De comida a vacina: iFood aposta na Beep para ampliar o cardápio do app
O iFood passou a oferecer, dentro do próprio aplicativo, o agendamento de vacinas em casa em parceria com a Beep Saúde. A novidade já está disponível para usuários de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Pelo app, o cliente escolhe a vacina, agenda o horário e faz o pagamento. A aplicação é realizada pela equipe da Beep na casa do paciente. A vacina contra a dengue inaugura a parceria, e outras vacinas do calendário nacional também estarão disponíveis.
“Esta parceria reflete nossa visão de tornar o iFood uma plataforma completa no ecossistema de saúde e bem-estar, levando conveniência e praticidade que vão além da entrega de medicamentos. Queremos facilitar o cuidado com a saúde dos nossos consumidores, entregando uma jornada simples e com serviços à domicílio”, afirma Victor Blumenthal, diretor de Farmácia e Perfumaria do iFood.
A entrada de vacinação domiciliar dentro do app acontece num momento de concorrência mais forte no mercado de delivery no Brasil.
O iFood lidera o setor, mas enfrenta investimentos de empresas como 99 e Keeta na entrega de comida. Ampliar serviços dentro da mesma plataforma é uma forma de reforçar o uso do aplicativo para além das refeições.
Para a Beep, a parceria abre um novo canal de distribuição.
“O iFood tem mais de 60 milhões de usuários anuais. É um tráfego muito grande”, afirma Vander Corteze, fundador e CEO da Beep Saúde. “Se a gente converter 0,001% desse tráfego, já impacta nosso faturamento em dois dígitos.”
De clínica a operação “metade saúde, metade logística”
“A Beep é metade saúde, metade logística”, afirma Corteze. Segundo ele, essa visão surgiu após uma mentoria com Diego Barreto, hoje CEO do iFood.
“Eu achava que estava montando uma clínica. Ele me fez enxergar que eu estava montando uma operação logística.”
A empresa opera a partir de hubs logísticos, bases fechadas de onde as equipes saem para os atendimentos, em vez de clínicas abertas ao público. O modelo foi inspirado nas dark kitchens, cozinhas fechadas voltadas apenas para delivery.
Hoje, a Beep realiza cerca de 60.000 atendimentos por mês. As vacinas e os exames laboratoriais dividem quase meio a meio esse volume.
A terceira frente é a aplicação de medicamentos injetáveis para doenças crônicas, como doença de Crohn. “Essa categoria é um direcionador de crescimento importante para a companhia”, afirma Corteze.
Para manter o padrão de atendimento, a empresa optou por equipe própria. São mais de 1.200 colaboradores contratados via CLT, sendo quase 1.000 na rua.
“A gente entendeu que não dava para fazer procedimento delicado com freelancer. Puncionar veia, vacinar recém-nascido, isso exige time próprio”, afirma.
O NPS, indicador de satisfação do cliente, está historicamente acima de 90. “Em saúde, confiança é tudo”, afirma.
Do crescimento com caixa queimado ao lucro
A empresa completou 10 anos e passou por fases diferentes. Até 2022, cresceu com forte investimento e queima de caixa. “Era um período de capital barato”, afirma Corteze.
Entre 2022 e 2024, a Beep fez ajustes na operação. “A gente reduziu estrutura, reorganizou a casa e continuou crescendo receita”, afirma. No fim de 2024, atingiu o break-even.
“Hoje a gente cresce entre 35% e 40% ao ano já gerando lucro”, afirma.
A Beep atua no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal, com presença em cerca de 100 cidades e mais de 2,5 milhões de atendimentos acumulados desde a fundação.
Foco na vacinação de adultos
A parceria com o iFood começa pela categoria de vacinas. Segundo Corteze, a empresa já é líder em vacinação infantil no país, mas vê espaço para avançar no público adulto.
“O Brasil tem calendário infantil muito forte, mas ainda é atrasado em vacinação de adulto quando comparado com outros mercados”, afirma. Ele cita vacinas como dengue, gripe, herpes-zóster e HPV como foco da nova etapa.
Para ele, estar dentro do iFood ajuda a reduzir a barreira de experimentação. “Saúde é um setor conservador. As pessoas demoram para testar uma marca nova. Estar dentro de um app que elas usam todo dia ajuda a quebrar essa barreira”, afirma.
A expectativa é que o novo canal aumente o volume e também o reconhecimento da marca. “Além de venda, tem a questão de awareness. Muita gente ainda não conhece a Beep”, afirma.
Próximos passos
Ao mesmo tempo, a Beep pretende seguir expandindo as três frentes de serviço e ampliar presença geográfica.
“A gente quer continuar crescendo com rentabilidade, mantendo padrão de atendimento”, afirma Corteze.
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