Desktop sobe mais de 20% na bolsa após venda de controle para a Claro

Por Clara Assunção 24 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Desktop sobe mais de 20% na bolsa após venda de controle para a Claro

As ações da Desktop (DESK3) registram forte alta nesta segunda-feira, 23, após o anúncio da venda de controle da companhia para a operadora Claro. Às 16h19, os papéis subiam 23,40%, cotados a R$ 17,77, refletindo a reação positiva do mercado à operação.

O movimento vem na esteira da aquisição, pela Claro, de cerca de 73% do capital da Desktop, maior provedora independente de internet de fibra óptica do estado de São Paulo. A transação, divulgada em fato relevante no domingo, 22, avaliou a empresa em R$ 4 bilhões.

O acordo envolve a compra de 84,6 milhões de ações ordinárias. Considerando os ajustes pela dívida líquida, o valor estimado a ser pago pela Claro é de R$ 2,4 bilhões, o equivalente a R$ 20,82 por ação — um patamar acima da cotação atual de mercado. O pagamento será feito em dinheiro no fechamento da operação.

A aquisição foi realizada por meio da Claro NXT Telecomunicações, controlada da Claro, que pertence ao grupo mexicano América Móvil, do empresário Carlos Slim. Como parte do negócio, a companhia também terá que lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) para os cerca de 27% das ações em circulação, com preço ao menos equivalente ao pago pelo controle.

O fechamento da operação, contudo, ainda depende de aprovações regulatórias, incluindo o aval do Cade e da Anatel.

Operação é estratégicamente relevante para a Claro, dizem bancos

Fundada em 1997, em Sumaré (SP), a Desktop se consolidou como uma das principais plataformas de provedores regionais de fibra, com atuação em 194 municípios e cerca de 1,2 milhão de clientes.

A empresa cresceu inicialmente com geração própria de caixa e, a partir de 2020, acelerou sua expansão com aquisições após receber aporte do fundo HIG Capital. Em 2021, realizou seu IPO na B3.

Na avaliação do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), a operação é "estrategicamente importante para a Claro", ao acelerar a migração de clientes para fibra óptica e reforçar sua posição competitiva, embora tenha "impacto limitado sobre a alavancagem" do grupo América Móvil.

O banco também ressalta, em relatório divulgado nesta segunda, que a estrutura do negócio pode levar as ações a negociarem com desconto em relação ao preço da oferta, diante das incertezas sobre o prazo de conclusão e ausência de correção pelo CDI. Ainda assim, aponta que a priorização da geração de caixa pela Desktop pode ajudar a elevar o valor final da transação.

Já o Itaú BBA vê a aquisição como "um passo fundamental para a consolidação dos provedores de internet" no Brasil, destacando que a operação estabelece um novo parâmetro de valuation para o setor.

"O fato de o múltiplo implícito de 6,2x EV/LTM da transação represente um prêmio significativo em relação ao múltiplo atual da DESK, de aproximadamenre 5x EV/LTM EBITDA (2025), pode acelerar as perspectivas de consolidação neste setor. O setor continua muito fragmentado, com várias empresas enfrentando desafios em meio a altas taxas de juros e intensa concorrência", afirmou o banco.

Segundo a instituição financeira, para a Claro, a transação reforça sua oferta convergente e fortalece sua presença no estado de São Paulo, ao somar a participação de mercado de 7,4% da Desktop, uma base atual de cerca de 1,2 milhão de residências, aos 28% já detidos pela Claro.

"Isso elevaria a participação combinada acima dos atuais cerca de 31% de participação de mercado da Vivo. Os otimistas podem argumentar que esse acordo promove a racionalização de preços do FTTH, enquanto os pessimistas podem alegar que o ambiente competitivo provavelmente se tornará mais acirrado, especialmente para a Vivo", afirmou o Itaú BBA.

Em 2021, a empresa realizou seu IPO e passou a negociar ações no Novo Mercado da B3, sob o ticker DESK3. Em 2025, atingiu a marca de 1,2 milhão de clientes.

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