Criticar gastos com nova sede do Santander é 'falta de assunto', diz CEO

Por Clara Assunção 29 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Criticar gastos com nova sede do Santander é 'falta de assunto', diz CEO

O CEO do Santander Brasil, Mario Leão, minimizou as críticas feitas por analistas sobre o momento escolhido pelo banco para investir em uma nova sede corporativa em São Paulo.

Durante coletiva de imprensa sobre os resultados do primeiro trimestre de 2026, nesta quarta-feira, 29, o executivo classificou os questionamentos como "falta de assunto" e defendeu que o movimento não representa aumento de gastos, mas sim uma reorganização estratégica dos ativos imobiliários da instituição.

"Anunciar uma sede nova não quer dizer que a gente está gastando mais", afirmou Leão. Segundo ele, parte das críticas decorre de uma leitura incompleta do projeto. "As pessoas podem ter olhado um pedaço do mosaico e falado: ‘parece que está pagando dinheiro'", disse.

O banco anunciou em fevereiro a mudança de sua sede para o chamado Campus JK, empreendimento em construção na Avenida Juscelino Kubitschek, na zona sul da capital paulista. O complexo ocupará uma quadra inteira no Itaim Bibi e deve ser inaugurado no segundo semestre de 2028, com três torres interligadas e proposta de funcionamento em formato de campus corporativo.

Leão reconheceu que o investimento é elevado, mas ponderou que a análise deve considerar o conjunto da estratégia imobiliária do banco. “"Claro que é alto. É um empreendimento espetacular, super moderno. Mas será que estou investindo mais naquela sede, considerando o que entra e o que sai no imobiliário?", declarou.

Sem confirmar a venda da atual sede, localizada na avenida Juscelino Kubitschek, o CEO afirmou que qualquer movimentação será comunicada ao mercado no momento adequado. Leão indicou, no entanto, que a mudança faz parte de um redesenho mais amplo da ocupação física do banco, que envolve também outras unidades.

"O rearranjo do nosso parque físico envolve outras sedes e faz parte de uma visão de redução de gastos, não de aumento", disse. Segundo o CEO, embora haja imobilização relevante de capital na nova estrutura, a tendência é de diminuição das despesas recorrentes ao longo do tempo.

Leão também destacou ganhos operacionais e organizacionais que, segundo ele, não aparecem diretamente no resultado financeiro. A nova sede foi desenhada com lajes amplas, integração entre áreas e possibilidade de adaptação dos espaços, inclusive com potencial de sublocação ou venda de partes do empreendimento no futuro.

"Eu quero uma sede mais horizontal, com integração entre equipes. Isso faz uma diferença enorme na organização", afirmou. "A agenda da nova sede é positiva. Certamente terá impacto positivo, não negativo", concluiu.

Preço do ativo total seria R$ 1,7 bilhão

O projeto do Campus JK prevê cerca de 58 mil metros quadrados de área locável. Considerando valores médios de mercado para escritórios de alto padrão na região, estimados em cerca de R$ 30 mil por metro quadrado, o ativo poderia alcançar aproximadamente R$ 1,7 bilhão.

Inicialmente, o banco estudava alugar um novo espaço, mas optou pela aquisição, movimento considerado pouco usual no mercado corporativo.

A mudança mantém o Santander no eixo Faria Lima–JK, principal corredor financeiro da cidade, e está alinhada à estratégia global do grupo para modernização de seus ambientes corporativos, com foco em eficiência, sustentabilidade e flexibilidade.

Santander vive, no entanto, momento de recuperação

O Santander Brasil encerrou, porém, o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido gerencial de R$ 3,788 bilhões, queda de 1,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior e de 7,3% em relação ao quarto trimestre de 2025.

A rentabilidade medida pelo ROAE — retorno sobre o patrimônio líquido médio — recuou para 16%, com perdas de 1,5 ponto percentual no ano e de 1,6 ponto percentual no trimestre.

O banco atribui o desempenho a um "cenário macroeconômico desafiador", expressão que aparece repetidamente no relatório para justificar a pressão sobre provisões e inadimplência. Juros elevados e alto endividamento das famílias brasileiras são os principais vetores citados pela instituição.

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