Crise ou transição? Resultados acendem alerta nas montadoras europeias

Por Ana Luiza Serrão 30 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Crise ou transição? Resultados acendem alerta nas montadoras europeias

A semana tem mostrado que a indústria automotiva europeia não vive só uma fase ruim, mas está no meio de uma virada que pode mexer na dinâmica do setor nos próximos anos. A Volkswagen divulgou nesta quinta-feira, 30, um lucro operacional de 2,5 bilhões de euros no primeiro trimestre, queda anual de 14,3% e abaixo dos quase quatro bilhões esperados pelo mercado.

Já a receita somou 75,6 bilhões de euros, recuo de 2,5% na comparação ano a ano. As ações da empresa (VOW) chegaram a cair 1,78% após o balanço e acumulam perdas de 16,64% no ano.

"Guerras, tensões geopolíticas, barreiras comerciais, regulações mais rígidas e competição intensa estão criando ventos contrários", segundo o CEO Oliver Blume, em fala divulgada pela CNBC.

A Stellantis, por outro lado, até superou previsões, com um lucro operacional ajustado de 960 milhões de euros, quase o triplo de um ano antes e acima do consenso, mas isso não foi suficiente para sustentar os papéis.

O recuo de 4,37% na ação STLAM, em Milão, deixou a cotação em 6,34 euros. No ano, a queda é de 34,60%.

"Os primeiros três meses de 2026 refletem os resultados iniciais das nossas ações para retornar a Stellantis a um crescimento sustentável e lucrativo", afirmou o CEO Antonio Filosa em comunicado divulgado pelo Business Insider.

A receita subiu 6%, para 38,1 bilhões de euros, e houve lucro líquido de 377 milhões de euros, revertendo prejuízo do ano anterior. Ainda assim, a leitura do mercado foi cautelosa e até desconfiada.

O analista Harald Hendrikse, do Citi, classificou o resultado como "muito bagunçados" e levantou dúvidas sobre a sustentabilidade dos ganhos, conforme dados divulgados pela CNBC. "Esperamos um debate significativo sobre a qualidade dos resultados, com pouca variação nas estimativas de consenso", acrescentou.

China no centro da pressão

No maior mercado automotivo do mundo, a China, as marcas locais ganharam espaço rapidamente, com mais tecnologia, ciclos de desenvolvimento mais curtos e preços mais competitivos, segundo analistas.

Executivos do setor já admitem que a antiga liderança europeia não serve mais como referência. "A competição no mercado chinês é a mais intensa do mundo", afirmou a presidente da associação automotiva alemã, Hildegard Mueller.

Dados mostram avanço consistente das fabricantes chinesas e queda nas vendas de grupos estrangeiros. Mercedes-Benz e BMW, por exemplo, já sinalizaram expectativas mais modestas para o país, algo impensável até poucos anos.

Corrida por novos modelos

A Mercedes-Benz planeja mais de 15 modelos até o fim de 2026, e a BMW prepara cerca de 20 novidades, enquanto a Volkswagen aprofunda a adaptação de seus veículos ao mercado local, tentando recuperar competitividade.

Empresas como BYD, Xiaomi e XPeng apostam em carros cada vez mais conectados, enquanto Geely e NIO avançam no segmento premium com mais tecnologia e preços menores, pressionando o núcleo de rentabilidade das europeias.

Isso passaria pela redução de custos sem comprometer o produto, cortar despesas indiretas, aumentar a eficiência das fábricas, acelerar decisões e cortar milhares de empregos, indicou.

Analistas do Citi, reportados pela CNBC, avaliam que as decisões são necessárias, mas vêm acompanhadas de riscos.

*Com informações de André Lopes

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