Dólar cai para R$ 5,24, mas avança 2,1% na semana com conflito no Irã

Por Clara Assunção 7 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Dólar cai para R$ 5,24, mas avança 2,1% na semana com conflito no Irã

O dólar à vista encerrou a sessão desta sexta-feira, 6, em queda após um dia marcado por forte volatilidade. A moeda americana recuou 0,81%, cotada a R$ 5,244, depois de oscilar entre a máxima de R$ 5,321 e a mínima de R$ 5,239 ao longo do pregão.

Durante o dia, a divisa chegou a mudar de direção diversas vezes. Abriu em alta, passou a cair no início da manhã, voltou a subir ao longo do pregão e só consolidou o movimento de baixa no período da tarde.

Apesar da queda no fechamento, o dólar acumulou valorização de 2,14% na semana. No ano, porém, a moeda ainda registra desvalorização de 4,46% frente ao real — menor do que a queda de 6,46% observada até a última sexta-feira, 27.

O movimento semanal foi influenciado principalmente pelo aumento da aversão ao risco no cenário internacional, provocado pela escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.

A crise teve início no último sábado, 28, quando ataques iniciais mataram o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, além de integrantes da cúpula militar do país. Nesta sexta-feira, o conflito chegou ao sétimo dia e segue no centro das atenções dos mercados globais.

Petróleo dispara

A tensão geopolítica tem impulsionado os preços do petróleo e elevado as preocupações com o impacto sobre a inflação e o crescimento econômico global. Os contratos da commodity voltaram a disparar nesta sexta-feira.

No fechamento, o petróleo Brent, referência global, subiu 8,52%, a US$ 92,69 por barril, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, avançou 12,20%, a US$ 90,90. No acumulado da semana, os ganhos são ainda mais expressivos: 27,78% para o Brent e 35,63% para o WTI.

A escalada tem por trás o fluxo marítimo pelo Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo transportado no mundo. Segundo relatos do mercado, o tráfego de navios petroleiros na região foi praticamente interrompido. Em meio às incertezas, o ministro da Energia do Catar, Saad al-Kaabi, afirmou em entrevista ao Financial Times que o barril de petróleo pode chegar a US$ 150 caso a interrupção no transporte se prolongue.

Para Vinicius Prado, economista-chefe da MA7 Negócios, a disparada do petróleo também ajuda a explicar a volatilidade do câmbio.

"O petróleo mais caro aumenta a percepção de risco global porque pressiona inflação e custos logísticos, especialmente em um cenário de tensão geopolítica". Segundo ele, ao longo da tarde o mercado passou a acomodar parte desse movimento, o que permitiu uma recuperação parcial do real.

"Foi basicamente um ajuste entre cenário externo mais tenso e o diferencial de juros brasileiro. O ambiente global favorece o dólar, mas a Selic elevada ainda atrai fluxo para o país. O resultado foi um pregão volátil, mas com fechamento mais equilibrado", diz.

Payroll fraco aumenta incerteza sobre passos do Fed

Os investidores também repercutiram a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, conhecido como payroll, trouxe uma surpresa negativa para o mercado nesta sexta-feira, 6, e ampliou a aversão ao risco nos ativos globais.

Segundo analistas, os dados mostraram fechamento líquido de vagas em fevereiro, sinalizando enfraquecimento do mercado de trabalho americano e aumentando as incertezas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).

A economia do país fechou 92 mil empregos em fevereiro, de acordo com os dados divulgados pelo Departamento do Trabalho. O resultado veio na contramão das expectativas de analistas, que projetavam a criação de cerca de 50 mil vagas no período.

Lindsay Rosner, do Goldman Sachs, vê o resultado como um alerta para o banco central americano. "Indícios de fragilidade no mercado de trabalho servem de alerta ao Fed de que pode haver um preço a pagar pelo adiamento dos cortes", afirmou. Ainda assim, ela avalia que o curto prazo da política monetária continua sendo influenciado pela geopolítica no Oriente Médio.

Rosner acrescenta que a expectativa é de que o Fed ainda realize dois cortes de juros no processo de normalização da política monetária, embora o momento exato permaneça incerto.

A ferramenta FedWatch, do CME Group, que monitora as expectativas para as decisões do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), indica que mais de 95% dos agentes financeiros apostam na manutenção da taxa de juros na próxima reunião, no intervalo entre 3,50% e 3,75%.

Já André Valério, economista sênior do Inter, avalia que o resultado reforça sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho americano e aumenta a probabilidade de cortes nos juros ao longo do ano. Mas a tarefa do Fed "continua difícil", segundo o especialista.

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