Do Minha Casa Minha Vida ao luxo: ele construiu um império imobiliário de R$ 3 bi no Nordeste
Foi observando um detalhe no canteiro de obras que o empresário paraibano André Penazzi Guedes Pereira encontrou uma nova via de crescimento na empresa que comandava.
Ele notou que o processo de construção pouco variava entre os prédios erguidos em bairros mais afastados e aqueles considerados de luxo, localizados perto da orla de João Pessoa. A diferença estava muito mais na localização do que no produto.
Em 2017, Penazzi resolveu apostar que havia espaço para algo diferente no litoral nordestino.
Na época, a construtora GP, que ele comanda ao lado do irmão Germano Guedes Pereira Filho, já era uma das incorporadoras mais ativas da capital paraibana, com forte presença no Minha Casa Minha Vida, programa federal de habitação popular. A empresa havia ganhado escala construindo projetos de grande volume e velocidade de vendas.
A decisão de entrar no alto padrão marcou uma nova fase do negócio. A empresa lançou a Setai, marca criada para desenvolver empreendimentos de luxo com arquitetura autoral e design mais sofisticado — um tipo de produto ainda raro no mercado imobiliário da região.
“O alto padrão no Nordeste se resumia muito à localização. O produto em si não tinha uma diferenciação tão grande”, diz Penazzi. “Quando percebemos que já tínhamos capacidade de construir algo mais sofisticado, decidimos apostar nesse segmento.”
Hoje, quase uma década depois dessa virada, o grupo tem cerca de 3 bilhões de reais em projetos em andamento, além de um landbank — banco de terrenos para futuros empreendimentos — estimado em 6,5 bilhões de reais, concentrado principalmente no litoral de João Pessoa, Recife, Natal e Fortaleza.
Qual é a história de Penazzi
Penazzi cresceu em uma família ligada à construção civil. O sobrenome Guedes Pereira já atuava no setor de engenharia e empreendimentos na Paraíba havia décadas.
Mesmo com essa tradição, o empresário decidiu criar seu próprio caminho ainda cedo. Ele começou a empreender aos 18 anos, quando ingressou no curso de engenharia civil.
“Sempre tive vontade de empreender, mas queria construir algo próprio. Não queria ficar apenas dentro da estrutura familiar”, diz.
O ponto de partida foi o mercado de habitação popular. Naquele momento, o programa Minha Casa Minha Vida começava a ganhar escala nacional e abrir espaço para novas incorporadoras. A estratégia funcionou. Ao longo dos anos, o grupo acumulou mais de 8.000 unidades entregues e cerca de 1 milhão de metros quadrados construídos.
Segundo Penazzi, a experiência no segmento popular acabou ajudando na expansão da empresa para outros nichos.
“O econômico nos ensinou muito sobre escala, logística e eficiência. Isso depois ajudou no desenvolvimento de projetos mais sofisticados”, afirma.
A aposta no alto padrão no litoral nordestino
A decisão de lançar projetos de luxo surgiu a partir de uma observação simples do mercado local. Na visão do empresário, o conceito de alto padrão no Nordeste estava muito mais ligado à localização, especialmente imóveis próximos à praia, do que ao padrão do projeto em si.
“Muitas vezes o prédio estava em uma localização privilegiada, mas o produto era parecido com qualquer outro”, diz.
Foi dessa percepção que nasceu a linha Setai, criada em 2017 para desenvolver empreendimentos com arquitetura assinada, design diferenciado e materiais mais sofisticados.
Desde então, a empresa lançou mais de 20 projetos nessa categoria, com 1.176 unidades já entregues.
A estratégia também passou a atrair um novo perfil de comprador.
Segundo Penazzi, mais da metade dos clientes dos empreendimentos de luxo da empresa vêm de fora da região, principalmente dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e do Sul do país.
“Muita gente começou a olhar para o Nordeste como um lugar para morar, não apenas para passar férias”, diz.
A pandemia e o novo fluxo de moradores para o Nordeste
A pandemia acelerou esse movimento. O avanço do trabalho remoto permitiu que profissionais e famílias repensassem onde viver. O Nordeste passou a aparecer como alternativa para quem busca custo de vida mais baixo e proximidade com o litoral.
“Hoje muita gente consegue trabalhar de qualquer lugar. Quando essas pessoas conhecem o Nordeste e veem a qualidade de vida, muitas decidem mudar”, afirma Penazzi.
O executivo também destaca outro fator econômico: o preço dos imóveis. Segundo ele, compradores de grandes capitais muitas vezes encontram no Nordeste imóveis maiores e mais bem localizados por valores menores do que pagariam em cidades como São Paulo.
Para seguir crescendo, o grupo passou a buscar parcerias com marcas internacionais. O exemplo mais recente é um empreendimento desenvolvido em parceria com a Aston Martin, fabricante britânica de carros de luxo, que também assina projetos imobiliários em diferentes países.
O projeto será o primeiro da marca na América do Sul e será construído em João Pessoa.
Para Penazzi, iniciativas desse tipo ajudam a consolidar a cidade como um novo destino imobiliário de alto padrão no Brasil.
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