De diretor no Whatsapp a substituto de Haddad: quem é Dario Durigan, novo ministro da Fazenda
O secretário-executivo Dario Durigan assumirá o comando do Ministério da Fazenda até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após a saída de Fernando Haddad para disputar o governo de São Paulo.
A mudança ocorreu nesta quinta-feira, 19, último dia de Haddad à frente da pasta. O próprio ministro confirmou a transição durante evento em São Paulo, no qual Lula apresentou Durigan como sucessor.
"Queria cumprimentar o companheiro Dario Durigan. Dario, levanta aí, levanta para as pessoas conhecerem o Dario. [Ele] será o substituto do Haddad no Ministério da Fazenda a partir do anúncio do Haddad. Olha bem para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas", afirmou o presidente.
Na trajetória recente, participou da formulação de medidas de recomposição de receitas, com foco em aumento de arrecadação, e da articulação da reforma tributária sobre o consumo. Também atuou na renegociação das dívidas dos estados.
Da diretoria do Whatsapp ao governo federal
Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), instituição em que Fernando Haddad também se graduou, Durigan possui ainda mestrado em Direito e Pesquisa Jurídica pela Universidade de Brasília.
Durante a graduação, realizou estágio no escritório Pinheiro Neto Advogados e no Ministério Público Federal. Entre 2011 e 2015, no período do governo da presidente Dilma Rousseff, atuou como assessor da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência.
Na sequência da carreira, exerceu a função de advogado sênior na Consultoria Jurídica da União em São Paulo até 2020. No mesmo ano, passou a integrar o WhatsApp.
De janeiro de 2020 a maio de 2023, foi chefe de políticas públicas no WhatsApp Brasil, até ser convidado por Haddad para assumir a Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda, substituindo Gabriel Galípolo, indicado para a diretoria do Banco Central.
Antes de assumir função no governo federal, já havia trabalhado com Haddad entre 2015 e 2016, quando ocupou o cargo de assessor especial na Prefeitura de São Paulo.
Desafios de Durigan no Ministério da Fazenda
Dário Durigan: secretário-executivo do Ministério da Fazenda assume a liderança da pasta no governo Lula (Washington Costa/MF/Divulgação)
À frente do Ministério da Fazenda, Durigan será responsável pela condução da política econômica durante o período eleitoral e pela execução do arcabouço fiscal aprovado em 2023.
Entre os temas previstos está a regulamentação da reforma tributária, com implementação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), a partir de 2027. Em 2026, o governo deve publicar normas operacionais para a fase de transição.
Outro ponto em discussão é o imposto seletivo, conhecido como “imposto do pecado”, que incide sobre produtos com impacto social, como bebidas alcoólicas e cigarros.
Pelas regras, o resultado será considerado cumprido em uma faixa que vai de saldo zero a superávit de R$ 68,6 bilhões. O modelo também permite a exclusão de até R$ 57,8 bilhões em despesas do cálculo, incluindo precatórios.
A projeção indica possibilidade de déficit de R$ 23,3 bilhões nas contas públicas em 2026, mesmo com cumprimento formal da meta.
O novo ministro também deverá lidar com o cenário internacional, marcado pela alta do petróleo em decorrência da guerra no Oriente Médio. A cotação do barril superou US$ 100, ante cerca de US$ 72 antes do conflito, com impacto direto sobre inflação e juros.
O Ministério da Fazenda já anunciou medidas para mitigar efeitos, incluindo redução de impostos e subsídios ao diesel.
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