Corrida quântica chega à bolsa — mas lucros ainda estão distantes
Empresas de tecnologia quântica estão acelerando suas aberturas de capital em 2026, mesmo em meio à instabilidade dos mercados globais, em busca de recursos para transformar ciência em negócio. O movimento chama atenção por sinalizar que um setor ainda pouco compreendido pelo público começa a ocupar espaço no mercado financeiro — e levanta uma questão central: o que isso diz sobre o futuro da tecnologia?
Companhias como a Xanadu Quantum e a Horizon Quantum já estrearam nas bolsas por meio de fusões com SPACs, estrutura criada para facilitar esse tipo de acesso ao mercado. A estreia, no entanto, tem sido volátil: a Xanadu chegou a subir cerca de 15% no primeiro dia de negociação nos Estados Unidos, mas perdeu força na sequência, enquanto a Horizon acumula queda de 18% desde o IPO.
Computadores quânticos usam princípios da física quântica — área que estuda o comportamento de partículas em escala subatômica — para processar informações de forma diferente dos sistemas tradicionais, com potencial para resolver problemas complexos com muito mais rapidez.
Apesar disso, a tecnologia ainda está em estágio inicial e distante do uso cotidiano. À CNBC, Joe Fitzsimons, fundador e CEO da Horizon Quantum, afirma que o setor começa agora a mudar de patamar. Esse avanço passa por melhorias na correção de erros e no desempenho dos sistemas, fatores essenciais para tornar os computadores quânticos mais estáveis e confiáveis.
Para Velu Sinha, sócio da Bain & Company, as primeiras demonstrações de vantagem quântica prática devem ocorrer entre 2028 e 2029. Esse seria o momento em que essas máquinas começariam a superar computadores tradicionais em tarefas específicas, segundo fontes ouvidas pela rede de televisão americana.
Aplicações mais amplas — como o desenvolvimento de novos medicamentos ou a otimização de cadeias logísticas — ainda devem demorar mais. “Isso é mais provável na metade da década de 2030”, afirma Sinha.
Busca por dinheiro e primeiros usos
A abertura de capital surge como uma das principais formas de financiar esse desenvolvimento, que exige investimentos elevados e ainda não gera retorno imediato. Ao mesmo tempo, a monetização tende a acontecer de forma gradual, explica Matthew Kinsella, CEO da Infleqtion. Enquanto a tecnologia não amadurece, empresas buscam receita com soluções intermediárias.
Algumas desenvolvem softwares aplicáveis a computadores tradicionais; outras oferecem acesso remoto a sistemas quânticos via nuvem.
Dados citados pela CNBC indicam que governos e grandes empresas já investiram bilhões de dólares no setor, que pode atingir entre US$ 100 bilhões e US$ 250 bilhões no longo prazo.
Sinha resume esse momento ao afirmar que o setor deixou de ser um experimento científico e passou a trilhar um caminho comercial.
Ainda assim, o desempenho das ações após os IPOs mostra que o mercado segue cauteloso — principalmente em relação ao tempo necessário para transformar a tecnologia em lucro.
“O potencial é alto, mas a adoção em larga escala ainda está distante”, afirma Marc Einstein, diretor de pesquisa da Counterpoint Research.
Para os investidores, o cenário combina alto potencial com riscos relevantes, já que o retorno ainda depende de avanços que podem levar anos.
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