Dia Supermercados sai da recuperação judicial dois anos após rombo de R$ 1,1 bi

Por institucional 16 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Dia Supermercados sai da recuperação judicial dois anos após rombo de R$ 1,1 bi

O Dia Supermercados encerrou oficialmente seu processo de recuperação judicial, pouco mais de dois anos após dar entrada no pedido de proteção ao Tribunal de Justiça de São Paulo. A decisão foi homologada pela Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo após a companhia comprovar o cumprimento integral das obrigações previstas no plano aprovado pelos credores.

Em março de 2024, a rede entrou com pedido de recuperação judicial com dívida total de R$ 1,1 bilhão, da qual a maior parte era com fornecedores. Os bancos respondiam por R$ 268 milhões. A situação era consequência de sucessivos prejuízos acumulados desde a chegada da rede espanhola ao Brasil, em 2001.

O encerramento da supervisão judicial foi antecipado em relação ao prazo original de outubro de 2026, após o cumprimento de 100% das metas estabelecidas no processo de reestruturação.

"O encerramento da recuperação judicial representa a conclusão de uma importante etapa da transformação do Dia. Cumprimos integralmente os compromissos assumidos, fortalecemos nossa operação e construímos bases sólidas para o futuro", afirmou Fabio Farina, CEO do Dia Supermercados.

Corte radical para sobreviver

No início de 2024, o grupo anunciou um plano de reestruturação que previa manter apenas 244 lojas em São Paulo, fechando 343 unidades — no interior paulista e em Belo Horizonte — e três centros de distribuição. À época, a companhia operava 587 lojas. A estratégia, nas palavras de seus executivos, era "sacrificar metade da empresa para deixar a metade saudável".

Hoje, o Dia opera 238 lojas entre unidades próprias e franqueadas, todas revitalizadas durante o processo de reestruturação. A companhia emprega cerca de 3 mil colaboradores e conta com a marca própria Melhor a Cada Dia, com mais de 800 produtos.

Entre as iniciativas da reestruturação estiveram a revisão da estrutura operacional, modernização das lojas, investimentos em tecnologia e simplificação de processos. A empresa está na etapa final da implantação do sistema SAP, descrito internamente como um dos projetos de transformação tecnológica mais relevantes de sua história recente.

Novo dono, nova estratégia

O processo de reestruturação também passou por mudança no controle acionário. O Cade autorizou o fundo de investimentos Arila, ligado ao investidor Nelson Tanure, a adquirir o controle da rede do fundo Lyra II — gerido pela MAM Asset, ligada ao Banco Master, que havia assumido o comando desde maio de 2024, quando o grupo espanhol Dia vendeu a operação brasileira.

Tanure é conhecido por investir em ativos com dificuldades financeiras. O movimento ocorreu em um momento em que circulava no mercado um possível interesse em fundir o Grupo Pão de Açúcar com a rede Dia, embora não houvesse negociações em andamento entre as partes à época.

Saída da RJ contra a corrente

O encerramento da recuperação do Dia contrasta com o cenário mais amplo da economia brasileira. Em 2025, o número de empresas em recuperação judicial atingiu recorde histórico: 2.466 CNPJs, o maior da série iniciada em 2012, com volume mensal consistentemente acima da média histórica de 106 empresas por mês.

A partir de agora, o Dia diz que seguirá investindo em eficiência operacional, inovação e expansão do modelo de franquias, com foco em proximidade e preço como proposta de valor central ao consumidor.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: