para muitos profissionais, esse pode ser um caminho para conquistar renda extra, adquirir experiência ou até abrir portas para futuras contratações efetivas", afirma Hosana Azevedo, gerente sênior da Redarbor Brasil, grupo controlador do Infojobs.
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Flexibilidade vira diferencial competitivo
Além da geração de empregos, a pesquisa aponta que a maneira como as empresas lidam com a rotina durante a Copa também influencia sua reputação como empregadora.
Segundo o estudo, 70,4% dos respondentes consideram mais atraentes as organizações que flexibilizam a jornada de trabalho em períodos como o torneio. Entre eles, 54,6% afirmam que essas empresas se tornam muito mais interessantes para trabalhar.
Para quem já está empregado, o desejo também é por maior autonomia. Nos dias de jogos da Seleção Brasileira, 38,4% prefeririam contar com horário flexível, enquanto 34,3% gostariam de manter a rotina normal. Outros 21,5% defendem folga total e apenas 5,8% optariam pela compensação das horas posteriormente.
"Os profissionais valorizam empresas que demonstram confiança e capacidade de adaptação. Não se trata apenas de liberar ou não os funcionários durante os jogos, mas de construir relações baseadas em diálogo, equilíbrio e bem-estar", diz Azevedo.
A percepção está alinhada a uma tendência mais ampla do mercado de trabalho, em que políticas de flexibilidade e bem-estar têm ganhado peso na atração e retenção de talentos.
Para 73,3% dos participantes do estudo, assistir às partidas ou participar de confraternizações relacionadas ao torneio com colegas contribui para melhorar o ambiente profissional (Imagem gerada por inteligência artificial) (Imagem gerada por IA/EXAME/Divulgação)
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Jogos podem fortalecer o clima organizacional
O estudo também indica que a Copa pode servir como um momento de integração entre equipes. Para 73,3% dos participantes, assistir às partidas ou participar de confraternizações relacionadas ao torneio com colegas contribui para melhorar o ambiente profissional.
Desse total, 53,7% concordam totalmente com a afirmação e 19,6% concordam parcialmente.
Iniciativas simples, segundo a executiva do Infojobs, podem gerar ganhos importantes de engajamento.
"Momentos de celebração coletiva ajudam a fortalecer vínculos, promovem integração entre equipes e criam experiências compartilhadas. Quando bem planejadas, essas ações podem contribuir para o senso de pertencimento e para a construção de um ambiente mais colaborativo.
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Empresas ainda adotam postura conservadora
Diferentemente de outras edições da Copa do Mundo, a competição de 2026 deve ter um impacto menor sobre a rotina das empresas. Como o torneio será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, grande parte das partidas da Seleção Brasileira deve ocorrer no fim da tarde ou à noite no horário de Brasília, reduzindo a necessidade de paralisações durante o expediente. Ainda assim, a pesquisa mostra que a discussão sobre flexibilidade e integração entre equipes continua relevante para os profissionais.
Mas apesar da preferência dos profissionais por modelos mais flexíveis, o estudo mostra que muitas organizações ainda não definiram ou não pretendem alterar a rotina durante os jogos da Seleção.
Entre os trabalhadores presenciais, 45,9% afirmam que suas empresas não planejam liberar o home office nos dias das partidas. Outros 26,4% dizem não saber qual será a política adotada e apenas 6,6% relatam que a liberação já foi confirmada.
Para Azevedo, independentemente da decisão, a transparência é fundamental.
"O funcionário tende a compreender limitações operacionais quando elas são comunicadas com clareza. O que costuma gerar desconforto é a falta de previsibilidade ou a percepção de tratamento desigual entre áreas."
Mais do que uma competição esportiva, a Copa do Mundo acaba funcionando como um termômetro das transformações do mercado de trabalho. De um lado, empresas precisam equilibrar produtividade, cultura organizacional e bem-estar dos funcionários. De outro, profissionais enxergam no período uma oportunidade para conquistar uma vaga temporária, ampliar a renda ou até dar o primeiro passo rumo a uma contratação efetiva.
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