Copa do Mundo feminina: concessionária rebate Fifa em impasse sobre Mané Garrincha
A concessionária Arena360, que administra o estádio Mané Garrincha, fez concessões à Fifa em mensagem à organização enviada na última sexta-feira, 15, em resposta a uma carta da entidade máxima do futebol que falava “em exercer seus direitos de rescisão” do contrato para que o espaço receba partidas da Copa do Mundo Feminina em 2027. A Fifa menciona “múltiplas violações materiais e contínuas por parte da Arena BSB”, o que a concessionária rebate. Apesar de aceitar modificar o gramado, a empresa afirma que não cederá todos os camarotes do estádio para uso exclusivo da Fifa durante o evento.
Entre as demandas da Fifa, estão a disponibilidade de todos os camarotes do estádio à entidade durante o evento, uma mudança no gramado, o aumento do número de câmaras frigoríficas nos bares e a oposição da entidade a uma mudança no local do centro de imprensa.
Richard Dubois, CEO da Arena360, afirma à EXAME que o estádio não vai ser descredenciado da competição e questiona a estratégia da Fifa de tornar pública uma negociação sobre adequações na infraestrutura do estádio.
Ajustes no gramado e equipe
Ele diz que a Arena360 fará os ajustes no gramado, mas ressalta que não pode disponibilizar todos os 125 camarotes à entidade máxima do futebol.
Na resposta que enviou à Fifa, a concessionária se compromete a implementar o gramado costurado — em que a grama natural é reforçada por fibras sintéticas — em até 60 dias antes do início do torneio, que começa em junho de 2027.
“A FIFA tem um produto valiosíssimo e sabe disso. Então, usa a força do evento para conseguir condições (comerciais) extremamente favoráveis em todas as situações. São mais três ou quatro estádios que estão na mesma situação”, diz Dubois.
Ele afirma que a Arena360 disponibiliza 1.700 pessoas para atuar no estádio durante o evento, 200 a mais do que o pedido pela Fifa, e que a estrutura do estádio recebeu boas notas na avaliação técnica.
Disputa pelos camarotes
Richard Dubois, CEO da Arena360. Foto: Divulgação
O CEO da concessionária questiona, porém, a necessidade do uso exclusivo de todos os camarotes pela Fifa. Como solução, a Arena360 propôs à Fifa a disponibilização, para uso exclusivo da entidade, de 25 camarotes entre o segundo e o terceiro andar do estádio.
“Querem que eu rompa mais de 100 contratos, derrube camarotes que já existem para fazer todos iguais, para a Fifa ficar com eles? O problema aqui é que eles querem todos os camarotes. Eles não querem dar preferência aos clientes que já têm o camarote aqui. Eu argumento que a gente pode vender (pacotes da Fifa para quem detém camarotes no Mané Garrincha), o cara vai comprar. Se ele não comprar, você não vai encontrar comprador para (partidas como) Uganda e Macedônia no futebol feminino”, afirma ele.
Dubois diz que os contratos mais recentes de camarotes vendidos pela concessionária já preveem que o dono do espaço cederá o espaço no período da Copa do Mundo Feminina, que será realizada em junho e julho de 2027.
Outros questionamentos
O executivo também afirma que a Fifa quer que a concessionária instale mais sete câmaras frigoríficas no estádio e diz que a empresa ofereceu disponibilizar a estrutura para que a própria entidade instale os equipamentos, se achar necessário. Dubois afirma, contudo, que a atual estrutura já permite fornecer bebidas geladas a um público de 70 mil pessoas.
Quanto à mudança do centro de imprensa do quarto andar do estádio para o primeiro, o executivo ressalta que a modificação foi elogiada pelos setoristas porque o novo local é mais próximo ao gramado, apesar de não ter vista para ele.
“Testamos (o novo local) na Supercopa e mandamos o teste a eles. A imprensa elogiou e gostou mais do segundo espaço. E o padrão é o mesmo, mesmo piso, mesma estrutura”.
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