De armas a facções: o que muda com o novo acordo entre Brasil e EUA

Por Da redação, com agências 11 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
De armas a facções: o que muda com o novo acordo entre Brasil e EUA

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta sexta-feira um acordo de cooperação entre Brasil e Estados Unidos para fortalecer o combate ao crime organizado transnacional.

A iniciativa reúne a Receita Federal e a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (U.S. Customs and Border Protection) e marca um novo passo na agenda de cooperação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

O tema ocorre num contexto em que segurança pública e crime organizado devem ocupar papel central no debate eleitoral de outubro.

A parceria, chamada Projeto MIT (Mutual Interdiction Team, ou “equipe de interdição mútua”), prevê compartilhamento de informações de inteligência e operações conjuntas para interceptar cargas ilegais — especialmente armas e drogas — que circulam entre os dois países.

O foco é ampliar a capacidade de investigação e reduzir a entrada de materiais ilícitos em território brasileiro.

PCC e CV como terroristas

O anúncio acontece em meio à pressão dos Estados Unidos para enquadrar facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas — hipótese vista com preocupação pelo governo brasileiro.

Na avaliação de integrantes da diplomacia brasileira, segundo apuração do jornal O Globo, a medida poderia abrir espaço para ações diretas em território nacional, o que levantaria questões sobre soberania.

No campo político, o tema passou a alimentar o debate eleitoral, com a oposição acusando o PT de complacência com o crime organizado.

Entenda mais:

“Recebi representantes do governo dos Estados Unidos para uma informação, um reporte para mim, que foi dado tanto pela Receita Federal e a Polícia Federal, quanto pelas autoridades norte-americanas, autoridades da Embaixada dos Estados Unidos e autoridades da alfândega norte-americana. Hoje marca o primeiro passo relevante depois da conversa do presidente Lula com o presidente Trump no sentido de avançar na cooperação no combate ao crime organizado entre os nossos dois países”, disse Durigan.

De acordo com o ministro, a cooperação tem duas metas principais: reforçar o combate ao crime organizado e reduzir a circulação de armas no país, além de abrir caminho para novas frentes de colaboração bilateral.

No Brasil, a estratégia será conduzida pela Polícia Federal, com apoio do Ministério da Fazenda por meio de ações de inteligência financeira.

Armas e cargas

Uma das principais medidas é o lançamento do “Programa Desarma”, uma plataforma da Receita Federal voltada ao rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis.

O sistema permite o compartilhamento de dados em tempo real entre os dois países sempre que produtos relacionados a armamentos — como munições, componentes, explosivos e peças — forem identificados em operações aduaneiras.

O programa também registra informações como tipo de material, origem declarada, dados logísticos e números de série, possibilitando o rastreamento da origem dos itens e o mapeamento de redes ilícitas de comércio internacional.

Outra ferramenta anunciada é o “remote targeting”, que possibilita a análise remota de cargas antes de chegarem ao destino final. O mecanismo combina imagens de escaneamento com dados de inteligência, permitindo monitoramento contínuo e intervenções mais precisas em portos, aeroportos e remessas internacionais. A tecnologia deve ampliar a capacidade de resposta das autoridades brasileiras em operações de fiscalização e investigação.

Dados apresentados na sexta-feira mostram a dimensão do desafio.

Nos últimos 12 meses, mais de 1.100 armas ou peças foram apreendidas em cargas vindas dos Estados Unidos, totalizando cerca de meia tonelada. Só no primeiro trimestre deste ano, mais de 1,5 tonelada de drogas de origem americana foi interceptada, incluindo drogas sintéticas e haxixe.

Segundo a Receita Federal, o compartilhamento de informações já ajudou a identificar métodos sofisticados de ocultação, como partes de fuzis escondidas em equipamentos de airsoft e drogas camufladas em produtos comuns enviados por remessas postais.

Com O Globo

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