Criadora de conteúdo para Gen Z no YouTube adquire estúdio de vídeo que faz 'publi' em escala
A Final Level, empresa de tecnologia para criação de conteúdo em escala, acaba de anunciar a aquisição da Instanteaser, estúdio focado em produção de anúncios em vídeo em escala com tecnologia.
As operações das empresas foram integradas, assim como equipe e carteira de clientes.
“A criatividade virou um gargalo de escala no marketing digital”, diz Fernanda Lobão, CEO da Final Level. “Faltava olhar para a jornada inteira e conseguir produzir criativos que performam, principalmente no final do funil.”
A ambição agora é usar tecnologia para produzir mais conteúdo em menos tempo e acompanhar o consumidor em todas as etapas, desde o primeiro contato com a marca até o momento da compra.
Com a aquisição, o faturamento deve dobrar em 2026.
A fadiga criativa vira problema central
O gatilho para a aquisição da Instanteaser veio de uma dor específica: a chamada fadiga criativa. A leitura da empresa é que o mercado avançou em influência e conteúdo, mas ainda enfrenta dificuldades na etapa de conversão.
A Instanteaser entra exatamente nesse ponto. A empresa é especializada em produção de vídeo ads — anúncios em vídeo — com foco em escala e performance, além de ter relação próxima com plataformas como Meta, TikTok e YouTube.
A aproximação entre as empresas começou como parceria em 2024 e evoluiu ao longo de 2025. De 2024 para 2025, a empresa multiplicou por cinco seu faturamento, período em que começou a estruturar a frente de tecnologia e a parceria entre as empresas.
As operações foram integradas antes da conclusão formal. Times, clientes e tecnologia já operam juntos. “Uma parceria pode se desfazer. A gente partiu para o casamento”, diz Fernanda.
A aquisição incluiu tecnologia, contratos e equipe. Ao todo, 18 profissionais foram incorporados, incluindo os fundadores, que assumem posições de liderança. Doug Clayton, fundador da Instanteaser, virou CPO da Final Level.
“Nosso papel em construir tecnologia sempre buscou resolver um problema muito específico, que é produzir criativos que performam. Dentro da Final Level, essa capacidade ganha escala, distribuição e uma camada mais robusta de dados”, afirma Clayton.
Em vez de duas plataformas evoluindo separadamente, a empresa passa a concentrar recursos em uma só, com desenvolvimento mais rápido e integração direta com novas tecnologias e IA.
“A proposta de valor ficou muito clara. A gente consegue integrar criatividade e mídia de forma mais eficiente”, afirma Fernanda.
A frente de tecnologia virou peça central no negócio. Segundo a empresa, essa vertical já movimenta cerca de R$ 20 milhões por ano.
De casa gamer a plataforma de marketing
A Final Level nasceu, em 2018, com um produto específico: conteúdo proprietário no YouTube voltado ao público gamer. O modelo ganhou escala com uma casa de influenciadores e audiência recorrente.
O formato funcionou até 2021, quando começou a dar sinais de desgaste. Produzir histórias inéditas todos os dias virou um limite operacional — e criativo.
A empresa então muda de direção. Abandona o conteúdo próprio como foco e passa a oferecer sua capacidade de criação para marcas. Amplia atuação para além de games e mira a geração Z.
A virada veio acompanhada de escala. A empresa saiu de um canal para uma rede com dezenas de canais e saltou de cerca de 30 milhões para 1 bilhão de visualizações mensais, segundo a executiva.
Com a nova estrutura, a Final Level amplia seu mercado. Sai de um foco em games e cultura jovem para atender diferentes setores. O desafio agora é outro: mudar a percepção de mercado.
“A gente incubou um negócio de tecnologia em 2023 que já ganhou escala e agora se consolida com essa aquisição”, afirma Lobão.
O plano é usar esse novo posicionamento para disputar um espaço maior no orçamento de marketing das empresas.
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