Desemprego no Brasil, PIB dos EUA e balanço da Apple: o que move os mercados
Após a Super Quarta, a quinta-feira, 30, deve encerrar o mês de abril com indicadores importantes. No radar do mercado estão dados sobre o emprego no Brasil, inflação e atividade nos Estados Unidos, além de números de crescimento e preços na Europa.
Mas os investidores também devem digerir nesta quinta as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, amplamente esperadas, mas não sem nuances relevantes.
Nos EUA, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros no intervalo entre 3,5% e 3,75%, em linha com o consenso, mas o destaque ficou para o grau de divisão interna, com quatro dissidências — o maior nível desde 1992 — evidenciando visões distintas sobre os próximos passos da política monetária.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) também seguiu o esperado e cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, mantendo o ritmo do ciclo e um tom de cautela diante do cenário externo.
Nesse contexto, ganham peso os dados sobre o emprego no Brasil, inflação e atividade nos Estados Unidos, além de números de crescimento e preços na Europa, que podem ajudar a calibrar as expectativas do mercado para os próximos movimentos dos bancos centrais.
O que ficar de olho no Brasil
No cenário doméstico, o foco recai sobre o mercado de trabalho e as contas públicas. Às 08h30, o Banco Central (BC) divulga a dívida bruta, que deve subir para 79,6% do PIB, ante 79,2%.
No mesmo horário, também sai o balanço orçamentário, cuja projeção aponta para um déficit de R$ 148 bilhões — acima dos R$ 100,6 bilhões registrados anteriormente. Já o último Superávit registrou déficit de cerca de R$ 16,4 bilhões.
Às 09h, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga a taxa de desemprego de março, que deve avançar para 6,1%, ante 5,8%.
Mais tarde, às 14h30, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publica os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), com expectativa de criação de 150 mil vagas formais — abaixo das 255 mil registradas na leitura anterior.
O que acompanhar nos EUA
O principal destaque global ocorre às 09h30, com uma bateria de indicadores nos Estados Unidos que deve ajudar a calibrar as expectativas sobre crescimento e inflação. O PIB do primeiro trimestre deve avançar 2,2%, acelerando em relação à leitura anterior de 0,5%.
Ao mesmo tempo, o núcleo do índice de preços PCE — principal termômetro de inflação do Federal Reserve — deve subir 3,2% em 12 meses, ante 3,0%; e desacelerar para 0,3% na comparação mensal em relação aos 0,4% anteriores.
No mesmo horário, também serão divulgados outros dados relevantes: os pedidos iniciais de seguro-desemprego devem ficar praticamente estáveis, em 213 mil, ante 214 mil; enquanto os gastos pessoais devem acelerar 0,5% para 0,9%. O índice de custo do emprego tem projeção de 0,8%, ante 0,7%.
Já o PCE cheio deve registrar alta de 3,5% em 12 meses, acima dos 2,8% anteriores.
Por fim, às 10h45, o PMI de Chicago deve subir para 54,8, cuja leitura anterior marcou 52,8, reforçando o cenário de expansão da atividade industrial nos EUA.
O que cuidar na Europa e Ásia
Na Europa, a agenda começa a ganhar força a partir das 02h30, com a divulgação do PIB da França no primeiro trimestre. A expectativa é de alta de 1,2% na comparação anual e avanço de 0,2% no trimestre, além de uma recuperação do consumo em março, projetado em aumento de 0,7% após queda de 1,4%.
Às 03h, a Alemanha divulga as vendas no varejo, que devem recuar 0,3% no mês, enquanto os preços de importados são projetados em alta de 3,6%, sinalizando possível pressão inflacionária.
O principal bloco de indicadores sai às 06h, com a Zona do Euro. A inflação anual de abril é projetada em 3,0%, ante 2,6%; enquanto o núcleo deve ficar em 2,2%, pouco abaixo da leitura anterior de 2,3%.
O PIB do primeiro trimestre deve crescer 0,2% no trimestre e 0,9% no ano, e a taxa de desemprego deve permanecer estável em 6,2%. Os números são centrais para calibrar as próximas decisões do Banco Central Europeu (BCE).
Ainda na Europa, às 08h, o Reino Unido anuncia sua decisão de juros, com expectativa de manutenção da taxa em 3,75%. O mercado também acompanha a divisão de votos e as atas do Banco da Inglaterra, em busca de pistas sobre os próximos passos da política monetária.
Na sequência, às 09h15, o BCE divulga sua decisão de juros, com expectativa de manutenção em 2,15%, seguida pela coletiva às 09h45 e por discurso da presidente Christine Lagarde às 12h15.
Na Ásia, a madrugada já trouxe sinais mistos. No Japão, às 02h, a confiança das famílias de abril deve recuar para 32,8, ante 33,3; enquanto a construção de novas casas em março deve cair 28,7% na base anual, reforçando dúvidas sobre a força da demanda doméstica no país.
Balanços corporativos
Apple, Eli Lilly e Mastercard concentram as atenções da temporada de resultados desta sessão. Após o fechamento em Nova York, a Apple (AAPL) divulga o balanço do segundo trimestre de 2026.
Antes da abertura, saem os números da Eli Lilly (LLY), em um momento em que a farmacêutica é acompanhada de perto pelo desempenho de seu portfólio em obesidade e doenças crônicas. Também no pré‑mercado, a Mastercard (MA) reporta os resultados do primeiro trimestre.
Oriente Médio volta ao radar
O petróleo voltou ao centro do radar dos mercados, com o Brent para junho se aproximando de US$ 120 e o WTI superando US$ 107, em alta superior a 6%, em meio à combinação de choque geopolítico, gargalos logísticos e estoques em queda.
O gatilho é o impasse entre EUA e Irã: Donald Trump afirmou que manterá por meses, se necessário, o bloqueio naval aos portos iranianos e ao Estreito de Ormuz — rota de cerca de 20% do fluxo global de petróleo — até um novo acordo nuclear, o que alimenta a percepção de uma interrupção de oferta prolongada e sustentação dos preços em patamar elevado.
A pressão é amplificada por dados da EIA mostrando forte queda dos estoques de petróleo bruto e derivados nos EUA, num contexto em que o país se tornou exportador líquido em base semanal, com exportações recordes acima de 6,4 milhões de barris/dia para Europa e Ásia, o que melhora o balanço global, mas reduz o “colchão” doméstico e aumenta a vulnerabilidade a novos choques de preços.
No pano de fundo, investidores monitoram ainda sinais de fragmentação na OPEP, com a saída dos Emirados Árabes Unidos, o que pode limitar a capacidade do grupo de coordenar preços.
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