Depois da oficina: como pneus, baterias e peças da DPaschoal voltam à cadeia produtiva
Um pneu que deixa de rodar não precisa, necessariamente, chegar ao fim da linha. Na cadeia de logística reversa estruturada pela DPaschoal, companhia de centros automotivos parte dos resíduos gerados nas oficinas ganha outro destino: volta à indústria, vira matéria-prima e ajuda a reduzir o impacto ambiental da manutenção automotiva.
A rede, que completa 77 anos em 2026 e faz parte do grupo Stellantis, afirma ter destinado corretamente mais de 2,3 mil toneladas de resíduos automotivos nos últimos cinco anos. O volume inclui pneus, baterias, filtros, peças e outros componentes recolhidos nas operações da companhia.
O principal eixo dessa estratégia está nos pneus. Desde 2021, mais de 2 milhões de unidades foram encaminhadas para reciclagem ou reaproveitamento, segundo a empresa. Na prática, isso representa mais de 12 mil toneladas de borracha recuperada e uma redução estimada de cerca de 24 mil toneladas de CO₂ em processos produtivos equivalentes.
A iniciativa faz parte de uma agenda que a DPaschoal diz desenvolver desde 2007, voltada à destinação adequada de resíduos, ao reaproveitamento de componentes e ao incentivo ao consumo consciente na manutenção de veículos. O objetivo é fazer com que a passagem pela oficina não resulte apenas em descarte, mas também em retorno de materiais ao ciclo produtivo.
Destinação de resíduos automotivos
Nas lojas da rede, os resíduos gerados durante os serviços passam por separação, armazenamento e encaminhamento para tratamento ambiental. Todas as unidades contam com espaços próprios para essa gestão, com coletores e paletes com contenção adequada até a coleta.
Desde 2023, a companhia afirma ter enviado para reciclagem e tratamento ambiental 28 toneladas de filtros automotivos, 434,58 toneladas de baterias e 231,18 toneladas de peças automotivas.
A rastreabilidade é parte central do processo. As empresas recicladoras são homologadas pela área de Meio Ambiente da DPaschoal, que verifica a conformidade legal e acompanha periodicamente a documentação ambiental. O transporte e a destinação final dos materiais são registrados por meio do Manifesto de Transporte de Resíduos, o MTR, mecanismo que garante o atendimento de todas as exigências legais.
Programa de reciclagem de resíduos automotivos da DPAschoal chegou a 2,3 mil toneladas de materias destinados corretamente (DPaschoal/Divulgação)
Depois da coleta, cada componente segue um caminho. Pneus podem ser transformados em matéria-prima para asfalto, pisos, tapetes industriais, artefatos de borracha e outros produtos reciclados.
Baterias automotivas passam por uma cadeia que permite recuperar praticamente todos os seus elementos: o chumbo volta para a produção de novas baterias, o plástico é reciclado e o ácido recebe tratamento antes de ser reutilizado.
O óleo lubrificante usado e contaminado, conhecido como OLUC, é encaminhado para rerrefino, processo que permite transformá-lo em novo óleo básico. Já os componentes metálicos retirados durante a manutenção veicular seguem para reciclagem, retornando à cadeia produtiva.
Aumentar o ciclo de vida
Além da reciclagem, a DPaschoal aposta na recapagem como forma de estender o ciclo de vida dos pneus. O processo substitui a banda de rodagem de pneus cuja estrutura ainda está em boas condições, permitindo que eles voltem a circular com segurança.
Com isso, reduz-se a necessidade de produzir novos pneus e, consequentemente, a pressão sobre recursos naturais usados na fabricação.
Nas unidades dedicadas à recapagem, onde o consumo de energia é mais intenso, a companhia migrou para o mercado livre de energia. Essas operações utilizam eletricidade certificada pelo I-REC, que comprova a origem renovável da fonte usada.
A lógica também aparece na relação com o consumidor. Há quase 20 anos, segundo a empresa, a rede trabalha com diagnósticos técnicos para orientar a substituição apenas das peças realmente necessárias. A ideia é evitar trocas prematuras, reduzir custos para o cliente e diminuir o impacto ambiental associado à fabricação de novos componentes.
Com esse conjunto de ações, a DPaschoal tenta posicionar a manutenção automotiva dentro de uma agenda mais ampla de economia circular. Em vez de tratar pneus, baterias e peças como resíduos inevitáveis, a empresa busca reinserir esses materiais em novas cadeias de uso.
Segundo a companhia, que é signatária do Pacto Global da ONU, a estratégia de reciclagem passa por alinhar suas iniciativas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 12, de consumo e produção responsáveis, e o ODS 13, voltado à ação contra a mudança global do clima.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: