Cuba diz que mantém conversas com EUA após ameaças de Donald Trump
Durante as últimas semanas, os olhos presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se voltaram a Cuba. O republicano declarou na sexta-feira passada, 6, que o governo de Cuba deverá cair "muito em breve" e reiterou que Havana demonstra "muitíssima vontade" de negociar com Washington.
Após uma semana de tensão, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou nesta sexta-feira, 13, que "funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas" com representantes dos EUA.
"As conversas foram orientadas a buscar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais que temos entre as duas nações", acrescentou o presidente em uma reunião com as principais autoridades do país, segundo imagens exibidas pela televisão cubana.
Díaz-Canel, que também é primeiro secretário do PCC, destacou que essas conversas são facilitadas por "fatores internacionais" que não especificou.
Um 'processo muito delicado' de retomada do diálogo
Segundo imagens da televisão, entre os líderes na primeira fila estava Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente Raúl Castro (2006-2018), que foi mencionado pela mídia americana como interlocutor do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no contexto de conversas secretas.
As declarações de Díaz-Canel confirmam o que Trump já havia afirmado em meados de janeiro, quando indicou que seu governo estava mantendo conversas com autoridades de alto escalão na ilha.
As conversas com os Estados Unidos visam "antes de tudo identificar os problemas bilaterais que exigem soluções, dada a sua gravidade" e "encontrar soluções", disse Díaz-Canel.
Ele enfatizou que este é um "processo muito delicado" que "exige esforços enormes e árduos para encontrar um terreno comum que nos permita avançar e nos afastar do confronto".
Trump mira Cuba após ofensivas no Oriente Médio
Donald Trump não esconde o seu desejo de uma mudança de regime em Cuba, governada pelo Partido Comunista (PCC, único) e localizada a apenas 150 km dos Estados Unidos. Segundo Washington, o país representa uma "ameaça excepcional", principalmente por suas estreitas relações com a Rússia, a China e o Irã.
Em conversa com a emissora americana CNN na sexta-feira passada sobre a operação militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã, Trump afirmou que o regime cubano poderia se tornar o próximo alvo após a campanha que classificou como "bem-sucedida" no Oriente Médio.
"Cuba vai cair muito em breve, aliás, sem relação alguma, mas Cuba também vai cair. Eles têm muitíssima vontade de chegar a um acordo", disse Trump à emissora.
Segundo o presidente americano, os cubanos "querem chegar a um acordo". Para conduzir eventuais negociações, Trump afirmou ter designado o secretário de Estado, Marco Rubio, de origem cubano-americana.
"Veremos como sai. Agora mesmo estamos muito focados nisto (Irã)", acrescentou. "Temos tempo de sobra, mas Cuba está pronta, depois de 50 anos. Passo 50 anos observando-a", comentou.
Previamente, o republicano já havia afirmado que Havana está "desesperada" para fechar um acordo com seu governo e disse que seria "apenas uma questão de tempo" até que os Estados Unidos voltassem sua atenção ao país caribenho, sugerindo que a operação militar contra o Irã acabou desviando momentaneamente o foco da Casa Branca.
Em entrevista ao portal Politico, Trump afirmou na semana passada que a eventual queda do governo cubano seria "a cereja do bolo" após a operação realizada em janeiro na qual os Estados Unidos capturaram o então presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado próximo de Havana.
Libertação de 51 presos políticos em acordo com o Vaticano
Na noite desta quinta-feira, 5, Havana anunciou a libertação em breve de 51 prisioneiros sob os auspícios do Vaticano, o histórico mediador entre Cuba e Estados Unidos.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba afirmou que as pessoas beneficiadas já cumpriram parte significativa da pena e mantiveram bom comportamento no sistema prisional.
Segundo a chancelaria, os detentos deixam os centros penitenciários por meio de um benefício legal, o que significa que a pena não é extinta, permanecendo condicionada ao cumprimento de requisitos durante o restante da condenação.
O governo cubano afirmou que a decisão foi tomada no espírito de boa vontade e das relações históricas entre o Estado cubano e o Vaticano.
Com informações da AFP
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