CrowdStrike: como empresa do apagão de TI chegou a novos recordes na bolsa

Por Da Redação 16 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
CrowdStrike: como empresa do apagão de TI chegou a novos recordes na bolsa

CrowdStrike atingiu uma nova máxima histórica na Bolsa, com suas ações chegando a US$ 566,91, em um movimento que simboliza a recuperação da empresa após a crise global causada por uma falha em seu software em julho de 2024.

Os papéis acumulam alta de quase 17% na última semana e avançam cerca de 29% em 12 meses, refletindo a retomada da confiança dos investidores e a forte demanda global por soluções de cibersegurança. A companhia também registrou crescimento de quase 22% na receita, reforçando o ritmo de expansão do negócio.

A valorização ocorre quase dois anos após a CrowdStrike enfrentar um dos episódios mais graves da história recente da tecnologia. Em julho de 2024, uma atualização defeituosa do software Falcon provocou panes em cerca de 8,5 milhões de dispositivos Windows ao redor do mundo, afetando operações aéreas, hospitais, bancos e transmissões de TV.

O impacto foi tão amplo que o então presidente do Comitê de Segurança Interna dos Estados Unidos classificou o episódio como “o maior apagão de TI da história”. Na época, as ações da companhia chegaram a cair mais de 30%, eliminando cerca de US$ 30 bilhões em valor de mercado.

Apesar da crise, a empresa conseguiu recuperar rapidamente parte da credibilidade junto aos clientes e investidores. O CEO George Kurtz afirmou que a companhia transformou o episódio em uma “vantagem competitiva”, apostando em medidas de compensação e reforço no relacionamento com clientes.

No trimestre encerrado em setembro de 2024, a CrowdStrike reportou receita de US$ 1 bilhão, crescimento de 29% em relação ao mesmo período de 2023. A taxa de retenção de clientes permaneceu em 97%, indicando manutenção da base mesmo após a falha global.

A companhia também ampliou o programa Falcon Flex, modelo de assinatura flexível da plataforma Falcon. O volume total de contratos do programa quase dobrou no trimestre, atingindo US$ 1,3 bilhão. Parte desse avanço veio dos chamados “pacotes de compromisso com o cliente”, que incluíram extensões gratuitas de assinaturas e novos recursos oferecidos sem custo adicional. Segundo a empresa, os incentivos somaram US$ 60 milhões.

Além da recuperação operacional, a CrowdStrike continuou expandindo sua atuação em inteligência artificial e serviços de proteção digital. A empresa lançou o aplicativo Jet, voltado para simplificar processos de vendas e registro de negócios entre parceiros, e ampliou o Projeto QuiltWorks com a entrada de novas empresas como Infosys e Cognizant. A iniciativa utiliza modelos de IA da OpenAI e da Anthropic para identificar vulnerabilidades e acelerar correções de segurança.

A empresa também lançou o Falcon OverWatch for Defender, serviço gerenciado de monitoramento contínuo de ameaças voltado para usuários do Microsoft Defender.

Apesar da recuperação financeira e da valorização das ações, a CrowdStrike ainda enfrenta consequências da crise de 2024. A Delta Air Lines estima perdas de US$ 500 milhões decorrentes da paralisação causada pela falha e entrou com processo contra a companhia, acusando a CrowdStrike de “cortar custos e comprometer testes essenciais”.

A empresa rebate as acusações e afirma que sua responsabilidade é limitada. Ainda assim, analistas apontam que os desdobramentos jurídicos e o impacto sobre futuras renovações contratuais seguirão como pontos de atenção para investidores nos próximos trimestres.

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