DHL mira em logística para canetas emagrecedoras e investirá R$ 100 milhões no Brasil
A DHL está colocando o setor de saúde no centro de sua estratégia de expansão no Brasil. Em meio à reorganização das cadeias globais de suprimentos, a companhia decidiu ampliar investimentos em logística especializada para medicamentos e produtos sensíveis à temperatura. A área é considerada uma das mais promissoras para o grupo no país e inclui as famosas canetas emagrecedoras, como Mounjaro e OZempic.
O movimento reflete uma mudança mais ampla na indústria farmacêutica global, que passa a exigir cadeias logísticas mais sofisticadas, com controle de temperatura, rapidez no transporte e maior previsibilidade nas operações.
Para Andrew Williams, CEO regional das Américas da DHL, o tamanho do mercado brasileiro explica a aposta.
“O Brasil é hoje um dos maiores mercados de saúde do mundo e o principal da América Latina, e exige um nível de especialização logística que envolve controle de temperatura, velocidade e eficiência no desembaraço aduaneiro”, afirma.
Segundo ele, a indústria farmacêutica também passa por uma transformação estrutural, migrando de medicamentos de grande escala para terapias mais especializadas, muitas delas dependentes de transporte entre 2 °C e 8 °C.
No Brasil, a expectativa da DHL é que o mercado de logística voltado ao setor farmacêutico cresça cerca de 6% ao ano até 2032, impulsionado pelo envelhecimento da população, pela expansão de terapias especializadas e pelo aumento da demanda por medicamentos sensíveis à temperatura.
Além de vacinas e medicamentos da chamada "farmácia especializada", a empresa movimenta também suprimentos cirúrgicos de alto valor, kits de testes genéticos vendidos via e-commerce e medicamentos e vacinas no comércio internacional, que figuram entre os principais produtos trocados entre o Brasil e mercados como Estados Unidos e Europa.
Brasil ganha peso na estratégia global
A aposta na saúde faz parte de uma estratégia mais ampla da DHL no país. Com empresas redesenhando rotas comerciais e buscando reduzir dependências geográficas, o grupo de logística passou a tratar o Brasil como um mercado prioritário.
O cenário reflete mudanças estruturais no comércio internacional, com empresas acelerando estratégias de nearshoring e regionalização da produção para aproximar fábricas e centros de distribuição dos mercados consumidores.
“O Brasil está diversificando suas cadeias de suprimentos além de parceiros tradicionais como China e Estados Unidos e se consolidando como potência comercial. O país combina um grande mercado interno com forte presença internacional e uma base industrial diversificada”, diz Williams.
País como hub de redistribuição
Uma das áreas que mais se beneficia dessa reorganização é a divisão DHL Global Forwarding, responsável pelo transporte internacional de cargas.
Com mudanças nas rotas comerciais e nas tarifas globais, o Brasil começa a se posicionar como ponto de redistribuição de mercadorias entre Ásia, Europa e América Latina.
Nesse modelo, aeroportos como Guarulhos funcionam como conexões rápidas para cargas transportadas em voos de passageiros, enquanto Viracopos concentra operações de maior volume e cargas especiais.
Hoje, a empresa opera mais de 600 voos internacionais por mês conectando o Brasil a mercados globais.
“Indústrias em crescimento no Brasil, de data centers a novas energias, precisam de parceiros logísticos capazes de acompanhar essa velocidade”, afirma Erik Meade, CEO da DHL Global Forwarding Latam.
Expansão logística no país
Para acompanhar esse movimento, a DHL também amplia sua infraestrutura no país.
A divisão DHL Express planeja investir R$ 118 milhões nos próximos anos, com foco na ampliação de gateways logísticos, no fortalecimento da conectividade aérea doméstica e na abertura de cerca de 75 novas lojas até 2030.
Em Viracopos, em Campinas (SP), a empresa mantém um armazém alfandegado próprio de 10,8 mil metros quadrados, com operação 24 horas e capacidade de processar até 3 mil peças por hora.
Já a divisão DHL Supply Chain, responsável por operações de armazenagem e distribuição, prevê investimentos ainda maiores.
A companhia reservou 500 milhões de euros para a América Latina entre 2023 e 2028, dos quais cerca de um terço — aproximadamente R$ 1 bilhão — será destinado ao Brasil.
“Quando falamos em expansão, falamos, por exemplo, da nossa presença em Extrema, em Minas Gerais. Temos 140 mil metros quadrados lá. Só na semana passada, incorporamos um novo edifício de 20 mil metros quadrados à nossa operação local”, afirma Agustín Croche, CEO da DHL Supply Chain para a América Latina.
"Possivelmente até adiantaremos alguns investimentos", finaliza Croche, visto que, no Brasil, o R$ 1 bilhão projetado até 2028 deve ser entregue antes.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: