Corte de juros e rali da bolsa prometem mudar dinâmica da renda fixa

Por institucional 27 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Corte de juros e rali da bolsa prometem mudar dinâmica da renda fixa

Os juros vão cair em 2026 (ao que tudo indica) e, para dançar conforme a música, os investidores começam a fazer ajustes em seus portfólios. A renda fixa não perde atratividade. Ainda que a taxa termine o ano próxima dos 12%, continua oferecendo rentabilidade de dois dígitos com risco praticamente zerado.

A dúvida agora é qual indexador tirar para dançar nessa nova configuração do baile, já que os títulos atrelados à Selic tendem a entregar menos performance e a renda variável entrou na pista, depois de render o dobro do CDI em 2025, com direito a rali no começo deste ano. O estoque de investimentos em renda fixa em 2025 somou 6,43 trilhões de reais, segundo dados da B3.

Um corte na taxa mexe com todo esse universo de aplicações, já que o investidor vai buscar alternativas para compensar parte dessa rentabilidade perdida.

A TAG Investimentos, gestora de patrimônio, terminou o ano com avaliação positiva sobre títulos atrelados à inflação e neutra em relação aos títulos prefixados. “O prefixado já precifica que os juros vão a 12% no final do ano. Esse é o cenário mais positivo, mas há chances de os cortes serem menores”, afirma Marco Bismarchi, sócio e gestor da casa.

Pressões inflacionárias inesperadas podem fazer o Banco Central voltar a subir juros e deixar a rentabilidade do prefixado pouco atraente mais adiante. E é por isso que a casa está positiva em IPCA+. Bismarchi também acredita que títulos atrelados à Selic são “um bom carrego”, mesmo com a perspectiva de queda de juros.

“Levando em conta uma inflação de 5% e Selic de 13%, na média do ano, você consegue um juro real de 7,5%, 8%”, explica o gestor.

Sharon Halpern, sócia e private banker da Blackbird Investimentos, avalia que títulos pós-fixados ao CDI não perdem atratividade, mesmo com juros em queda. Eles tendem a continuar superando a rentabilidade de ativos atrelados à inflação no curto prazo, mesmo com spreads esticados. “As últimas estimativas apontam para um IPCA em 2026 de 3,97%. Por mais que a gente tenha o IPCA+ 7%, ainda fica abaixo do CDI”, explica.

Os investidores vêm de um ano em que concentraram alocações em títulos incentivados e produtos de baixo risco, explica Alexandre Coutinho, diretor de crédito do Pátria no Brasil. O corte de juros neste ano deve começar a alterar essa dinâmica. “Incentivado vai continuar tendo um charme, mas ainda assim vamos ver um deslocamento”, afirma.

A saída de papéis mais óbvios tende a estimular um aumento de oferta desses ativos e, por consequência, uma queda de preços. Alguns fundos, segundo Coutinho, devem chegar a entregar retornos abaixo do CDI aos seus cotistas. Por outro lado, a ponta vendedora tende a oferecer spreads maiores para convencer o comprador a levar esses títulos.

“Isso vai impactar os fundos que compram papel de baixíssimo risco e, provavelmente, os fundos de infraestrutura”, afirma Coutinho. Ele também acredita que a bolsa vai tirar capital da renda fixa neste ano, e isso deve refletir na remuneração dos fundos de crédito.

Com a possibilidade do fim da isenção dos ativos e a tributação de dividendos em 2026, muitas empresas correram para emitir dívidas. A remuneração acima do CDI, porém, foi ficando cada vez mais achatada. “Comparando com outros ativos, 2026 pode não ser um ano para o crédito privado”, admite Eduardo Alhadeff, sócio e CIO da área de crédito da Ibiuna Investimentos.

“É um ano em que outras classes de ativos, que performaram muito mal nos últimos anos, podem performar bem”, explica.

A tendência, segundo ele, é de spreads ainda menores sobre o CDI, ainda que a Selic fique mais baixa. O número de novas ofertas deve diminuir, já que os emissores anteciparam as operações em 2025. Já a demanda por esses títulos não deve mudar. “Até você ter uma mudança estrutural do Brasil, esse cenário de desbalanceamento, de ter mais demanda do que oferta para ativos de crédito, vai continuar”, afirma Alhadeff.

Correndo por fora estão os Fundos de Direitos Creditórios (FDICs). Uma renda fixa que oferece rentabilidade acima do crédito privado comum e drenou um montante considerável de recursos dos fundos tradicionais no ano passado, com recordes de captação. Ainda é uma opção de investimento para poucos.

Apesar de acessível ao investidor do varejo, é um instrumento lastreado em dívidas de maior risco e tem liquidez reduzida, o que também justifica seus maiores retornos. Para este ano, com a Selic em queda, a expectativa é de que o diferencial de rentabilidade seja menor, em relação ao período de spreads mais comprimidos do crédito privado usual.

“Mas a demanda segue presente quando há prêmio suficiente para compensar”, afirma Sami Karlik, head de crédito high grade da Tivio Capital. “A atratividade dos FIDCs deve permanecer, desde que os ativos sejam precificados de forma adequada ao seu risco e à sua menor liquidez relativa”, conclui.

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