De Trump a Khamenei: quem é quem no conflito entre EUA, Irã e Israel

Por Da redação, com agências 28 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
De Trump a Khamenei: quem é quem no conflito entre EUA, Irã e Israel

Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã neste sábado, 28, após negociações frustradas e em meio à repressão violenta a protestos expressivos no país. No centro do conflito, estão líderes políticos e figuras estratégicas das regiãos. Veja a seguir quem são os principais.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

Irã e Estados Unidos têm relações conflituosas desde a Revolução Islâmica de 1979 e a tomada de reféns na embaixada americana em Teerã.

O presidente americano Donald Trump prometeu ser um "pacificador e unificador", mas, no caso do Irã, tem adotado uma linha-dura. Durante os protestos multitudinários que sacudiram o Irã em janeiro, por exemplo, advertiu que responderia "muito fortemente" se as autoridades "começassem a matar gente, como fizeram no passado".

Em seu primeiro mandato, foi o autor da doutrina de "pressão máxima", destinada a fragilizar o Irã econômica e diplomaticamente. Em 2018, retirou os Estados Unidos do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, que previa a suspensão gradual de sanções em troca de garantias de que Teerã não desenvolveria a bomba atômica.

Países ocidentais e Israel acusam o Irã de buscar a arma nuclear, enquanto Teerã afirma que seu programa tem fins exclusivamente civis.

Em 3 de janeiro de 2020, o general Qassem Soleimani morreu em um bombardeio dos Estados Unidos em Bagdá. Trump afirmou que ele estava preparando ataques "iminentes" contra diplomatas e militares americanos.

Em resposta, o Irã lançou mísseis contra bases que abrigavam soldados americanos no Iraque.

Durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã (de 13 a 24 de junho de 2025), os EUA lançaram bombardeios contra três importantes instalações nucleares iranianas no dia 21. Trump afirmou ter "aniquilado" o programa nuclear do Irã nos ataques.

Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã

Ali Khamenei foi um dos alvos do ataque norte-americano e israelense deste sábado.

No poder desde 1989, Khamenei ocupa um cargo vitalício que concentra as funções de chefe de Estado, principal autoridade religiosa e comandante-chefe das Forças Armadas. Como líder supremo, tem a palavra final sobre segurança, defesa e política externa, além de supervisionar o programa nuclear iraniano. Defende que o enriquecimento de urânio é um direito soberano do país.

Os aiatolás são clérigos xiitas de alta hierarquia, reconhecidos como especialistas em jurisprudência islâmica, teologia e filosofia, e exercem a mais alta autoridade religiosa no Irã. Em 1979, lideraram o movimento que resultou na queda da monarquia do xá Reza Pahlavi e na instauração da república islâmica.

Internamente, o regime implementou mudanças que são alvo de críticas por violações de direitos humanos, incluindo restrições aos direitos das mulheres e de opositores políticos.

Ao longo de décadas, Khamenei personificou a postura desafiadora da república islâmica diante de Estados Unidos e Israel. A expansão da influência regional do Irã - no Líbano, Síria, Iraque e Iêmen - é um eixo central de sua política externa.

Khamenei afirma que o Irã "nunca se renderá" aos Estados Unidos e demonstra ceticismo em relação à diplomacia. Durante os diálogos sobre o programa nuclear em 2025, disse duvidar que um acordo pudesse "conduzir a algum resultado" e sustentou que os problemas do país deveriam ser resolvidos internamente.

Quando as conversas foram retomadas, advertiu que o Irã é capaz de atingir navios de guerra americanos no Golfo. "Os americanos deveriam saber que se começarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional", declarou.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel

Há décadas, Netanyahu denuncia o programa nuclear iraniano, o arsenal de mísseis de Teerã e seu apoio a grupos armados, que considera uma ameaça existencial para Israel.

A pressão do premiê por uma ação militar se concretizou na guerra de 12 dias contra o Irã. Ele afirma que Israel voltará a agir para impedir que o país reforce suas capacidades de ataque.

Netanyahu também tem instigado o povo iraniano a derrubar seus governantes e restaurar as relações anteriores à Revolução Islâmica de 1979. Neste mês, advertiu que "se os aiatolás cometerem um erro e nos atacarem, vão experimentar uma resposta que não podem nem imaginar".

Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã

Filho mais velho do último xá, Pahlavi se apresenta como potencial líder em uma eventual transição democrática no Irã.

Seu pai, Mohammad Reza Pahlavi, governou o Irã de 1941 a 1979, período marcado por modernização e crescimento econômico. Ao mesmo tempo, porém, o regime enfrentou crescente oposição interna, alimentada pela desigualdade social e por movimentos de esquerda e intelectuais influenciados pelo marxismo.

O governo do xá também foi marcado pela atuação do Savak, um serviço de segurança conhecido pela repressão a opositores, com denúncias de prisões arbitrárias e tortura, o que contribuiu para aumentar a insatisfação popular que culminou na Revolução de 1979.

Desde a queda da monarquia e a instauração da República Islâmica, Pahlavi deixou o país e não voltou ao Irã.

Porém, ele ganhou visibilidade após manifestantes gritarem "Pahlavi voltará" em recentes protestos. Radicado nos Estados Unidos, convocou iranianos a protestos em todo o mundo e pediu apoio direto de Washington para derrubar o regime.

"Estou aqui para garantir uma transição para uma futura democracia secular", disse à imprensa em Munique, em fevereiro. "Chegou a hora de pôr fim à república islâmica", acrescentou, ao pedir "ajuda" a Trump.

Figura divisiva dentro da oposição, foi criticado pelo apoio a Israel e por não se distanciar dos abusos cometidos durante o governo de seu pai.

Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita

Príncipe herdeiro da Arábia Saudita, primeiro vice-primeiro ministro e o atual ministro da defesa do país, Mohammed bin Salman compartilha a visão de outros Estados do Golfo: veem com satisfação o enfraquecimento do Irã, mas temem que isso gere instabilidade regional.

A Arábia Saudita, principal exportadora mundial de petróleo e de maioria sunita, mantém rivalidade histórica com o Irã xiita. Em 2017, o príncipe herdeiro comparou Khamenei ao "Hitler" do Oriente Médio.

Apesar disso, Riade e Teerã restabeleceram relações diplomáticas em 2023, em acordo mediado pela China. A estabilidade regional tornou-se prioridade para o país, que busca diversificar sua economia.

Em janeiro, a Arábia Saudita e outros países do Golfo pediram prudência a Washington em relação ao Irã. Mohammed bin Salman afirmou que não permitirá ataques contra o território iraniano a partir da Arábia Saudita, onde os Estados Unidos mantêm uma base militar.

*Com informações da AFP

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