Decisões de juros, seguro-desemprego nos EUA e petróleo: o que move os mercados
Os mercados começam esta quinta-feira, 19, com agenda ainda carregada de decisões de política monetária e indicadores relevantes no exterior, enquanto ainda repercutem os desdobramentos da chamada "super quarta", marcada pelas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, além da nova escalada nas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Logo na virada do dia, o Banco do Japão anuncia sua decisão de política monetária, após ter mantido a taxa de juros em 0,75% ao ano na reunião anterior.
Na Europa, os investidores acompanham, ao longo da manhã, às 4h, dados do mercado de trabalho no Reino Unido, com a divulgação da taxa de desemprego e dos salários médios. Na sequência, o Banco da Inglaterra decide sua política monetária, às 9h. Na última reunião, a autoridade monetária manteve os juros em 3,75% ao ano.
Ainda no radar europeu, o Banco Central Europeu também anuncia, às 10h15, sua decisão de juros. Na reunião anterior, a taxa foi mantida em 2% ao ano. Após a divulgação, a presidente Christine Lagarde concede entrevista, evento que costuma calibrar as expectativas dos mercados para os próximos passos da política monetária na região.
Nos Estados Unidos, a agenda traz indicadores importantes de atividade e mercado de trabalho. Serão divulgados os pedidos iniciais de seguro-desemprego, além dos dados de permissões para construção e vendas de moradias novas, termômetros relevantes para avaliar o ritmo da economia americana.
No campo de dívida pública, o Tesouro realiza leilão de títulos indexados à inflação (TIPS) de 10 anos.
No Brasil, o destaque da agenda doméstica fica para o leilão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional, com NTN-F e LTN, além da divulgação da sondagem industrial da CNI, que pode oferecer sinais sobre o ritmo da atividade no setor.
Apesar da agenda intensa, os mercados ainda devem operar sob forte influência das decisões anunciadas na véspera. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 14,75% ao ano, no primeiro corte em dois anos, em um movimento de 0,25 ponto percentual.
A decisão veio em um ambiente de maior incerteza externa, com destaque para a alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio.
Já nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros no intervalo entre 3,5% e 3,75% pela segunda reunião consecutiva, em linha com as expectativas. O presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, reforçou que novos cortes dependerão de sinais concretos de desaceleração da inflação, indicando uma postura ainda cautelosa.
20º dia dos conflitos no Oriente Médio
O pano de fundo geopolítico segue como principal vetor de risco. O conflito envolvendo EUA, Israel e Irã entra em seu 20º dia, com aumento das hostilidades após ataques a instalações energéticas no Catar.
O episódio elevou as preocupações com a oferta global de energia e impulsionou os preços do petróleo, com o Brent superando os US$ 110 por barril no after market, nesta quarta, movimento que tende a pressionar expectativas de inflação e aumentar a aversão a risco.
No mercado corporativo, a agenda de balanços também movimenta os investidores. No Brasil, divulgam resultados empresas como Cemig, Cyrela, Unipar, Dimed e Tupy. No exterior, os destaques incluem FedEx e Cosco, nos Estados Unidos, e Alibaba, na China.
Na véspera, o Ibovespa fechou em queda de 0,43%, aos 179.639 pontos, após perder fôlego ao longo da tarde, refletindo a cautela global diante das decisões de juros e da escalada das tensões geopolíticas. O dólar, por sua vez, avançou 0,90%, encerrando o dia a R$ 5,2468, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior.
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