De olho na colonização da Lua, cientistas cultivam grão-de-bico em solo lunar
A ideia de cultivar alimentos no espaço pode parecer coisa de filme de ficção científica. A realidade, porém, já dá sinais de que o conceito não é tão impossível assim.
Cientistas cultivaram grão-de-bico em um material que imita o solo da Lua, produzido a partir de amostras coletadas nas missões Apollo, da NASA.
O experimento foi conduzido em uma câmara de clima controlado na Universidade Texas A&M, nos Estados Unidos. O estudo foi publicado na última quinta-feira, 5, na revista científica Scientific Reports.
As sementes receberam um revestimento com fungos e foram plantadas em uma mistura que combinava o material que simula o solo lunar com uma substância rica em nutrientes produzida pela decomposição de resíduos orgânicos por minhocas.
Os grãos-de-bico cresceram em misturas com até 75% do simulador de solo lunar. À medida que a proporção do material aumentou, o número de grãos aproveitáveis diminuiu, embora o tamanho tenha permanecido estável.
Quando o cultivo foi realizado em 100% do material que simula o solo lunar, as plantas morreram precocemente.
Segundo a pesquisadora Jessica Atkin, da Texas A&M, o grão-de-bico é considerado um candidato relevante para produção de alimentos no espaço por ser rico em proteínas e outros nutrientes essenciais.
A produção local de alimentos é vista como elemento central para a manutenção de astronautas em bases lunares. O envio constante de suprimentos da Terra é limitado pelo custo e pelo peso das cargas transportadas em missões espaciais.
Além da alimentação, plantas poderiam contribuir para a geração de oxigênio e para sistemas de suporte à vida em futuros assentamentos humanos fora da Terra.
O que compõe o solo lunar?
O solo lunar é formado principalmente por rochas trituradas e poeira, resultado de bilhões de anos de impactos de meteoritos. Apesar de conter minerais essenciais, ele é inorgânico e considerado hostil ao crescimento de plantas.
No estudo, os pesquisadores analisaram se a interação entre plantas e microrganismos poderia melhorar a estrutura do material, reduzir o estresse das plantas e facilitar a absorção de nutrientes.
Os fungos usados no revestimento das sementes formaram uma relação de simbiose com as plantas. Eles ajudaram a absorver nutrientes e reduzir a absorção de metais pesados presentes no material.
Sabor ainda não foi testado
Os pesquisadores ainda não sabem qual seria o sabor do grão-de-bico cultivado nesse ambiente. Segundo o estudo, os grãos ainda estão sendo testados para verificar a acumulação de metais. Por isso, eles não foram consumidos.
O material usado no experimento tem altos níveis de ferro e alumínio. O ferro é um nutriente essencial para plantas, enquanto o alumínio pode se tornar tóxico dependendo da concentração.
De acordo com os pesquisadores, novos resultados sobre a segurança e o valor nutricional dos grãos cultivados devem ser publicados em um estudo complementar ainda neste ano.
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