De 'fábrica' a 'mercado': 4 pontos em que a China quer avançar até 2030
Nos próximos cinco anos, a China quer aumentar os gastos sociais, investir mais em inovação e tecnologias de ponta e abrir ainda mais sua economia a outros países.
Estas diretrizes foram apresentadas no 15º Plano Quinquenal, documento de 70 mil caracteres chineses que aponta quais serão as prioridades do país até 2030. O texto foi fechado no encontro chamado de Duas Sessões, concluído no dia 12 de março. Ele traz 20 indicadores principais e 16 metas que o país deve buscar.
"No futuro, a China não será apenas a 'fábrica' do mundo, mas também o 'mercado' do mundo, continuando a oferecer oportunidades ao mundo com seu novo desenvolvimento", disse Yu Peng, cônsul-geral da China em São Paulo, em uma conversa com jornalistas para detalhar o plano.
"As economias da China e do Basil são altamente complementares, e o potencial de cooperação é imenso. Estamos dispostos a aprofundar ainda mais a confiança mútua, inovar na cooperação, ampliar os intercâmbios e injetar mais energia positiva no desenvolvimento de ambos os países", afirmou.
A China é um país sob um sistema de inspiração comunista, de modo que o Estado busca centralizar o planejamento da economia e tenta direcionar seus rumos de forma mais intensa. O governo chinês possui estatais em muitos setores, o que facilita este controle.
O país, no entanto, tem um modelo de "socialismo com características chinesas", que permite a atuação de empresas privadas e estrangeiras e a competição de mercado em diversos setores, mas sob regras estritas.
Veja a seguir os quatro tópicos principais do plano:
Foco em "melhorar a vida do povo"
Entre os 20 indicadores principais do plano, 7 estão relacionados a temas sociais, como melhorias em emprego, renda, educação e saúde.
"Este ano, as despesas do Orçamento Público nacional atingirão 30 milhões de yuans, com gastos em educação, seguridade social e emprego ultrapassando 4,5 milhões de yuans cada. As pensões básicas para residentes urbanos e rurais, e os subsídios ao seguro médico, continuarão a aumentar", diz Yu.
O país pretende, ainda, construir mais creches, para que os adultos tenham mais estímulos a terem filhos, e mudanças no sistema de aposentadoria, que cobre 1,4 bilhão de pessoas, de modo a "elevar de forma constante a aposentadoria básica de residentes urbanos e rurais", disse o cônsul.
As medidas incluem, ainda, asfaltar mais estradas em áreas rurais e melhorar os postos de saúde, com o uso de telemedicina.
"A China está transitando para dar igual importância ao investimento em infraestrutura e em capital humano, tomando medidas para que os frutos do desenvolvimento beneficiem todas as pessoas de forma mais ampla", afirma Yu.
Yu Peng, cônsul-geral da China em São Paulo, durante evento em São Paulo (Divulgação)
"Inovação com intensidade"
A China quer avançar em tecnologias de ponta e, para isso, planeja aumentar os investimentos em pesquisa em desenvolvimento em 7% ao ano, em média.
Há ainda o objetivo de que o setor digital atinja 12,5% do PIB.
"Desde o desenvolvimento de variedades de trigo resistentes a doenças para garantir a segurança alimentar, até a definição clara de circuitos integrados, aeroespacial e biomedicina como indústrias pilares emergentes, a China está acelerando a conquista da autossuficiência e do fortalecimento em ciência e tecnologia de ponta", diz Yu.
O país também quer avançar em tecnologia quântica, inteligência artificial incorporada e interfaces cérebro-computador nas indústrias. Outra frente prioritária é a chamada 'economia de baixa altitude', com o uso de drones e 'táxis aéreos'.
Abertura ampla ao exterior
O país defende a busca de mais parcerias comerciais com outros países e a facilitação do fluxo internacional de mercadorias, em direção contrária aos Estados Unidos. O presidente Donald Trump tem adotado tarifas e criado barreiras ao comércio, pois ele diz que o modelo de globalização prejudica seu país.
"A grandeza de um país reside em beneficiar o mundo. A China sempre acredita que o isolamento leva ao atraso, enquanto a cooperação gera benefícios mútuos", diz Yu.
"A China seguirá reduzindo a lista negativa para investimento estrangeiro e ampliando a abertura em setores de serviços como telecomunicações e saúde, permitindo que mais empresas brasileiras e globais encontrem oportunidades", afirma.
Yu afirma que a China rejeita a construção de "pequenos pátios e altos muros" e que o país "continuará a se abrir cada vez mais".
Desenvolvimento pacífico
A China também se comprometeu a não buscar invadir outros países e expandir seus territórios, e a defender o sistema internacional multilateral.
"O rejuvenescimento da nação chinesa não trilhará o velho caminho da busca pela hegemonia e expansão", diz Yu.
O plano quinquenal prevê que a China tenha participação ativa na reforma do sistema de governança global. "A China continuará a defender a visão de que o mundo pertence a todos", afirma o cônsul.
Pequim, no entanto, tem uma visão diferente sobre Taiwan, a quem considera uma província rebelde. Assim, representantes do governo chinês disseram que não abrem mão da opção militar contra a ilha e afirmaram que cabe apenas aos chineses resolver a questão. Hoje, a ilha de Taiwan tem um governo independente e funciona como uma democracia, mas não é reconhecida como país pela maioria dos países.
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