Costume Art: a exposição por trás do Met Gala 2026
Faltam poucos dias para o Met Gala 2026, um dos eventos mais tradicionais do calendário da moda internacional. O baile é a principal ação de arrecadação de fundos do Costume Institute, departamento de moda do Metropolitan Museum of Art, em Nova York, e acontece sempre na primeira segunda-feira de maio — neste ano, no dia 4. Em 2025, o jantar registrou a maior arrecadação dos 77 anos do evento, cerca de US$ 31 milhões.
Boa parte da atenção pública se concentra nos looks das celebridades na escadaria do museu. Em 2026, o dress code é "Fashion is Art" ("Moda é Arte, em tradução livre), e a recomendação é que os convidados apareçam com peças que possam ser lidas como obras de arte, que tragam representações artísticas ou que tenham sido feitas em colaboração entre estilista e artista.
Outro fator que alimenta o interesse pelo Met Gala é o sigilo. O jantar acontece a portas fechadas, celulares são proibidos no salão — exceção feita às famosas selfies de banheiro que vazam a cada edição — e nem mesmo a lista oficial de convidados é divulgada antes da noite.
O que muitos espectadores do tapete vermelho não sabem é que o Met Gala existe, antes de tudo, para inaugurar a exposição de primavera do Costume Institute. A mostra de 2026 se chama "Costume Art", e tem como curador Andrew Bolton. A exposição deste ano também marca a estreia das novas galerias Condé Nast, com mais de mil metros quadrados, instaladas em uma ala adjacente ao Great Hall, o salão de entrada do museu.
Até agora, o Costume Institute ocupava um lugar secundário dentro do museu, e a estreia das galerias Condé Nast coloca a área em uma posição inédita de destaque. "É um grande momento para o Costume Institute. Será uma transformação para o nosso departamento, mas também acho que será transformador para a moda em geral — o fato de que um museu de arte como Met está cedendo um espaço central à moda", disse Bolton, em entrevista à Vogue americana.
A exposição
A exposição reúne objetos de toda a coleção permanente do museu, que mantém cerca de 1,5 milhão de itens distribuídos por 17 departamentos, e os cruza com peças de vestuário históricas e contemporâneas do próprio Costume Institute. O recorte cobre cerca de cinco mil anos de história da arte.
Bolton diz que o projeto se guiou pela "centralidade do corpo vestido". As obras estão organizadas em torno de "tipos de corpo" temáticos, divididos em três grandes categorias: os corpos onipresentes na arte ocidental, como o clássico e o nu; os que costumam ser negligenciados, como o envelhecido e o grávido; e os mais universais, como o anatômico. Outros recortes incluem o corpo abstrato, o corpo recuperado e o corpo mortal.
Quando o tema foi anunciado, em novembro, o curador descreveu o projeto em entrevista à Vogue americana como "uma celebração do corpo em todas as suas forças e fraquezas, suas perfeições, suas imperfeições e, acima de tudo, sua gloriosa e milagrosa diversidade".
Por trás da curadoria, Bolton seguiu a tese de que a moda demorou a ser aceita como arte porque está colada ao corpo, e essa aceitação acabou se dando nos termos da arte tradicional, que "se baseia na negação, na renúncia do corpo". A proposta da exposição é insistir "na conexão indissociável entre nossos corpos e as roupas que vestimos".
Os manequins, criados pela artista Samar Hejazi, têm cabeças espelhadas, de modo que o visitante se veja refletido na peça, "para facilitar a empatia e a compaixão", diz Bolton.
Entre as peças confirmadas estão criações de Rei Kawakubo para a Comme des Garçons, Walter Van Beirendonck, Mariano Fortuny, Charles James, Riccardo Tisci para a Givenchy, Georgina Godley e a brasileira Renata Buzzo, com a coleção Anatomia do Corset, de primavera/verão de 2025.
Entre as obras de arte estão a gravura Adão e Eva, de Albrecht Dürer, de 1504, e uma estatueta grega de terracota da deusa Nike, do final do século 5 a.C.
“Anatomia do Corset”, Renata Buzzo (brasileira, nascida em 1986), primavera/verão 2025; Cortesia de Renata Buzzo (Reprodução/Anna-Marie Kellen/The Metropolitan Museum of Art)
Costume Art é a primeira exposição assinada por Bolton sem subtítulo. Até duas semanas antes do anúncio oficial, o nome ainda trazia dois pontos e um complemento. O objetivo, segundo o curador, "não é criar uma nova hierarquia, mas dissolver essa hierarquia e focar na equivalência — equivalência das obras de arte e equivalência dos corpos".
Met Gala 2026
A exposição é viabilizada pelo casal Jeff Bezos e Lauren Sánchez Bezos, com aporte adicional da Saint Laurent e da Condé Nast. Os Bezos também assinam o principal patrocínio do Met Gala e atuarão como anfitriões honorários da noite. A escolha foi alvo de críticas antes do evento, segundo a Wallpaper.
O tapete vermelho do Met Gala começa às 19h de Brasília do dia 4 de maio e tem transmissão ao vivo no site da Vogue americana e nos canais oficiais da revista nas redes sociais.
A exposição Costume Art abre ao público em 10 de maio de 2026, e fica em cartaz até 10 de janeiro de 2027 nas novas galerias Condé Nast do Metropolitan Museum of Art, em Nova York. A visitação está incluída no ingresso regular do museu.
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