Destravando o valor das baterias através de uma operação eficiente

Por institucional 16 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Destravando o valor das baterias através de uma operação eficiente

A operação do Sistema Elétrico Brasileiro (SEB) vem evidenciando a necessidade de incorporação de recursos como os Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (SAEB). O planejamento da expansão do sistema projeta déficit de 5.500 megawatts (MW) de potência em 2028. A amplitude entre os períodos de baixo e elevado consumo já supera 30 gigawatts (GW) em quatro horas, o que clama por recursos mais flexíveis na operação. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estima mais de 240 manobras diárias de equipamentos em 2030 para controle da rede, ou seja, as necessidades são inequívocas. Ainda assim, permanece a questão de como operacionalizar a utilização das baterias para atendê-las. Essa transição, do diagnóstico para a operacionalização, é o tema do quarto relatório do estudo conduzido pela PSR em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS)

A forma de operar essas baterias é central na discussão. O estudo parte de três arranjos básicos: operação coordenada pelo operador do sistema, autodespacho conduzido pelo próprio empreendedor e operação mista, que combina elementos dos dois, propondo uma trajetória de evolução. No curto prazo, o primeiro Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) por armazenamento, mecanismo de contratação de novos recursos para o sistema previsto para ocorrer no fim deste ano, viabiliza a inserção inicial sob coordenação totalmente centralizada do ONS, priorizando segurança operativa e simplicidade. À medida que o mercado amadureça, arranjos mais flexíveis darão maior autonomia para os empreendedores e devem ganhar relevância, contribuindo para obtenção de diferentes fontes de receita.

Os SAEBs são ativos muito versáteis, que podem prover diversos serviços necessários para a operação do sistema. Mas, para extrair esses benefícios de forma eficiente, ainda são requeridos aperfeiçoamentos no SEB. Para o atendimento à ponta de consumo, por exemplo, o aprimoramento em futuros LRCAPs é um caminho promissor. Na prestação de serviços ancilares, é desejável dar continuidade às iniciativas de contratação por mecanismo competitivo. De forma geral, a possibilidade de empilhamento de receitas atravessa essas frentes.

A inserção eficiente das baterias não se esgota, contudo, nos serviços prestados ao sistema. O ciclo de vida dos equipamentos (licenciamento ambiental, segurança operacional e gestão de resíduos) deve ser orientado por princípios como uniformidade regulatória e governança coordenada entre as instituições envolvidas. A janela de tempo até os primeiros descomissionamentos de SAEB é uma oportunidade para o Brasil construir um arcabouço antes que a pauta seja imposta de forma reativa.

A próxima e última etapa do projeto avançará sobre uma dimensão complementar: os impactos socioeconômicos da inserção dos SAEB e o fortalecimento das comunidades afetadas por esse processo, completando a visão integrada necessária para uma inserção que seja, simultaneamente, eficiente, segura e justa.

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