OpenAI se mobiliza para conter interesse espontâneo do ChatGPT por goblins e gremlins

Por André Lopes 30 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
OpenAI se mobiliza para conter interesse espontâneo do ChatGPT por goblins e gremlins

A OpenAI incluiu uma orientação explícita nas instruções do Codex, seu agente de programação, para evitar referências a criaturas como goblins, gremlins, trolls, guaxinins e pombos em respostas geradas por IA. A frase aparece quatro vezes no código-fonte e determina que esses termos só sejam usados quando forem “absoluta e inequivocamente relevantes” para a consulta do usuário.

A descoberta ganhou força após usuários no X, antigo Twitter, compartilharem capturas de tela mostrando o suposto GPT 5.5 usando expressões como 'goblin mode', 'goblin bandwidth' e até uma 'versão goblin' mais curta de respostas. Em um dos casos, o modelo recomendava equipamento de câmera para quem queria um “modo goblin neon sujo e brilhante”.

Eric Provencher, fundador da Repo Prompt, também publicou uma interação em que o sistema dizia que preferia 'ficar de babá' em vez de deixar um 'gremlin de performance' rodando sozinho. Um engenheiro da OpenAI respondeu publicamente: 'Achei que já tínhamos corrigido isso, desculpe'.

O site de avaliação de modelos Arena.ai identificou aumento no uso das palavras goblin, gremlin e troll pelo GPT 5.5, especialmente quando o sistema operava sem o chamado modo de raciocínio aprofundado, conhecido informalmente como high-thinking mode.

A repercussão transformou o tema em meme dentro da própria comunidade de IA. Usuários passaram a provocar o sistema com perguntas sobre goblins e gremlins, enquanto a própria OpenAI entrou na brincadeira. A conta oficial do ChatGPT no X adicionou a frase sobre evitar goblins e gremlins em sua biografia.

O termo goblin mode, associado a um comportamento autodepreciativo, desleixado ou assumidamente indulgente, foi escolhido como palavra do ano de 2022 pelo Oxford English Dictionary.

Sam Altman e executivos embarcam na piada

Thibault Sottiaux, líder de engenharia do Codex, publicou a própria frase com a observação “se você sabe, você sabe”. Já o CEO da OpenAI, Sam Altman, entrou no assunto com uma piada sobre pedir “goblins extras” no futuro GPT-6.

Depois, Altman comentou que o Codex estava vivendo um “momento ChatGPT”, numa referência ao período em que o chatbot viralizou por comportamentos inesperados. Em seguida, corrigiu a própria frase.

“Quis dizer um momento goblin, desculpe”, escreveu.

A consultoria Citrini Research, que já havia movimentado o mercado com análises sobre o impacto econômico da IA, criticou a postura da empresa e classificou a resposta da OpenAI ao episódio como “insana”, ampliando o debate sobre personalidade e controle de comportamento em modelos generativos.

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