Depois do trilhão, Musk quer o quadrilhão — e já sabe o que falta: fábricas na Lua
Três dias após se tornar o primeiro trilionário da história com a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX, Elon Musk já está pensando no próximo marco.
Nesta segunda-feira, 15, em resposta a um post no X que calculava que ele precisaria de mais US$ 998,9 trilhões para atingir o status de quadrilionário, Musk respondeu com uma frase que resume sua visão de mundo melhor do que qualquer balanço financeiro.
"Não é impossível, mas definitivamente requer fábricas na Lua e em Marte para ser alcançado."
E foi além. "Por essa época, não acho que o dólar será usado como moeda. Apenas massa e energia", escreveu. A brincadeira — ou não — terminou com uma referência a um antigo desejo: "Acho que está na hora de conseguir aquele covil no vulcão que sempre quis."
Not impossible, but definitely requires factories on the Moon and Mars to achieve.
By then, I don’t think dollars will be used as currency. Just mass and energy.
— Elon Musk (@elonmusk) June 14, 2026
O número que falta
Para ter dimensão do que seria um quadrilionário: um quadrilhão de dólares é US$ 1.000 trilhões — mil vezes a fortuna atual de Musk, estimada em US$ 1,2 trilhão após a alta de 7% nas ações da SpaceX na segunda.
É também cerca de 40 vezes o PIB mundial inteiro, estimado em aproximadamente US$ 25 trilhões em 2026.
O comentário surgiu naturalmente no contexto da semana mais lucrativa da história do capitalismo moderno.
Na sexta-feira, 12, o IPO da SpaceX na Nasdaq levantou US$ 75 bilhões — o maior IPO da história —, elevou o valor de mercado da empresa para cerca de US$ 1,77 trilhão e transformou Musk no primeiro trilionário nominal da história. Em dois dias de negociação, as ações subiram ainda mais, adicionando outros US$ 72 bilhões ao patrimônio do empresário.
A lógica por trás da provocação
A resposta de Musk não é inteiramente uma piada. A tese do quadrilionário depende de uma premissa que ele defende há anos com seriedade: que a humanidade precisa se tornar multiplanetária para sobreviver, e que quem construir a infraestrutura dessa expansão controlará uma riqueza sem precedentes históricos.
A frase sobre "massa e energia" como moeda de troca numa economia interplanetária é coerente com o argumento econômico por trás da SpaceX. Se fábricas na Lua e em Marte se tornarem viáveis, os recursos extraídos — minerais raros, hélio-3 para fusão nuclear, água para produção de combustível — teriam valor em escala que o sistema financeiro atual não consegue precificar. Assim, o dólar seria uma unidade inadequada de medida.
É especulação, mas é especulação do mesmo tipo que Musk fazia sobre foguetes reutilizáveis em 2002, sobre carros elétricos de massa em 2008 e sobre internet via satélite em 2015. Nos três casos, o mercado o chamou de louco antes de comprar as ações.
O que falta para chegar lá
A trajetória de Musk de bilionário a trilionário levou cerca de 20 anos, de 2002, quando fundou a SpaceX com US$ 100 milhões, até 2026. A distância de trilionário para quadrilionário é mil vezes maior em termos nominais.
Mesmo que sua fortuna continuasse crescendo no mesmo ritmo acelerado dos últimos dois anos (quando saiu de US$ 200 bilhões para US$ 1,2 trilhão), levaria séculos para chegar a US$ 1 quadrilhão em dólares de hoje.
Mas esse é exatamente o ponto de Musk: ele não está falando de dólares de hoje. Está falando de uma economia de escala civilizacional que ainda não existe — e que, se existir, terá sido construída em grande parte por suas empresas.
Por ora, US$ 998,9 trilhões ainda faltam. O covil no vulcão, aparentemente, está mais próximo.
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