Coreia do Sul surfa na onda da IA e vê exportações de chips dispararem 134%
A demanda por inteligência artificial tem sido benéfica para a Coreia do Sul. Nos primeiros 20 dias de janeiro deste ano, as exportações de semicondutores, periféricos de computador e petroquímicos aumentaram, respectivamente, 134%, 129% e 11% quando comparadas ao mesmo período de 2025. O dado foi divulgado pelo Serviço de Alfândega da Coreia (KCS, na sigla em inglês) e reforça o papel estratégico do país na cadeia global de tecnologia.
No mesmo período, as vendas externas de periféricos de computador cresceram 129%, enquanto os produtos petroquímicos avançaram 11%. O segmento de chips foi o que mais contribuiu para a expansão das exportações no início do ano, em meio à corrida global por infraestrutura voltada a modelos de IA (inteligência artificial).
No consolidado, as exportações sul-coreanas registraram alta de 47,3% em fevereiro e de 34% em janeiro, mesmo com a queda de 27% nas vendas externas de automóveis. O contraste evidencia a crescente dependência da economia local do setor de tecnologia avançada.
Os veículos e autopeças foram os mais afetados pela política tarifária dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump elevou as tarifas sobre produtos sul-coreanos de 15% para 25%, criticando Seul pela demora na aprovação de um investimento de US$ 350 bilhões nos EUA.
Além da retração de 27% nos embarques de veículos, as exportações de peças automotivas caíram 21% em fevereiro. A decisão de Washington incluiu ainda o aumento da tarifa mínima global de 15% para 20%, medida que gerou reações de parceiros comerciais como a China e ampliou a instabilidade no comércio internacional.
Apesar do impacto sobre o setor automotivo, União Europeia, Taiwan e China ajudaram a sustentar o desempenho externo da Coreia do Sul. O principal destaque foi Taiwan, cujas compras de produtos sul-coreanos avançaram 76,4% nos 20 primeiros dias de fevereiro na comparação anual.
IA sustenta superávit enquanto governo monitora inflação
A busca global por soluções de IA tem funcionado como contrapeso à fraqueza de segmentos tradicionais. O governo sul-coreano afirmou que pretende manter o equilíbrio entre interesses comerciais e prioridades domésticas no acordo firmado em outubro de 2025, sem abrir mão de salvaguardas consideradas estratégicas.
O Banco da Coreia, autoridade monetária do país, informou em janeiro que os preços ao consumidor subiram 2% no mês, sinalizando pressão inflacionária moderada. A próxima reunião para definição de tarifas internas está marcada para quinta-feira (26). Segundo a agência Bloomberg, analistas avaliam que eventuais ajustes não devem ser expressivos, diante das incertezas sobre o impacto pleno das tarifas impostas pelos EUA.
A combinação entre expansão acelerada do setor de semicondutores e tensões comerciais reforça o dilema da Coreia do Sul: preservar sua posição como fornecedora-chave de tecnologia para a nova economia digital enquanto administra riscos geopolíticos e inflacionários.
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